Para não ceder a sentimentos, refugiei-me num mundo muito meu. À noite, na cama escondendo a luz com um pano, escrevia histórias até altas horas. Gostava muito de fantasiar. Durante algum tempo, sonhei que era pirata, vivia no mar da China e era um pirata muito especial, porque não roubava para mim, mas para dar tudo aos pobres. Das fantasias com bandidos passava para as filantrópicas, pensava em licenciar-me em medicina e partir para África, para tratar dos pretinhos. Aos catorze anos, li a biografia de schliemann e percebi que nunca poderia tratar das pessoas, porque a minha única e verdadeira paixão era a arqueologia. De todas as infínitas actividades que imaginei vir a exercer, creio que essa era a única verdadeiramente minha.
Existirá uma fresta por onde possamos libertar-nos do destino que nos é imposto pelo ambiente de origem, de tudo o que os nossos antepassados nos transmitiram pela via do sangue? Talvez. Quem sabe se, a certa altura, alguém não consegue entrever, na sequência claustrofóbica das gerações, um degrau mais alto e com todas as suas forças tentar lá chegar? Quebrar um anel, fazer entrar no quarto um ar diferente, aí teremos o minúsculo segredo do ciclo das vidas. Minúsculo , mas muito fatigante, terrível pela sua incerteza.
Assim, cresci com a sensação de que era algo semelhante a uma macaca que devia ser bem domesticada e não um ser humano, uma pessoa, com as suas alegrias, os seus desânimos, a sua necessidade de ser amada, uma solidão que com o passar dos anos se foi tornando enorme, uma espécie de vácuo onde eu me movia com os gestos lentos e desajeitados de um mergulhador. A solidão também nascia das perguntas, das perguntas que fazia a mim mesma e às quais não sabia responder. Já aos quatro, cinco anos olhava à minha volta e pensava: Porque estou eu aqui? Donde é que vim, de onde vêm todas as coisas que vejo à minha volta, o que há atrás delas, terão estado sempre aqui, mesmo quando eu não estava, estarão sempre? Fazia a mim própria todas as perguntas que fazem as crianças sensíveis quando começam a tomar consciência da complexidade do mundo. Assim foi aumentando a sensação de solidão, para resolver todos os enigmas só podia contar com as minhas forças. Quanto mais o tempo ia passando, mais perguntas fazia acerca de tudo, eram perguntas cada vez maiores, cada vez mais terríveis, ficava aterrorizada só de pensar nelas. Por volta dos seis anos tive o primeiro encontro com a morte.
quarta-feira, julho 06, 2005
terça-feira, julho 05, 2005
VENTO
A noite passada, houve muito vento. Era um vento tão violento que acordei várias vezes com o ruído a bater nas persianas. Também velando pelo Fábio, a temperatura não baixava. E pensava. Como as coisas mudam com os anos.
Tenho a impressão de que o uso excessivo da mente produz mais ao menos o mesmo efeito: de toda a realidade que nos rodeia só se consegue captar uma parte restrita. E nessa parte impera muitas vezes a confusão, porque está repleta de palavras, e as palavras na maioria dos casos, em vez de nos conduzirem a algum lugar mais amplo só nos obrigam a uma dança de roda.
A compreensão exige silêncio. Quando era mais jovem, não o sabia, sei-o agora, que ando pela casa muda e solitária como um peixe na sua redoma de cristal. A mente é prisioneira das palavras, o seu ritmo é o ritmo desordenado dos pensamentos; mas o coração respira, é o único orgão que pulsa, e é essa pulsação que nos permite estar em sintonia com pulsações maiores. Há coisas que dóem muito só de pensar nelas. Dizê-las dói ainda muito mais.
Hoje, acordei com um mal estar péssimo! Meu filho cheio de febre pela noite fora. Queria escrever sobre este assunto, mas minha mente não deixava. Quando não escrevo, ando pela casa, mas não encontro paz em nenhum canto. Das poucas coisas que sou capaz de fazer, não há uma única que me permita estar calma, que me permita desviar por um instante os pensamentos das lembranças tristes. Tenho a impressão de que a memória funciona mais ou menos como um congelador. Também as lembranças tristes dormitam durante muito tempo numa das inúmeras cavernas da memória, estão para ali durante anos, durante decénios, durante toda a vida. Depois, um belo dia voltam à superfície, a dor que as tinha acompanhado está de novo presente, tão intensa e pungente como naquele dia, hà muitos anos atrás.
Estou a falar de mim do meu segredo.
Mas para se contar uma história é preciso começar do princípio, e o princípio está na minha juventude, no isolamento um tanto anómalo em que eu tinha crescido e continuava a viver. No meu tempo, a inteligência era um dote bastante negativo para a mulher não devia ser mais que uma égua de criação estática adoradora. A última coisa que se podia desejar era uma mulher que fizesse perguntas, uma mulher curiosa, inquieta.
Por isso, a solidão da minha juventude foi de facto muito grande. Para falar verdade, por volta dos dezoito vinte anos, como era simpática e bastante bem parecida, tinha uma multidão de apaixonados à minha volta. Contudo, mal demonstrava que sabia falar, mal lhes abria o coração e os pensamentos que se agitavam lá dentro, à minha volta formava-se o vazio. Claro que podia calar-me e fingir que era e que não era, mas infelizmente - ou felizmente -, apesar da educação que tive, uma parte de mim ainda estava viva e essa parte recusava mostrar-se falsa.
Mas sou uma simplória, não percebia absolutamente nada do que se passava à minha volta. Havia em mim um profundo sentimento de lealdade e essa lealdade dizia - me que nunca, mas nunca, poderia enganar um homem.Pensava que um dia havia de encontrar um rapaz com quem pudesse falar até altas horas da noite, sem nunca me cansar; falando e falando chegaríamos à conclusão de que víamos as coisas da mesma maneira, que sentiamos o mesmo. Então nasceria o amor, seria um amor baseado na amizade, na estima, não na facilidade da relação amorosa.
Tenho a impressão de que o uso excessivo da mente produz mais ao menos o mesmo efeito: de toda a realidade que nos rodeia só se consegue captar uma parte restrita. E nessa parte impera muitas vezes a confusão, porque está repleta de palavras, e as palavras na maioria dos casos, em vez de nos conduzirem a algum lugar mais amplo só nos obrigam a uma dança de roda.
A compreensão exige silêncio. Quando era mais jovem, não o sabia, sei-o agora, que ando pela casa muda e solitária como um peixe na sua redoma de cristal. A mente é prisioneira das palavras, o seu ritmo é o ritmo desordenado dos pensamentos; mas o coração respira, é o único orgão que pulsa, e é essa pulsação que nos permite estar em sintonia com pulsações maiores. Há coisas que dóem muito só de pensar nelas. Dizê-las dói ainda muito mais.
Hoje, acordei com um mal estar péssimo! Meu filho cheio de febre pela noite fora. Queria escrever sobre este assunto, mas minha mente não deixava. Quando não escrevo, ando pela casa, mas não encontro paz em nenhum canto. Das poucas coisas que sou capaz de fazer, não há uma única que me permita estar calma, que me permita desviar por um instante os pensamentos das lembranças tristes. Tenho a impressão de que a memória funciona mais ou menos como um congelador. Também as lembranças tristes dormitam durante muito tempo numa das inúmeras cavernas da memória, estão para ali durante anos, durante decénios, durante toda a vida. Depois, um belo dia voltam à superfície, a dor que as tinha acompanhado está de novo presente, tão intensa e pungente como naquele dia, hà muitos anos atrás.
Estou a falar de mim do meu segredo.
Mas para se contar uma história é preciso começar do princípio, e o princípio está na minha juventude, no isolamento um tanto anómalo em que eu tinha crescido e continuava a viver. No meu tempo, a inteligência era um dote bastante negativo para a mulher não devia ser mais que uma égua de criação estática adoradora. A última coisa que se podia desejar era uma mulher que fizesse perguntas, uma mulher curiosa, inquieta.
Por isso, a solidão da minha juventude foi de facto muito grande. Para falar verdade, por volta dos dezoito vinte anos, como era simpática e bastante bem parecida, tinha uma multidão de apaixonados à minha volta. Contudo, mal demonstrava que sabia falar, mal lhes abria o coração e os pensamentos que se agitavam lá dentro, à minha volta formava-se o vazio. Claro que podia calar-me e fingir que era e que não era, mas infelizmente - ou felizmente -, apesar da educação que tive, uma parte de mim ainda estava viva e essa parte recusava mostrar-se falsa.
Mas sou uma simplória, não percebia absolutamente nada do que se passava à minha volta. Havia em mim um profundo sentimento de lealdade e essa lealdade dizia - me que nunca, mas nunca, poderia enganar um homem.Pensava que um dia havia de encontrar um rapaz com quem pudesse falar até altas horas da noite, sem nunca me cansar; falando e falando chegaríamos à conclusão de que víamos as coisas da mesma maneira, que sentiamos o mesmo. Então nasceria o amor, seria um amor baseado na amizade, na estima, não na facilidade da relação amorosa.
quarta-feira, junho 29, 2005
Memória
Eu encontrarei alguma paz nesta vida.
As lembranças estão nas minhas veias.
Por vezes deixo-me ficar vazia.
Gasto meu corpo e meu espírito.
Por uma oportunidade.
Temo minha imensidão.
Das ruínas silenciosas.
Para todo o lugar que me viro.
Existem vampiros nas esquinas.
E a tempestade continua me humilhando.
No muro construido da mentira.
Sonho e invento de tudo que não tenho.
Esta infinita tristeza que me deixa caída.
Quando ainda acredito em doces lembranças.
Na imensidão do meu quarto escuro.
Dos braços frios tento voar para longe.
Escapar de vez da minha linha recta.
Não faz nenhuma diferença.
Eu encontrarei alguma paz..
No meu poema de amor.
As lembranças estão nas minhas veias.
Por vezes deixo-me ficar vazia.
Gasto meu corpo e meu espírito.
Por uma oportunidade.
Temo minha imensidão.
Das ruínas silenciosas.
Para todo o lugar que me viro.
Existem vampiros nas esquinas.
E a tempestade continua me humilhando.
No muro construido da mentira.
Sonho e invento de tudo que não tenho.
Esta infinita tristeza que me deixa caída.
Quando ainda acredito em doces lembranças.
Na imensidão do meu quarto escuro.
Dos braços frios tento voar para longe.
Escapar de vez da minha linha recta.
Não faz nenhuma diferença.
Eu encontrarei alguma paz..
No meu poema de amor.
terça-feira, junho 21, 2005
Sempre
Eu sei como te amo em sonhos e dias.
Meu amor a vida é como o vento.
Corre e vai-se sem despedida.
O tempo me foge das mãos.
Eu me sentaria à beira mar.
E uma longa carta te escreveria.
Se eu tivesse tempo, realizava repartia.
Para dizer meu amor, és a minha vida.
Eu sei quanto te amo.
E sinto meu ar, meu sangue em ti.
Na perseguição de um sonho, só olharia para ti.
O tempo, esse parece que de nós se desvia.
O tempo é fugaz, este esvai-se.
Deixando apenas meu amor por ti.
Minha poesia é lembrança do que fica.
Meu corpo é teu, e tu viverás em mim.
Para sempre.
Meu amor a vida é como o vento.
Corre e vai-se sem despedida.
O tempo me foge das mãos.
Eu me sentaria à beira mar.
E uma longa carta te escreveria.
Se eu tivesse tempo, realizava repartia.
Para dizer meu amor, és a minha vida.
Eu sei quanto te amo.
E sinto meu ar, meu sangue em ti.
Na perseguição de um sonho, só olharia para ti.
O tempo, esse parece que de nós se desvia.
O tempo é fugaz, este esvai-se.
Deixando apenas meu amor por ti.
Minha poesia é lembrança do que fica.
Meu corpo é teu, e tu viverás em mim.
Para sempre.
segunda-feira, junho 20, 2005
28 de Maio /Secção Casa pia
A maior parte das colegas que lá morreram não foi de fome mas de ódio.
Ter ódio diminui. O ódio mina o interior e ataca o sistema imunitário. O ódio acaba sempre por nos triturar por dentro. Foi preciso passar pelo que passei para perceber uma coisa tão simples.
Lembro- me quando tinha cinco anos de idade , fecharam-me na casa da lenha, os ratos por todo o lado , faziam circulo. Um deles quase roeu meu dedo anelar. Lembro dos meus gritos, ainda hoje os oiço na noite.Lembro-me da cara da freira, tinha os olhos amarelos. É a cor do ódio. Um dia não compareceu na camarata. Soube depois que tinha dado entrada no hospital onde ia ter de permanecer durante um tempo. Já não me lembro do que lhe aconteceu, mas dizia-se que tinha pacto com o Diabo.
Como é possível não ter ódio com tudo o que nos fazem sofrer? Como é possível ser maior, melhor e mais nobre que aquelas carrascos sem rosto. Como é possível ultrapassar os sentimentos de vingança e destruição?
Quando constatei que, eu não odiava, era sempre a primeira a perdoar, e tentar compreender o que estaria por tráz dos actos daquela gente, Havia algumas nas quais era visível o ódio, compreendi que elas seriam sempre as primeiras vítimas. Quem me ajudou a confirmar essa ideia foi Deus, o número 23, era assim que eu o imaginava, dando-lhe esse número. Dizia para comigo que ele se tinha enganado na profissão. Que fazia ele no céu? Devia ser carrasco.
Um dia fiz greve de fala. Mantive-me em silêncio profundo, nem uma palavra. Nem um gesto.
Esse sistema quase as enlouquecia , começavam a bater-me com a regua e a gritar, acompanhada de ameaças e insultos. . Por vezes a dor era difícil . Eu fingia que estava morta,
era eu e o silêncio combinado com as trevas.
Só pedia a Deus luz para poder afugentar aqueles bichos assassinos. Quantas vezes repeti para mim mesma: Estás bem Luisa, mas quiseram matar-te.
Tinha nascido para sevir, para executar qualquer tarefa da mais trivial à mais atròz. Nem um único sentimento. Nem uma única dúvida. Recebia ordens e cumpria-as com a firmesa do metal. Torturavam as opositoras ao regime com cuidado de um especialista. A dor já era minha companheira. Lutava para não cortarem meus longos cabelos louros, era a minha única ligação a mim mesma. Um dia na capela, pedia perdão a Deus em voz alta: peço-te que me perdoes, tenho sido má, terrivelmente má. Cuspia na comida delas, e deitava-lhe areia, desejo-lhes uma morte lenta e dolorosa. Mereço arder no inferno por tudo o que lhes faço. Mas Deus não me castigou. Não me recordo ao certo do dia, sei que era de noite, eu dormia por baixo da luz do Senhor. O tecto caíu por cima de duas colegas minhas, e tudo ardeu. Lembro que elas morreram queimadas. De cima duma janela os bombeiros conseguiram entrar, e mandaram-me pela janela para cima dum lençol.Eu chorei como nunca me lembro de o fazer. Apesar da minha pouca idade, eu sabia que a esperança era uma negação? A esperança era uma mentira com as virtudes de um calmante. Para ultrapassá-la, era necessário a gente preparar-se quotidianamente para o pior. Aquelas que não percebiam isso eram invadidas por um violento desespero que lhes causava a morte. Para me conseguir reerguer...Concentro-me e penso únicamento nas pessoas que amo , e nos amigos. E utilizo todas as minhas forças para Deus.
Ter ódio diminui. O ódio mina o interior e ataca o sistema imunitário. O ódio acaba sempre por nos triturar por dentro. Foi preciso passar pelo que passei para perceber uma coisa tão simples.
Lembro- me quando tinha cinco anos de idade , fecharam-me na casa da lenha, os ratos por todo o lado , faziam circulo. Um deles quase roeu meu dedo anelar. Lembro dos meus gritos, ainda hoje os oiço na noite.Lembro-me da cara da freira, tinha os olhos amarelos. É a cor do ódio. Um dia não compareceu na camarata. Soube depois que tinha dado entrada no hospital onde ia ter de permanecer durante um tempo. Já não me lembro do que lhe aconteceu, mas dizia-se que tinha pacto com o Diabo.
Como é possível não ter ódio com tudo o que nos fazem sofrer? Como é possível ser maior, melhor e mais nobre que aquelas carrascos sem rosto. Como é possível ultrapassar os sentimentos de vingança e destruição?
Quando constatei que, eu não odiava, era sempre a primeira a perdoar, e tentar compreender o que estaria por tráz dos actos daquela gente, Havia algumas nas quais era visível o ódio, compreendi que elas seriam sempre as primeiras vítimas. Quem me ajudou a confirmar essa ideia foi Deus, o número 23, era assim que eu o imaginava, dando-lhe esse número. Dizia para comigo que ele se tinha enganado na profissão. Que fazia ele no céu? Devia ser carrasco.
Um dia fiz greve de fala. Mantive-me em silêncio profundo, nem uma palavra. Nem um gesto.
Esse sistema quase as enlouquecia , começavam a bater-me com a regua e a gritar, acompanhada de ameaças e insultos. . Por vezes a dor era difícil . Eu fingia que estava morta,
era eu e o silêncio combinado com as trevas.
Só pedia a Deus luz para poder afugentar aqueles bichos assassinos. Quantas vezes repeti para mim mesma: Estás bem Luisa, mas quiseram matar-te.
Tinha nascido para sevir, para executar qualquer tarefa da mais trivial à mais atròz. Nem um único sentimento. Nem uma única dúvida. Recebia ordens e cumpria-as com a firmesa do metal. Torturavam as opositoras ao regime com cuidado de um especialista. A dor já era minha companheira. Lutava para não cortarem meus longos cabelos louros, era a minha única ligação a mim mesma. Um dia na capela, pedia perdão a Deus em voz alta: peço-te que me perdoes, tenho sido má, terrivelmente má. Cuspia na comida delas, e deitava-lhe areia, desejo-lhes uma morte lenta e dolorosa. Mereço arder no inferno por tudo o que lhes faço. Mas Deus não me castigou. Não me recordo ao certo do dia, sei que era de noite, eu dormia por baixo da luz do Senhor. O tecto caíu por cima de duas colegas minhas, e tudo ardeu. Lembro que elas morreram queimadas. De cima duma janela os bombeiros conseguiram entrar, e mandaram-me pela janela para cima dum lençol.Eu chorei como nunca me lembro de o fazer. Apesar da minha pouca idade, eu sabia que a esperança era uma negação? A esperança era uma mentira com as virtudes de um calmante. Para ultrapassá-la, era necessário a gente preparar-se quotidianamente para o pior. Aquelas que não percebiam isso eram invadidas por um violento desespero que lhes causava a morte. Para me conseguir reerguer...Concentro-me e penso únicamento nas pessoas que amo , e nos amigos. E utilizo todas as minhas forças para Deus.
sábado, junho 18, 2005
Águas correntes
Acordei cedo pela manhã, forçada pelo incessante buzinar de um carro, e esfreguei os olhos, sentindo a regidez do corpo. Não tinha dormido bem, tive pesadelos, a acordar depois de cada pesadelo, e recordar-me de ver os ponteiros do relógio em diferentes posições durante a noite, como a confirmar a passagem do tempo.Levantei-me, e olhei para fora da janela e observei um passarito a pálrar e passeando na relva amarela por falta de água, procurava alimento.Eu sempre fui uma pessoa madrugadora saudo sempre a aurora à minha maneira. Em África, levantava-me cedo para observar o nascer do sol. Muitas vezes tinha de me escapulir de mansinho para o fazer, porque não era permitido, mas nunca fui apanhada. Depois fui tomar banho, precisava sentir água na cabeça, tinha dores, mas precisava de me molhar para alegrar a minha manhã, para observar o começo de outro dia, e conclui que provavelmente sim.
Saí de casa, o ar passava-me frio na pele, quaze áspero, e o céu era uma neblina de cores diferentes: Por causa das longas horas no trabalho, e a vida de certa maneira complicada, fica-me pouco tempo para ir ver o meu tejo. Sentar-me nas suas margens e escrever como era hábito...alguma coisa teve de ser abandonada. Existe algo de especial, quaze místico, em passar a aurora no rio, pensei para mim, e hà muito tempo que não o fazia. Dantes, quando trabalhava em Lisboa, ia muito cedo, e fazia-o quaze todos os dias. Estivesse sol e céu limpo, ou frio ou nublado, isso nunca me importava enquanto movia os remos ao ritmo da música dentro da minha cabeça, era lindo o Tejo, visto da Lapa. Passei a manhã a andar por Mem - Martins. Estava com depressão tinha feito as minhas compras, mas não podia ver sinais de regresso. Suprimi um sentimento de tristeza quanto ao voltar para casa, esperando que o meu humor pode-se melhorar.
Passei diante de uma galeria de arte, quaze não a vendo, concentrada nos meus pensamentos, virei.me e voltei para trás. Fiz uma pausa á porta por um segundo, surpreendida por não ter visitado nenhuma há tanto tempo. Pelo menos dois anos, ou talvez mais. Porque é que as tinha evitado?
Quanto mais pensava naquilo, tanto mais gostava, e admirava porque me recordava o meu próprio trabalho. Talvez eu devesse começar a pintar.
É mesmo quaze meio - dia? Dois minutos mais tarde estava no carro, a conduzir para casa, antevendo o dia, muito triste.
Calculo que tenha de fazer algo especial, para passar bem o dia.
Saí de casa, o ar passava-me frio na pele, quaze áspero, e o céu era uma neblina de cores diferentes: Por causa das longas horas no trabalho, e a vida de certa maneira complicada, fica-me pouco tempo para ir ver o meu tejo. Sentar-me nas suas margens e escrever como era hábito...alguma coisa teve de ser abandonada. Existe algo de especial, quaze místico, em passar a aurora no rio, pensei para mim, e hà muito tempo que não o fazia. Dantes, quando trabalhava em Lisboa, ia muito cedo, e fazia-o quaze todos os dias. Estivesse sol e céu limpo, ou frio ou nublado, isso nunca me importava enquanto movia os remos ao ritmo da música dentro da minha cabeça, era lindo o Tejo, visto da Lapa. Passei a manhã a andar por Mem - Martins. Estava com depressão tinha feito as minhas compras, mas não podia ver sinais de regresso. Suprimi um sentimento de tristeza quanto ao voltar para casa, esperando que o meu humor pode-se melhorar.
Passei diante de uma galeria de arte, quaze não a vendo, concentrada nos meus pensamentos, virei.me e voltei para trás. Fiz uma pausa á porta por um segundo, surpreendida por não ter visitado nenhuma há tanto tempo. Pelo menos dois anos, ou talvez mais. Porque é que as tinha evitado?
Quanto mais pensava naquilo, tanto mais gostava, e admirava porque me recordava o meu próprio trabalho. Talvez eu devesse começar a pintar.
É mesmo quaze meio - dia? Dois minutos mais tarde estava no carro, a conduzir para casa, antevendo o dia, muito triste.
Calculo que tenha de fazer algo especial, para passar bem o dia.
sexta-feira, junho 17, 2005
Pomba
Caído do céu, como uma mensagem ou um engano.Um pombo ou uma pomba caiu em frente ao vidro do meu carro em andamento, e caíra no silêncio da minha espessa escuridão interior. Parei o carro, é uma pomba. Tenho a certeza.
Meus olhos conteram as lágrimas, para mim, era um acontecimento vindo do céu. Eu chorava como faço muitas vezes, quaze nem dou por isso. Era uma crise de dor de momento de muitos momentos. Aconteceu algo que eu não poderia ter previsto.
A pomba voava às cegas, batendo no vidro do carro. Quando caíu, aconcheguei-me a ela e, morreu nos meus braços. Por momentos fiquei feliz como uma criança. Falava com a pomba, dizia-lhe que ela tinha sido um sinal do destino, ou de Deus. Ela veio como mensageira para me salvar e pagou com a própria vida. Enquanto guiava o carro meu pensamento parou em frente a uma menina de oito anos de idade, meus olhos fixaram sua pureza, viram coisas que aconteceram com ela. Recalcada pelos acontecimentos, meus olhos se encheram de lágrimas, minha mente parou...nem reparei que vinha em sentido proibido. Chorei convulsivamente - Ó pomba minha, símbolo da paz e da alegria, se estás aqui hoje é porque Deus teve piedade de mim. A pomba chegara sózinha . Era a pomba do acaso. Ficámos juntas durante uns minutos e, suavemente meti-a dentro dum saco plastico, e coloquei-a no lixo. Vim para casa no meu dia-a-dia. Contudo, pensei. Um dia seria livre como ela e nunca mais choraria.
Hoje , perdi o sentido da minha orientação, vi borboletas a sobrevoarem a morte vestida de branco? Era uma imagem dolorosa. Assim se sucederam outras coisas na minha cabeça.
Obrigado Senhor. Por me amares.
Meus olhos conteram as lágrimas, para mim, era um acontecimento vindo do céu. Eu chorava como faço muitas vezes, quaze nem dou por isso. Era uma crise de dor de momento de muitos momentos. Aconteceu algo que eu não poderia ter previsto.
A pomba voava às cegas, batendo no vidro do carro. Quando caíu, aconcheguei-me a ela e, morreu nos meus braços. Por momentos fiquei feliz como uma criança. Falava com a pomba, dizia-lhe que ela tinha sido um sinal do destino, ou de Deus. Ela veio como mensageira para me salvar e pagou com a própria vida. Enquanto guiava o carro meu pensamento parou em frente a uma menina de oito anos de idade, meus olhos fixaram sua pureza, viram coisas que aconteceram com ela. Recalcada pelos acontecimentos, meus olhos se encheram de lágrimas, minha mente parou...nem reparei que vinha em sentido proibido. Chorei convulsivamente - Ó pomba minha, símbolo da paz e da alegria, se estás aqui hoje é porque Deus teve piedade de mim. A pomba chegara sózinha . Era a pomba do acaso. Ficámos juntas durante uns minutos e, suavemente meti-a dentro dum saco plastico, e coloquei-a no lixo. Vim para casa no meu dia-a-dia. Contudo, pensei. Um dia seria livre como ela e nunca mais choraria.
Hoje , perdi o sentido da minha orientação, vi borboletas a sobrevoarem a morte vestida de branco? Era uma imagem dolorosa. Assim se sucederam outras coisas na minha cabeça.
Obrigado Senhor. Por me amares.
quarta-feira, junho 15, 2005
HOMEM
Desde pequenina, que me lembro de ouvir infinitas histórias sobre o homem.
Então muitas começavam assim...
Homem superior/ Homem vulgar.
Aquele que é um homem superior é o que não perdeu a inocência e a candura da sua infância.
O homem superior pretende que todas as suas acções virtuosas passem despercebidas aos homens, mas a cada dia que passa, revelam-se com maior esplendor; contrariamente, o homem vulgar realiza ostensivamente as acções virtuosas, mas elas desvanecem-se rapidamente. A conduta do sábio é como a água: carece de sabor, mas a todos agrada; carece de cor, mas é bela e atraente; carece de forma, mas adapta-se com simplicidade e ordem às mais variadas figuras.
O que o homem superior procura está em si mesmo; o que os homens inferiores procuram está nos outros.
O homem superior tem o espírito tolerante para todos os homens e não é um partidário; o homem inferior é um partidário que não tem espírito tolerante.
O homem superior compreende o que é direito ; o homem inferior compreende o que quer vender
Então muitas começavam assim...
Homem superior/ Homem vulgar.
Aquele que é um homem superior é o que não perdeu a inocência e a candura da sua infância.
O homem superior pretende que todas as suas acções virtuosas passem despercebidas aos homens, mas a cada dia que passa, revelam-se com maior esplendor; contrariamente, o homem vulgar realiza ostensivamente as acções virtuosas, mas elas desvanecem-se rapidamente. A conduta do sábio é como a água: carece de sabor, mas a todos agrada; carece de cor, mas é bela e atraente; carece de forma, mas adapta-se com simplicidade e ordem às mais variadas figuras.
O que o homem superior procura está em si mesmo; o que os homens inferiores procuram está nos outros.
O homem superior tem o espírito tolerante para todos os homens e não é um partidário; o homem inferior é um partidário que não tem espírito tolerante.
O homem superior compreende o que é direito ; o homem inferior compreende o que quer vender
segunda-feira, junho 13, 2005
JOGO
Ao nascermos e vivermos num certo grupo social, estabelecemos com ele um laço indestrutível. Conforme amamos o nosso pai, a nossa mãe, o nosso irmão, amamos a nossa nação, o nosso partido, o nosso povo. São os nossos objectos de amor primários. E amamo-los mesmo quando não estamos concientes. Só nos apercebemos disso quando estamos longe e sentimos saudade. Ou então, quando são ameaçados ou agredidos.
Há outros amores, os que nos fazem partir para a objectividade, mas muitas vezes por egoismo ou porque nem nos apercebemos disso acabamos por jogar sentimentos, e fazer deles cobaias.
Além disso, a sociedade em que nascemos contagia-nos, enche-nos com os seus conceitos, e os seus valores, os seus tabus, A ética, as concepções com as quais observa e entende o mundo. Por esse mesmo motivo o jogo começa a ser aprendido, e um bom aluno começa a saber jogar também.Fá-lo com a linguagem, com o ensinamento dos pais, com a escola, com as mil experiências de todos os dias que partilhamos uns com os outros. É através da comunidade que aprendemos crenças, valores, medos, lugares - comuns, preconceitos e depois, ódios, amores preferências, repugnâncias. Este tumulto de paixões e sentimentos forja a nossa sensibilidade, a nossa moral, o nosso gosto. A partir deste método o jogo duplo começa, e ninguém quer perder.
Muitas vezes acaba por modelar a nossa maneira de pensar e ferir os nossos sentimentos, até que um deles desista.
O jogo começa forte, enraíza-se na base dos nossos sentimentos positivos e negativos, produz simpatias e antipatias imediatas. Basta um gesto, uma palavra, um símbolo, um canto para desencadear em nós reacções violentas de amor ou de ódio, de aceitação ou de desagrado.
A capacidade de avaliar com um minimo de objectividade é, por isso, uma meta difícil de alcançar. Não se obtém com a espontaneidade, deixando-nos andar ao sabor do vento, e do impulso. A dor essa começa a apertar forte, e contorna nosso espírito , obtém-se apenas com o exercício, do sofrimento e da frustação, destacando-nos do mundo, tomando as devidas distâncias das nossas paixões, dos nossos interesses. Até que consigamos ver-nos e julgar-nos do exterior, como se fôssemos estrangeiros. Até que nos tornemos capazes de olhar o mundo sob o ponto de vista dos outros, com os seus próprios olhos. Não pode haver jogos ou objectividades desleais no amor. Muitas vezes o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro.
Há outros amores, os que nos fazem partir para a objectividade, mas muitas vezes por egoismo ou porque nem nos apercebemos disso acabamos por jogar sentimentos, e fazer deles cobaias.
Além disso, a sociedade em que nascemos contagia-nos, enche-nos com os seus conceitos, e os seus valores, os seus tabus, A ética, as concepções com as quais observa e entende o mundo. Por esse mesmo motivo o jogo começa a ser aprendido, e um bom aluno começa a saber jogar também.Fá-lo com a linguagem, com o ensinamento dos pais, com a escola, com as mil experiências de todos os dias que partilhamos uns com os outros. É através da comunidade que aprendemos crenças, valores, medos, lugares - comuns, preconceitos e depois, ódios, amores preferências, repugnâncias. Este tumulto de paixões e sentimentos forja a nossa sensibilidade, a nossa moral, o nosso gosto. A partir deste método o jogo duplo começa, e ninguém quer perder.
Muitas vezes acaba por modelar a nossa maneira de pensar e ferir os nossos sentimentos, até que um deles desista.
O jogo começa forte, enraíza-se na base dos nossos sentimentos positivos e negativos, produz simpatias e antipatias imediatas. Basta um gesto, uma palavra, um símbolo, um canto para desencadear em nós reacções violentas de amor ou de ódio, de aceitação ou de desagrado.
A capacidade de avaliar com um minimo de objectividade é, por isso, uma meta difícil de alcançar. Não se obtém com a espontaneidade, deixando-nos andar ao sabor do vento, e do impulso. A dor essa começa a apertar forte, e contorna nosso espírito , obtém-se apenas com o exercício, do sofrimento e da frustação, destacando-nos do mundo, tomando as devidas distâncias das nossas paixões, dos nossos interesses. Até que consigamos ver-nos e julgar-nos do exterior, como se fôssemos estrangeiros. Até que nos tornemos capazes de olhar o mundo sob o ponto de vista dos outros, com os seus próprios olhos. Não pode haver jogos ou objectividades desleais no amor. Muitas vezes o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro.
sábado, junho 11, 2005
ILHA
Os pensamentos que escolho são geralmente as ferramentas que utilizo para pintar a tela da minha vida. Sou muito mais que o meu corpo e a minha personalidade. O espírito interior é sempre maravilhoso e cheio de amor, por mais que queira ser diferente, por mais que a minha aparência exterior mude.
Para mim...Todas as teorias do mundo não têm qualquer valor a não ser que resultem em acção, mudança positiva e, finalmente em cura.
Hoje , meu querido blog estou triste, busco refúgio, dentro de mim . Eu sou a minha ilha pessoal, poderia, também, aparecer como uma ilha subjectiva, que só existe dentro de mim própria, onde posso criar a minha própria imaginação, mas com o mesmo significado e poder. Ou então surgir de uma forma de um sistema filosófico, ideológico ou religioso coerente com a natureza de quem busca refúgio. Buda, num caso agudo de percepção psicológica e espíritual, oferecia a si mesmo e a sua doutrina como ilha ou refúgio para todo o sofrimento causado pela ignorãncia, pelo ódio, pelos apegos.
Nestes dias quando me confronto com a realidade, vivo e luto para sobreviver, aquilo que permite a saída da monotomia do quotidiano,da mediocridade do meio hurbano moderno, das neuroses colectivas, do caos que constantemente ameaça tragar a minha precária individualidade. Através da experiência da minha pequena ilha pessoal aproximo-me da grande ilha impessoal , o self - a ilha sagrada que flutua no mais profundo do meu ser.
Sempre que me lembro do mestre, penso que no mundo há provavelmente mais mestres interessados em ensinar do que alunos capacitados a receber ensinamentos. Há uma lei esotérica fundamental, conhecida como lei da transmissão do conhecimento.Essa lei diz que o conhecimento é material: ele tem um peso, uma densidade, uma substância em tudo análoga à substância material. O aluno precisa do mestre para sair do limbo da própria ignorância, mas o mestre também precisa do aluno, pois sem ele a sua qualidade de mestre perde completamente o significado. Daí a minha grande preocupação, é encontrar alunos capacitados para receber aquilo que eu poderei ensinar sem me julgarem louca. O deserto costuma marcar profundamente aqueles que com ele se defrontam de coração aberto. na ilha, mesmo nesta da memória, recupero o meu eixo criativo. A ilha acolhe-me sempre, e nunca me traiu.
Para mim...Todas as teorias do mundo não têm qualquer valor a não ser que resultem em acção, mudança positiva e, finalmente em cura.
Hoje , meu querido blog estou triste, busco refúgio, dentro de mim . Eu sou a minha ilha pessoal, poderia, também, aparecer como uma ilha subjectiva, que só existe dentro de mim própria, onde posso criar a minha própria imaginação, mas com o mesmo significado e poder. Ou então surgir de uma forma de um sistema filosófico, ideológico ou religioso coerente com a natureza de quem busca refúgio. Buda, num caso agudo de percepção psicológica e espíritual, oferecia a si mesmo e a sua doutrina como ilha ou refúgio para todo o sofrimento causado pela ignorãncia, pelo ódio, pelos apegos.
Nestes dias quando me confronto com a realidade, vivo e luto para sobreviver, aquilo que permite a saída da monotomia do quotidiano,da mediocridade do meio hurbano moderno, das neuroses colectivas, do caos que constantemente ameaça tragar a minha precária individualidade. Através da experiência da minha pequena ilha pessoal aproximo-me da grande ilha impessoal , o self - a ilha sagrada que flutua no mais profundo do meu ser.
Sempre que me lembro do mestre, penso que no mundo há provavelmente mais mestres interessados em ensinar do que alunos capacitados a receber ensinamentos. Há uma lei esotérica fundamental, conhecida como lei da transmissão do conhecimento.Essa lei diz que o conhecimento é material: ele tem um peso, uma densidade, uma substância em tudo análoga à substância material. O aluno precisa do mestre para sair do limbo da própria ignorância, mas o mestre também precisa do aluno, pois sem ele a sua qualidade de mestre perde completamente o significado. Daí a minha grande preocupação, é encontrar alunos capacitados para receber aquilo que eu poderei ensinar sem me julgarem louca. O deserto costuma marcar profundamente aqueles que com ele se defrontam de coração aberto. na ilha, mesmo nesta da memória, recupero o meu eixo criativo. A ilha acolhe-me sempre, e nunca me traiu.
segunda-feira, junho 06, 2005
MUNDO CRUEL
Às vezes, ao invés da esperança.
Fechamos a nossa alma definitivamente.
E bem no fundo da nossa alma.
Colocamos trancas e não abrimos mais.
Finjo não me aperceber da minha clausura.
Da passagem fechada à chave onde ninguém entra.
Daí ter que admitir isso.
Assim acabo, por me acomodar.
E não me abrindo para as pessoas que eu amo.
Porque não quero que ningém invada.
A porta que eu tranquei.
Não gosto que me leiam os pensamentos.
Que saibam quando ando à deriva.
Preciso ter histórias para contar.
Duma existência passada em solidão.
Dum mundo cruel sem limites.
Que me botaram para a vida.
Onde fui capaz de caminhar para a frente.
Um dia, talvez venha a entender.
Que precisei de sofrer várias provações.
E receber alguma recompensa.
É que nada acontece por acaso.
( Ou será que acontece? )
Fechamos a nossa alma definitivamente.
E bem no fundo da nossa alma.
Colocamos trancas e não abrimos mais.
Finjo não me aperceber da minha clausura.
Da passagem fechada à chave onde ninguém entra.
Daí ter que admitir isso.
Assim acabo, por me acomodar.
E não me abrindo para as pessoas que eu amo.
Porque não quero que ningém invada.
A porta que eu tranquei.
Não gosto que me leiam os pensamentos.
Que saibam quando ando à deriva.
Preciso ter histórias para contar.
Duma existência passada em solidão.
Dum mundo cruel sem limites.
Que me botaram para a vida.
Onde fui capaz de caminhar para a frente.
Um dia, talvez venha a entender.
Que precisei de sofrer várias provações.
E receber alguma recompensa.
É que nada acontece por acaso.
( Ou será que acontece? )
sexta-feira, maio 27, 2005
Deus
A palavra escrita tem um poder enorme e a maior parte das pessoas não faz sequer ideia da sua importância. É como um ritual a esta hora da noite estar sempre sózinha. Eu e Deus.
Onde minha alma não tem limites, e Deus dita suas palavras. Eu escrevo.
Posso criar uma visão do mundo como sendo um local fantástico para se viver, com os doentes a ser curados e os sem- abrigo a ser cuidados. Vejo a doença tornar-se uma coisa do passado e os hospitais transformados em blocos de apartamentos.Observo os presidiários a aprender como amar a si próprios e a ser libertados para uma vida de cidadania responsável.
Presencio as igrejas a retirar o pecado e a culpa das suas dontrinas. Admiro-me com os governos a ocupar-se verdadeiramente das pessoas.
Saio à rua e sinto a água límpida da chuva a cair.Quando a chuva pára, contemplo o magnífico arco-íris que irrompe das nuvens. Aprecio o brilho do sol e inspiro aquele ar fresco e puro. Vejo o brilho e os reflexos da água pura nos rios, nos riachos e nos lagos e atento na vegetação luxuriante, no arvoredo, nas florestas, nas flores, na fruta, nos legumes abundantes e disponíveis em toda a parte.. Deleito-me com as pessoas a curar as doenças, a doença transformada em memória apenas.
Estou neste instante a criar esse mundo, pelo simples facto de canalizar a minha mente para esta visão de um novo mundo. Eu sou poderosa. É importante e tem muito peso. Vivo esta visão. Saio das minhas limitações e faço tudo o que está ao meu alcance para tornar esta minha visão verdadeira. Que Deus nos abençoe. E assim é.
terça-feira, maio 24, 2005
NOITE
Eu caminharei na noite entre silêncio e frio.
Grandes noites escuras me cercam.
Grandes noites escuras me cercam.
Onde sózinha me vi agonizante perdida.
Percorro no vento que me humilha.
De grande solidão e de ecos vagabundos.
Ao lado dos meus passos caminharás.
Eu sigo a estrela que parou em cima.
Onde vejo teu rosto da cor que tem a cinza.
Em cima não vi mais nada que eu amava.
Onde não existe o brilho do sol nem da água.
Pedi às pedras do monte que falassem.
Mas como pedras se calaram.
E uma estrela serena nos cercou.
Para o país do amor nos guiava.
Do frio das montanhas eu pensei.
Minha humildade me cerca me rodeia.
E a pureza das estrelas cintilavam.
E minha solidão me pareceu coroa.
Onde eu vi chegar ao meu encontro.
O teu amor numa estrela iluminada.
Grandes brumas miragens nos mostraram.
Nos confíns desolados caminhamos.
E a estrela do ceu nos embalou.
Onde o silêncio e o medo.
O vulto das árvores, que crescem.
E abraçados caminhamos para as estrelas.
O que se passou depois. Eu não sei...
domingo, maio 22, 2005
A Luz
Olho bem fundo para o centro do meu coração. E penso ...Hoje estou doente, embora meu rosto o transmita, tento disfarçar com carinho, e descubro aquele pequenino ponto de luz brilhantemente colorida. É uma cor maravilhosa. Ela é o centro do meu amor e da minha energia que me dá luta para me curar. Contemplo a pulsação desse pequenino ponto de luz e nesse pulsar, como cresce e preenche o meu coração.Sinto essa luz expandir-se atravéz do meu corpo, desde a ponta dos cabelos à ponta dos pés e à ponta dos dedos das mãos.
O meu corpo reage com esta maravilhosa luz colorida. É o amor e a energia que cura. Entrego o meu corpo a esta vibração da luz. Digo para mim: A cada respiração sinto-me cada vez mais saudável.
Levo esta luz a cada pessoa que passa na minha vida, onde exista dor e sofrimento e que o meu amor, Luz e poder que cura, possa levar conforto a todos os que necessitam.Deixo-me penetrar no cosmos e tento suavizar os corações de todos para que sintam o amor incondicional.
Todos os dias , embora desiludida com o ser humano, guardo o momento para emitir amor e luz e a energia que cura para esse lugar específico no mundo. África do meu coração. Somos nós as pessoas. Somos nós as crianças. Nós somos o mundo e o futuro. Aquilo que damos, volta multiplicado para nós. E assim é.
Não existe força curadora mais poderosa que o amor. Todos os dias da minha vida, doente ou com saude, triste ou alegre...Abro-me ao amor. Vejo-me preenchida de uma forma criativa. Vivo em Deus, em paz e em segurança.
quarta-feira, maio 18, 2005
MILAGRE
Esta história tornou-se o que hoje é devido a duas pessoas muito especiais, e gostaria de agradecer por tudo o que fizeram. A Margarida Grossinho, e ao Calmeirão, a agente que me arrancou à obscuridade: obrigado pela amabilidade, paciência e pelas muitas horas e dias que gastaram em trabalhar no meu espírito, e encheram a minha vida com uma nova luz.
Ficarei grata para sempre por tudo e pelo carinho que ambos têm comigo. A Margarida, minha irmã , minha amiga, o meu revisor de todas as horas: Obrigado pela sabedoria, humor e bom coração. Tornaram esta narrativa, esta esperiência maravilhosa para mim . Escrever - E fico feliz por vos poder chamar meus amigos.
Quem sou eu? E como acabará esta história?
O Sol começou a desaparecer e sento-me junto a uma varanda que se embaciou com o bafo de uma careta minha. Estou triste meu filho Fábio está doente, o termómetro acusou 39 e eu fico desesperada. De noite caminhei no seu quarto, sua cabeça estalava e gemia, meu coração de mãe acelarado como um dragão de conto de fadas, eu tremia com um frio que vinha da minha alma.
A minha vida? Não é fácil de explicar. Não tem sido o percurso naturalmente esplêndido que eu imaginara um dia, mas penso que tenho sido contemplada por Deus. O amor dos meus filhos, e das pessoas que me amam. O tempo, felizmente, vai tornando as coisas mais fáceis. O caminho continua recto como sempre, mas o tempo se encarregou de juntar pedras e cascalho que se foram acumulando ao longo de uma vida.
Estava-se no princípio de Março de 1974, eu observava o Sol desvanecente a mergulhar a mais baixo a partir da varanda que circundava a casa ao estilo de plantação Africana. Gostava de me sentar ali nos fíns da tarde, Especialmente depois de trabalhar na terra onde semeava sebolinho , alface e muitas outras coisas, sem deixar os pensamentos deambular sem um prepósito consciente. Era assim que eu me descontraía, um truque que eu aprendera com o mestre.
Gostava especialmente de olhar as árvores e os seus reflexos no rio. As árvores em África são muito belas em pleno verão: verdes, amarelos, vermelhos, laranjas e todas as tonalidades intermédias. As cores assombrosas brilham com o Sol.
O crepúsculo passava, continuando muito quente, e agradável. Eu ficava a ouvir os grilos e o roçar das folhas, pensando que os sons da natureza eram música para os meus ouvidos.
Passo as mãos pelo meu cabelo e olho o relógio, 5h da tarde levanto-me, e olho mais uma vez as montanhas de Sintra. É estranho ...O poder que essas montanhas exercem sobre a minha pessoa, o mistícismo que cerca meu coração. Pensar nestas coisas faz-me sentir nas nuvens, sei que devo partir para o real, mas o milagre está sempre presente, e penso no que poderia ter acontecido, se tivesse ficado em África?
Raios, murmuro , o que é que estou aqui a fazer? não devia estar aqui. Vou para a cozinha, onde tenho um encontro com o jantar.
segunda-feira, maio 16, 2005
FILÓSOFA
Em casa, sou nomeada por filósofa. Mesmo a dormir recito filosofia. Poderia ficar chocada, ou admirada, mas preciso da minha filosofia para compreender os dois lados do ser humano...Compreender o meu espiríto, as minhas atítudes, os meus desvaneios.
Sei que existem pessoas que passam muito tempo a fantasiar, a imaginar que vivem num mundo completamente diferente, refugiando-se na sua própria fantasia como quem se abriga num jardim encantado e no qual está a salvo da dor. Fiz isso um dia quando perdi uma pessoa amada, minha irmã. A todo o momento eu a sentia por perto, falando-lhe e preenchendo a minha própria vida com a presença imaginária da figura dela, quaze enlouqueci.Talvez mesmo de uma forma mais intensa, me apercebi de quanto a amava. Refugiava-me no escuro, para saboriar a importância de certos permenores: de um gesto, de um sorriso, o tom de voz, os movimentos do corpo, a harmonia de estar junto- permitindo-me descobrir a importância do Paraíso Terrestre perdido.
Mas, pensei melhor no assunto, também aquelas fantasias consoladoras para mim eram como se fossem o futuro: estava sempre presente o futuro, o projecto. O diálogo com a minha irmã que eu amava, e desapareceu, para mim foi a antecipação de um novo encontro com a vida. A recordação , e o sonho de amor oculto, era a esperança de um dia poder encontrá-la. Porém, destingui as pessoas em quem prevalece o retiro do mundo, daquelas mais propensas à acção.
Hoje eu penso...Existirá na verdade uma grande diferença entre pensar e sonhar acordado? Em certos casos sim! Vejo e sinto que existem sonhos de evasão mesmo quando estou acordada , com as quais evito fazer frente à realidade para evitar sofrer. Mas existem outros em que a fantasia é um instrumento do pensamento e da planificação. O que fazer quando enfrento um problema, quando planeio uma acção? Imagino situações possíveis, situações futuras que desejo atingir, e exploro com o pensamento e a minha filosofia de vida os caminhos para conseguir chegar-lhes.. Se não tivésse a esperança de alcançar a meta, não começaria sequer a procura.
Eu penso no possível, na minha filosofia na esperança dum mundo melhor. A esperança é o alicerce do pensamento, da justiça , da razão , do amor.
Acreditem que tudo vale a pena. O valor conta por si próprio. É uma meta que merece ser perseguida, mesmo quando sabemos que , pessoalmente, não teremos êxito. Porque não diz respeito apenas a nós, mas sim a muitos outros.
segunda-feira, maio 09, 2005
Minha Mãe
Tomei nas minhas mãos a sombra escura.
E embalei teu rosto no silêncio nos meus braços.
Na minha ilusão estás viva.
A minha ânsia carregada de impossível.
Contra tuas formas perfeitas do invisível.
Enquanto olho as estrelas e a água a cair.
Murmuro as palavras num gesto dum impulso.
procuro-te docemente a sonhar entre flores.
Calaram-se os meus sonhos perdidos.
Entre caminhos num ir lento.
Onde oiço o teu livre e luminoso chamamento.
Tua voz se quebra e sobe onde o vento corre.
Onde encontro tuas mãos onde a terra é escura.
Não resignada olho as leis de Deus.
Onde momentos de amor e saudade.
Serás sempre um milagre criado só para mim.
Minha mãe. Minha mãe.
E embalei teu rosto no silêncio nos meus braços.
Na minha ilusão estás viva.
A minha ânsia carregada de impossível.
Contra tuas formas perfeitas do invisível.
Enquanto olho as estrelas e a água a cair.
Murmuro as palavras num gesto dum impulso.
procuro-te docemente a sonhar entre flores.
Onde te encontras distante e inatingível.
Onde a noite é solitária e pura.Calaram-se os meus sonhos perdidos.
Entre caminhos num ir lento.
Onde oiço o teu livre e luminoso chamamento.
Tua voz se quebra e sobe onde o vento corre.
Onde encontro tuas mãos onde a terra é escura.
Não resignada olho as leis de Deus.
Tentando obedecer aos princípios da execusão.
Onde minha súplica prevista na lei.Onde momentos de amor e saudade.
Serás sempre um milagre criado só para mim.
Onde minha súplica murmura baixinho.
Minha mãe. Minha mãe.
sábado, maio 07, 2005
Saber amar
Hoje , alguem me perguntou se eu não era meio criança!...Dentro de nós estará sempre a criança. Poderia ofender-me, mas meditei no assunto. Não podemos amar e aceitar-nos uns aos outros enquanto não amarmos e aceitarmos a criança perdida dentro de nós. Que idade tem essa criança perdida? Três, quatro , cinco? Normalmente, a criança tem menos de cinco anos, porque é por essa altura, por uma questão de sobrevivência, que a criança se desliga. O amor é a maior borracha que eu conheço. O amor apaga as memórias mais profundas e as mais dolorosas, na falta dele, seremos perseguidos para o resto da vida. O amor consegue ir mais fundo que tudo o mais.Aceito ser criança, mas também sei que vivo rodeada de pessoas que se julga adulta e não aceita a criança que há em si, como poderá compreender esse facto em si, ou nos outros. Se as minhas imagens do passado são tão fortes e continuo a pensar" A culpa foi toda deles", então estou bloqueada. O que quero? Uma vida de dor ou de alegria? A escolha e o poder está dentro de mim. Olho para os meus olhos e sinto amor por mim e pela criança dentro de mim. Essa criança existe sim...Ela me transmite amor e pureza todos os dias. Não importa como tenha sido a minha infância, a melhor ou a pior, eu, e apenas eu, sou responsável pela minha vida agora.
dentro de nós existe também um adolescente. Temos que desejar as boas vindas ao adolescente. Estas são...As nossas múltiplas partes. Há que saber ser feliz com elas...Resolver esses tempos e tranformá-los em bons momentos, para quando a meio da noite a criança que está em nós se sentir só ou tiver medo, ter alguém para abraçar.
quinta-feira, maio 05, 2005
Amigo
Quando estamos num grande perigo, quando estamos a enfrentar uma crise, um amigo não chega ao pé de nós e diz-nos, dá-me isto, dá-me aquilo. Não vem para exigir um direito seu. Não vem para se auto-elogiar, para nos pedir um emprego. Não nos põe condições, não faz intrigas contra nós para daí tirar vantagens, não nos faz qualquer tipo de chantagens. No momento em que enfrentamos uma crise e estamos em perigo, um amigo verdadeiro pergunta-nos apenas do que precisamos, como é que ele pode ser-nos útil, o que pode fazer por nós.. Procura compreender o nosso problema para melhor encontrar solução. Melhor, do nosso ponto de vista, não do seu.
porque nas sítuações de crise, de perigo, estamos enfraquecidos, frágeis, duvidosos. Temos uma necessidade absoluta de pessoas em quem confiar, com que possamos contar. De pessoas que intervenham no momento em que nós não o podemos fazer, que nos defendam nos pontos em que nós estamos mais debilitados, que não desapareçam nos momentos cruciais. A amizade é um sentimento moral.
A catástrofe mais grave da amizade é a traição. Apercebermo-nos que a pessoa com que contávamos cegamente, mentiu, acusou-nos injustamente, é como se um abismo se abrisse repentinamente por debaixo dos nossos pés. A traição é vivida como terror, uma total insegurança de existir como ser humano. Se o amigo nos trai, em quem é que posso confiar.
A amizade, ou até o amor tem que ser tolerante e suave, mas moralmente exigente. Enquanto podemos ficar apaixonados por alguém que nos maltrata, que se comporta connosco injustamente, só podemos ser amigos de quem nos trata com afecto, honestidade e justiça. Se o amigo nos engana ou abandona no momento de necessidade, o amor e a amizade rompe-se e nunca mais recupera. Podemos até perdoar-lhe, mas o amor e a amizade acabou.
porque nas sítuações de crise, de perigo, estamos enfraquecidos, frágeis, duvidosos. Temos uma necessidade absoluta de pessoas em quem confiar, com que possamos contar. De pessoas que intervenham no momento em que nós não o podemos fazer, que nos defendam nos pontos em que nós estamos mais debilitados, que não desapareçam nos momentos cruciais. A amizade é um sentimento moral.
A catástrofe mais grave da amizade é a traição. Apercebermo-nos que a pessoa com que contávamos cegamente, mentiu, acusou-nos injustamente, é como se um abismo se abrisse repentinamente por debaixo dos nossos pés. A traição é vivida como terror, uma total insegurança de existir como ser humano. Se o amigo nos trai, em quem é que posso confiar.
A amizade, ou até o amor tem que ser tolerante e suave, mas moralmente exigente. Enquanto podemos ficar apaixonados por alguém que nos maltrata, que se comporta connosco injustamente, só podemos ser amigos de quem nos trata com afecto, honestidade e justiça. Se o amigo nos engana ou abandona no momento de necessidade, o amor e a amizade rompe-se e nunca mais recupera. Podemos até perdoar-lhe, mas o amor e a amizade acabou.
quarta-feira, maio 04, 2005
Desânimo
Resposta a Livia Viera
Na vida temos constantes motivos de desânimo. Poucas são as vezes em que tudo acontece como queremos.É evidente que ficamos felizes quando passamos num exame, quando fazemos um bom negócio, quando somos correspondidos no amor, quando encontramos amigos que nos são queridos. Mas, ao lado destas situações agradáveis, existem muitíssimas outras desagradáveis, tristes. Os insucessos profíssionais, a maldade dos colegas ou dos superiores, a ingratidão dos que foram beneficiados, as doenças, as traições dos amigos ou de quem amamos. Não é fácil suportar estes golpes quando eles, em conjunto, se abatem sobre nós. Primeiramente lutamos, debatemo-nos, protestamos, esgotamos todos os nossos recursos de confiança, de optimismo. Em seguida, qualquer coisa dentro de nós sucumbe e tornamo-nos presa fácil do desânimo.
O desãnimo é um grau mais ligeiro do desespero. Não perdemos toda a confiança, toda a esperança, mas ficamos abatidos, tristes, cansados de lutar. Desejamos parar, abandonar-nos a um canto qualquer, não pensar em mais nada.
O desânimo é uma solução perigosa porque nos empurra para a inactividade, para o abandono, e deixa-nos desarmados diante das adversidades.
Às vezes o desânimo força-nos a tomar consciência de uma realidade que teríamos preferido ignorar. Leva-nos a procurar um equilíbrio diferente, um modo de vida alternativo. A nossa vida é feita de buscas que se vão alargando.Não somos apenas os nossos êxitos amorosos, ou profissionais. Somos sempre mais do que aquilo que fizemos e fazemos. Nós somos dominados pela nossa sofreguidão de bens, pelo nosso egoismo, pela nossa vaidade. Se a frustação, a derrota e a dor nos ajudam a libertar deles, então, isso não consttitui uma perda, mas sim um ganho. se conseguirmos desapegar-nos dos bens, se conseguimos superar a amargura da renúncia, se passamos a ser capazes de agir, não em favor de nós próprios, mas dos outros, tornamo-nos mais livres.
devemos, por conseguinte, considerar o desânimo como um momento de pausa antes da cura, um momento de reflexão para corrigir os nossos erros, uma ajuda para renunciar algumas das nossas pretensões e para aprender a fazer apenas aquilo que é essencial, o que, a título de conclusão, faz dele um novo ponto de partida.
O domínio da própria ansiedade é uma qualidade essencial do professor. Ai dele se fizer transparecer a sua ansiedade, o seu receio: os alunos entram em pãnico e tudo o que querem aprender vai contra os rochedos. Como boa mestra não deixes que isso aconteça, as consequência são sempre negativas.
sexta-feira, abril 29, 2005
EXTREMOS
Hoje, sinto um conflito interior entre dois extremos. Quero deixar passar algumas lágrimas para me sentir melhor, simplesmente não saem. Assim que as recordações ameaçam invadir-me, mobilizo todas as minhas forças para as apagar, para as impedir de passar.Tenho de desenvolver um método artesanal para me livrar delas: respirar profundamente desde o estômago e concentrar-me apenas na respiração. Deixo que as imagens apareçam. Enquadro-as, desfazendo-me do que se mexe à volta delas. Pisco os olhos até as tornar desfocadas. Depois, fixo uma delas. Olho para ela durante muito tempo até que a imagem se imobiliza. Não vejo outra coisa senão essa imagem. Respiro profundamente pensando que o que estou a ver não passa de uma imagem que tem de desaparecer. Com o pensamento, introduzo outra pessoa no meu lugar. Tenho de me convencer que não tenho nada a ver com aquela imagem. Repito várias vezes: esta recordação não me pertence. Trata-se de um erro . Não tenho passado, portanto não tenho memória. Os meus sonhos são férteis. Visitam-me amiúde. Passam uma parte da noite comigo, depois desaparecem e deixam no fundo da minha memória restos da vida diurna.
Não sonhava com a libertação, nem com o tempo anterior a ter sido enclausurada. Sonhava com um tempo ideal, um tempo suspenso entre os ramos de uma árvore celeste. Se no medo é a criança em nós que acorda, neste caso era a doida e o sábio em mim que se debatiam arduamente para ver quem me levaria até mais longe de mim mesma. E eu, impassível, assistia com um sorriso nos lábios a esse conflito entre dois extremos.
No outro dia enquanto dormia gritei, minha cabeça pesava, não conseguia perceber se dormia ou sonhava. Acordei, senti-me enlouquecer, falo baixinho para não adormecer. Por vezes sinto frio e dores horríveis nas minhas artículações ficam todas bloqueadas, o medo apodera-se de mim. Os monstros não me deixam.
Nessa noite não consegui dormir. Embrulhei-me no lençol que me protegia e tapei a cabeça com medo do escuro. No dia seguinte, meio tonta fui para o trabalho e fiz o que precisava para lutar contra os fantasmas.
Antes de ir para a cama medito, percebo que há véus que caem uns a seguir aos outros até as trevas se tornarem menos opacas, até se poder entrever um pequeno raio de luz. Talvez seja invenção minha, fruto da minha imaginação. Mas convenço-me daquilo que vejo. O silêncio é uma via, um caminho para voltar a mim. Eu sou silêncio. A minha repiração, o bater do meu coração passam a ser silêncio.A minha nudez interior é o meu segredo. Não tenho necessidade de a exibir nem de a celebrar na solidão, que por vezes cheira a mofo.
Depois de algum tempo de grande lucidez, volto a cair no moinho que roda ao ralenti
Não sonhava com a libertação, nem com o tempo anterior a ter sido enclausurada. Sonhava com um tempo ideal, um tempo suspenso entre os ramos de uma árvore celeste. Se no medo é a criança em nós que acorda, neste caso era a doida e o sábio em mim que se debatiam arduamente para ver quem me levaria até mais longe de mim mesma. E eu, impassível, assistia com um sorriso nos lábios a esse conflito entre dois extremos.
No outro dia enquanto dormia gritei, minha cabeça pesava, não conseguia perceber se dormia ou sonhava. Acordei, senti-me enlouquecer, falo baixinho para não adormecer. Por vezes sinto frio e dores horríveis nas minhas artículações ficam todas bloqueadas, o medo apodera-se de mim. Os monstros não me deixam.
Nessa noite não consegui dormir. Embrulhei-me no lençol que me protegia e tapei a cabeça com medo do escuro. No dia seguinte, meio tonta fui para o trabalho e fiz o que precisava para lutar contra os fantasmas.
Antes de ir para a cama medito, percebo que há véus que caem uns a seguir aos outros até as trevas se tornarem menos opacas, até se poder entrever um pequeno raio de luz. Talvez seja invenção minha, fruto da minha imaginação. Mas convenço-me daquilo que vejo. O silêncio é uma via, um caminho para voltar a mim. Eu sou silêncio. A minha repiração, o bater do meu coração passam a ser silêncio.A minha nudez interior é o meu segredo. Não tenho necessidade de a exibir nem de a celebrar na solidão, que por vezes cheira a mofo.
Depois de algum tempo de grande lucidez, volto a cair no moinho que roda ao ralenti
quarta-feira, abril 27, 2005
FOTOS
Enquanto olho para um monte de fotografias que estão dentro duma caixa que eu guardo religiosamente eu penso: quantas daquelas pessoas já tinham falecido, tinham tido algumas experiências afectivas comigo. Pouquíssimas. Talvez uma ou duas. Mesmo assim, a maioria continuava na caixa como um ritual de lealdade. Lealdade é um dos sentimentos mais nobres do mundo.Enquanto escrevo penso nelas todas. Uma vez por outra, vou para a frente do computador, olho para o mar desconhecido da minha alma, vejo que dentro de mim existem duas ilhas - ideias que se desenvolveram e estão prontas para ser exploradas. Então, agarro no meu barco - chamado Palavra - e resolvo navegar para aquela que está mais próxima. No caminho, defronto-me com correntes, ventos tempestades, mas continuo a remar, exausta, agora já consciente que fui afastada da minha rota: a ilha que eu queria chegar deixou de estar no meu horizonte.
Mesmo assim, não posso voltar atrás; tenho de continuar de qualquer maneira ou ficarei perdida no meio do oceano - neste momento, passa-me pela cabeça uma série de cenas aterrorizantes, como passar o resto da minha vida a ver as fotografias já meio debotadas pelo tempo, e criticar-me amargamente se as rasgar.
Movida por estes pensamentos para mim assustadores, descubro uma força e uma coragem que desconhecia existir: elas ajudam-me a aventurar-me e rasgar algumas delas e entrar pelo lado desconhecido da minha alma, deixo-me levar pela corrente e acabo por ancorar o meu barco na ilha para onde fui conduzida. Passo tempos infinitos a descrever o que vejo, perguntando-me porque estou agir assim, dizendo a cada instante que não vale a pena a minha lealdade, que não tenho que provar nada a ninguém, que tinha de conseguir tirar aquelas fotos da minha vida, ter paz. aquela que eu sonhava, poder dormir.
A partir daí, deixo de ser a mulher perdida na tempestade: encontro-me comigo mesma. Em raros momentos, como este que está prestes a acontecer daqui a pouco, consigo olhar algumas das fotos, e olhar as pessoas nos olhos, e compreender que já não fazem parte da minha vida, e tentar perceber que também a minha alma não está só.
Tenho coragem.
Não, tenho medo. mas não tenho escolha
domingo, abril 24, 2005
O acomodador
O acomodador: Existe sempre um acontecimento nas nossas vidas que é responsável pelo facto de termos parado de progredir.Um trauma, uma derrota especialmente amarga, uma desilusão amorosa, até mesmo uma vitória que não entendemos bem, acaba por fazer com que nos acobardemos e não sigamos em frente. O feiticeiro, no processo de crescimento dos seus poderes ocultos, tem de se livrar primeiro deste" ponto acomodador", e para isso tem de rever a sua vida e descobrir onde está.
Nas últimas décadas, a expectativa quanto ao casamento como o caminho para a realização pessoal cresceu muito.A decepção e a insatisfação cresceram simultaneamente.
A ideia de que o amor leva à felicidade é uma invenção moderna, do final do século XVII. A partir daí, aprendemos acreditar que o amor deve durar para sempre e que o casamento é o melhor lugar para o exercer. No passado, não havia tanto optimismo quanto à longevidade da paixão. Romeu e Julieta não é uma história feliz; é uma tragédia. O acomodador! Isso combina com a minha aprendizagem de pintura - o único desporto que me atrai.
Nas últimas décadas, a expectativa quanto ao casamento como o caminho para a realização pessoal cresceu muito.A decepção e a insatisfação cresceram simultaneamente.
A ideia de que o amor leva à felicidade é uma invenção moderna, do final do século XVII. A partir daí, aprendemos acreditar que o amor deve durar para sempre e que o casamento é o melhor lugar para o exercer. No passado, não havia tanto optimismo quanto à longevidade da paixão. Romeu e Julieta não é uma história feliz; é uma tragédia. O acomodador! Isso combina com a minha aprendizagem de pintura - o único desporto que me atrai.
Vale a pena continuar a debruçar-me sobre este tema. E continuarei, mesmo sabendo que a minha alma, embora seja eterna, está neste momento presa na teia do tempo, com as suas oportunidades e limitações. tentarei enquanto for possível libertar-me desta teia, e estarei pronta para retomar o combate se as condições voltarem a ser favoráveis. Ao ver as mudanças nos outros , ganhei determinação, aprendi muito e quero continuar a aprender. Não quero ser. O acomodador.
Tive que começar a entender que o sabor das coisas conquistadas, é o mel mais doce que podemos experimentar.
sábado, abril 23, 2005
CREPÚSCULO
O crepúsculo passou, continua frio, mas agradável. Eu abro a varanda olho o céu e sinto-me tocar nas estrelas, oiço os grilos na noite. Na noite os sons da natureza são mais reais e me suscitam muitas emoções, do que objectos como carros e aviões. As coisas da natureza dão mais do que tiram e os seus sons levam-me sempre de volta para aquilo que é suposto ser real. Havia alturas, em África, depois de uma noite mal dormida, em que pensava muitas vezes nestes sons simples.Impedia-me de ficar louca.Para mim era a música de Deus, que me trazia á realidade.
E às vezes, como agora nos momentos imediatamente anteriores à chegada do sono, pergunto-me se estarei destinada a ficar para sempre só. E digo baixinho. Esta é a tua hora, o teu voo livre adentro do indizível, longe dos livros, da arte, do dia apagado, as lições feitas. Emerges e avanças totalmente, silenciosa, observando, ponderando nos temas que mais gostas. A noite, o sono, a morte e as estrelas. Fecho os olhos - sussurro, ponho as mãos no rosto e oiço o vento, enquanto ele se dirige para longe das montanhas.
Vagueio a noite toda na minha visão,...Inclino-me de olhos abertos sobre os olhos cerrados dos que dormem.
Vagueando confusa, perdida para mim, desamparada, contraditória. esperando, olhando, inclinando-me, e parando para que o sono me leve. sorrio - Faz-me ter menos medo - Sim confirmo.
E às vezes, como agora nos momentos imediatamente anteriores à chegada do sono, pergunto-me se estarei destinada a ficar para sempre só. E digo baixinho. Esta é a tua hora, o teu voo livre adentro do indizível, longe dos livros, da arte, do dia apagado, as lições feitas. Emerges e avanças totalmente, silenciosa, observando, ponderando nos temas que mais gostas. A noite, o sono, a morte e as estrelas. Fecho os olhos - sussurro, ponho as mãos no rosto e oiço o vento, enquanto ele se dirige para longe das montanhas.
Vagueio a noite toda na minha visão,...Inclino-me de olhos abertos sobre os olhos cerrados dos que dormem.
Vagueando confusa, perdida para mim, desamparada, contraditória. esperando, olhando, inclinando-me, e parando para que o sono me leve. sorrio - Faz-me ter menos medo - Sim confirmo.
sexta-feira, abril 22, 2005
QUANTAS VEZES
Ouantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos. Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça. Quantas vezes sentimos solidão mesmo cercados de pessoas. Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade sem ter com quem dividir. Quantas vezes falamos, sem sermos notados .Quantas vezes lutamos por uma causa perdida. Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota. Quantas vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora que precisa-mos parecer fortes. Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força , um pouco de luz. E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete um gesto de amor. E a gente insiste. Insiste em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser. E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho, aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito. E a gente insiste em seguir, por ter uma missão. E ser feliz.
A felicidade não é uma pousada no caminho...Senão uma forma de caminhar durante a vida.
Não importa se teremos tempo suficiente para ver mudadas as coisas e pessoas pelas quais lutamos, mas sim , que façamos a nossa parte, de modo que tudo se transforme a seu tempo.
Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sózinho, porque cada pessoa é única e nenhuma a substitui outra.
Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sózinha, mas não vai sózinha e nem nos deixará só, porque leva um pouco de nós, e deixa um pouco de si.
Há os que levam muito e deixam pouco, há os que levam pouco e deixam muito.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que não nos encontramos por acaso.
A felicidade não é uma pousada no caminho...Senão uma forma de caminhar durante a vida.
Não importa se teremos tempo suficiente para ver mudadas as coisas e pessoas pelas quais lutamos, mas sim , que façamos a nossa parte, de modo que tudo se transforme a seu tempo.
Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sózinho, porque cada pessoa é única e nenhuma a substitui outra.
Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sózinha, mas não vai sózinha e nem nos deixará só, porque leva um pouco de nós, e deixa um pouco de si.
Há os que levam muito e deixam pouco, há os que levam pouco e deixam muito.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que não nos encontramos por acaso.
quinta-feira, abril 14, 2005
ANSIEDADE
Meus sonhos caminharam no tempo e com a brisa.
Nos passeados campos da minha juventude.
Eles poisaram a sua mão sobre meus ombros.
E foram parte do tempo ansiado.
Trago Deus em mim e o mundo procuro.
Onde cravo um nome no espaço infinito.
Nos passeados campos da minha juventude.
Eles poisaram a sua mão sobre meus ombros.
E foram parte do tempo ansiado.
Trago Deus em mim e o mundo procuro.
Onde cravo um nome no espaço infinito.
Sabendo que o real se mostrará.
Pois nenhum outro senão o mundo tenho.
Na secreta nostalgia de um poema.
Trespassada de emoção e de segredo.
terça-feira, abril 12, 2005
AUSÊNCIA
Dizia para comigo:
Enquanto, olhava as águas profundas do pontão. Açores.
Enquanto, olhava as águas profundas do pontão. Açores.
Pensava...A fé não é o medo. O suicídio não é uma solução. A provação é um desafio. A resistência é um dever e não uma obrigação: Conservar a dignidade o amor que eu sinto no meu peito, quaze consegue mover as águas do mar. Essa é a minha missão. Permanecer de pé, ser uma mulher, que ama, chora, ri, sofre com o mundo, mas serei sempre uma mulher, nunca um trapo, um farrapo ou um erro.. Não condenarei nunca aqueles, que me abandonaram em combate, que queriam que eu cede-se à tortura e que me deixa-se morrer. Aprendi nunca julgar as pessoas. Com que direito o faria? Não passo duma mulher como as demais, com vontade de não ceder. De onde vem esta vontade? De muito longe. Da minha infância.Da minha mãe que o seu único pecado foi amar demais os seus filhos. A minha mãe não esperava nada do meu pai, um bom vivant, um monstro egoista, um dandy que se esquecera que tinha família e que gastava todo o dinheiro com mulheres. Porque ele nunca me amou. Porquê? Infelizmente, demorei anos a compreênder, quando me destaparam os olhos só vi escuridão. E pensei que agora, estava numa prisão concebida por mim, onde estarei sempre às escuras. Sei que sou uma obsecada com uma coisa: O tempo. Um número 20587.
O tempo é o relógio e a minha ligação à vida deixada para trás ou por cima da minha cabeça.
Aquela luz, vinda do céu, é um sinal de Deus, da sua bondade. Senti-me calma, em paz e pronta para voltar a caminhar. Abri a carteira, precisava de me ver ao espelho, a chuva e o vento deixou marcas no meu rosto. Vendo meu rosto no espelho, meus olhos brilhavam. Eram talvez lágrimas ou talvez o sentimento que me enchia o peito.. Durante todo o trajecto reinou um silêncio pesado. Tentei manter a cabeça baixa. Acho que estava a chorar.
Quanto mais avanço, mais confiante me torno. Rezo, falo com Deus, sonho comigo em criança, e às vezes deixo meu corpo e observo-me com uma espectadora. Confesso que é muito difícil atingir esse estado, essa serenidade. Também lembro foi isso que minha mãe me ensinou. Lembro quando o pai a magoava gastando todo o dinheiro para as despesas da casa, ela renunciava a tudo, sem dizer a mais pequena maldade sobre esse homem, ensinava-nos a sermos responsáveis por nós mesmos. As fúrias dele, as injustiças, sempre me atingiam. Sempre admirei a mãe por nunca perder o sangue frio. A única altura em que perdia a cabeça era quando eu me escondia debaixo das camas. Depois de me bater com o chinelo dizia: Vocês são todos meus filhos, mas tu és a minha doninha. A minha menina, és os meus olhos, a minha respiração. Durante anos, ia fechar-me dentro do armário onde estava pendurados alguns dos seus vestidos. Ali, podia sentir o seu perfume, que vinha da sua roupa.
Enquanto caminho, falo com minha mãe, hoje olhei o mar e não encontrei teu rosto nas águas. Aos poucos vais mudando de sítios, só não sais do meu coração. Mas chegou a hora de te dizer Adeus! Adeus.
Chegara a hora. Tinha que tentar esquecer seu rosto, deixar de viver a sua vida, libertar-me.
Deixar a execução sumária ou sessões infinitas de tortura, ser eu...Viver para as pessoas que eu amo.
Caminho, e limpo as lágrimas e digo para mim mesma - Ajuda-me, mãe, ajuda-me a lembrar-me quem sou. Ou pelo menos quem era. Sinto-me tão perdida. Olho as águas oiço uma vóz dentro de mim - Tu és a minha menina, uma amante da vida, uma força para aqueles que partilham da tua amizade. És uma criadora de felicidade, uma artista que amou e ajudou dezenas de almas. Viveste uma vida cheia e nunca nada te faltou porque as tuas necessidades são espírituais e só tens de olhar par dentro de ti. És bondosa e leal e és capaz de ver beleza onde os outros não vêem. És uma professora de maravilhosas lições, uma sonhadora de coisas melhores. Paro por momento e retomo o fôlego. Depois: - Luisa, não há motivo para te sentires perdida, porque:
Nada está de facto perdido, nem pode ser perdido.
Nascimento, Identidade, forma. As cinzas que não ficaram de fogos anteriores...Devidamente não se inflamarão outra vez.
No silêncio, dos meus passos, olho o mar e vejo que a chuva já parou. O sol começa a filtrar-se dentro do meu coração, e fui para o hotel.
Ao relatar este dia; Pergunto: Se fui eu que escrevi isto? Não. Foi a minha alma.
Sou apenas...Uma amante de palavras, uma modeladora de pensamentos.
sexta-feira, abril 01, 2005
MEU SELF
Não , eu nunca iria esquecer.
Mas eu não me preparara para tudo aquilo. Depois de visitar boa parte do vale, e sem querer perder qualquer detalhe do espectáculo do pôr do sol, decidi subir sózinha a encosta da serra de Sintra. Sem pensar nas difículdades - caminhar nas regiões muito altas exige esforço ainda maior - enfrentei a subida íngreme. Em meia hora venci a escalada, o coração a saltar-me pela boca. Lá em cima, bem perto da borda sentei-me sobre uma grande pedra e esperei que o fôlego voltasse. No chão, juntei os pés, olhei o céu pareceu-me um cristal transparente e brilhante atraiu o meu olhar. Pensei. Como eu ali em cima era livre, e podia procurar o meu self, e tive consciência de que com aquele acto incorporava a própria natureza.
Uma emoção inesplicável tomou-me quando me senti imersa na própria substância móvel daquela borboleta cósmica. E, num sobressalto, reconheci a presença: era a minha mãe, vinha dos ventos para me acariciar.Quando ouvi então uma voz falar dentro de mim: Sim, sou tua mãe. Sou a voz do vento e vim dizer-te que és a minha menina e eu estarei onde estiveres, e sempre te vou proteger.O vento não sabe de onde venho e nem para onde vou. Não procures tantos signifícados e explicações, não formules tantas perguntas. Apenas ama as pessoas por mim. Ama o mundo, e dança no vento , solta teu espírito confia em mim. Tu foste feita para voar, não para te manterem prisioneira. Tu és feita para dançar no ar, como danças nos teus sonhos. Não talvez com esse teu corpo de menina, mas certamente com os teus outros corpos. Irás dançar como corpo das tuas emoções, do teu sentir e do teu pensar. Irás dançar com o corpo da tua alma. Basta deixar rolar, deixar rolar o teu amor.
Mas eu não me preparara para tudo aquilo. Depois de visitar boa parte do vale, e sem querer perder qualquer detalhe do espectáculo do pôr do sol, decidi subir sózinha a encosta da serra de Sintra. Sem pensar nas difículdades - caminhar nas regiões muito altas exige esforço ainda maior - enfrentei a subida íngreme. Em meia hora venci a escalada, o coração a saltar-me pela boca. Lá em cima, bem perto da borda sentei-me sobre uma grande pedra e esperei que o fôlego voltasse. No chão, juntei os pés, olhei o céu pareceu-me um cristal transparente e brilhante atraiu o meu olhar. Pensei. Como eu ali em cima era livre, e podia procurar o meu self, e tive consciência de que com aquele acto incorporava a própria natureza.
Uma emoção inesplicável tomou-me quando me senti imersa na própria substância móvel daquela borboleta cósmica. E, num sobressalto, reconheci a presença: era a minha mãe, vinha dos ventos para me acariciar.Quando ouvi então uma voz falar dentro de mim: Sim, sou tua mãe. Sou a voz do vento e vim dizer-te que és a minha menina e eu estarei onde estiveres, e sempre te vou proteger.O vento não sabe de onde venho e nem para onde vou. Não procures tantos signifícados e explicações, não formules tantas perguntas. Apenas ama as pessoas por mim. Ama o mundo, e dança no vento , solta teu espírito confia em mim. Tu foste feita para voar, não para te manterem prisioneira. Tu és feita para dançar no ar, como danças nos teus sonhos. Não talvez com esse teu corpo de menina, mas certamente com os teus outros corpos. Irás dançar como corpo das tuas emoções, do teu sentir e do teu pensar. Irás dançar com o corpo da tua alma. Basta deixar rolar, deixar rolar o teu amor.
A visão desfez-se. Abri os olhos. O vento cessou e a noite caíra sobre o vale de Sintra. Tudo estava em paz quando desci a encosta em direcção aos meus filhos que me esperavam lá em baixo. Não sei quanto tempo fiquei lá em cima parada, absorta, vivendo a mesma indestrutível magia.
Foi essa providência que me permitiu experimentar, com o tempo e tranquilidade, a forte vibração que emana daquelas paisagens. E reflecti sobre o signifícado daquela magia.
Até hoje não sei bem por qual razão Sintra despertou em mim uma afeição tão especial por todos os seres humanos.. A humildade inundou meu coração e meditei sobre o segredo e magia daquele dia.
quinta-feira, março 31, 2005
LIMITAÇÔES
Em tempos decidi que queria viver de acordo com a minha fílosofia, não podia funcionar nos velhos conceitos mentais . Eu acredito que no fim tudo contribui para o melhor. Minha vida não tinha sentido, era raro o dia que eu não chora-se, sempre preocupada com aquilo que não disse. quando estamos no meio do turbilhão é muito difícil ver as coisas tão friamente, recordo constantemente experiências negativas por que eu tenha passado. Faço agora uma retrospectiva e vejo como o mundo foi cruel comigo. Encontrei pessoas boas, é nelas que penso todos os dias com carinho, amizade e gratidão. Cada um de nós está totalmente ligado ao Universo e á vida. O poder está dentro de nós para expandir os horizontes da nossa consciência. Gosto de escrever minha mão desliza como por magia, agora quero espandir-me ainda um pouco mais, quero percorrer o caminho que Deus me destinou, e sentir-me segura e salva nas minhas próprias limitações.Consigo recordar as pessoas que no início da minha vida me ajudaram muitissimo, numa altura em que eu não tinha maneira de retríbuir. Anos mais tarde também eu tive a oportunidade de ajudar outras pessoas sem estar à espera da retribuição. Muitos dos nossos problemas partem precisamente da nossa incapacidade para receber, sabemos dar, mas é tão difícil receber.Viemos ao mundo para amarmos a nós próprios e ao próximo. Ao proceder deste modo , encontro as respostas para a minha cura e a cura do planeta. As coisas são o que são. Todos nós somos viajantes numa caminhada sem fím atravéz da eternidade, e voltamos cá, vida após vida. Eu acredito que aquilo que não resolvemos nesta vida, voltamos cá na vida seguinte para o resolver. Penso por mais espirítual que uma pessoa seja, de vez em quando é preciso lavar a loiça. Não podemos empilhar pratos no lava-loiça e dizer " lavem-se porque eu sou metafísico". O mesmo se passa com os nossos sentimentos. Um dia escreverei para todo o mundo ler, e poder compreender como podemos ter uma mente que pode fluir livremente, e então saberemos lavar a loiça suja que se empilhou dentro de nós.
Preciso de subir ao castelo de Sintra, que sempre esteve ali, e nunca tive a curiosidade de vê-lo de perto. Preciso de conversar com a mulher que há muitos anos entra nos meus sonhos, de rosto tapado com um lenço. Muitas vezes entra nos meus sonhos, e eu nunca lhe pedi para tirar o lenço, e ver seu rosto, ou talvez, justamente por isso, fosse bom dividir com ela a minha história. Poder conversar com ela, e perguntar se ela me ama, que as visões do Paraíso e de seu amor me perseguem no meu dormir inconstante, e obriga-me a refugiar-me num outro mundo. Todos os dias da minha vida, vivo uma realidade separada. Rio, quando tenho vontade de chorar. E já pouco choro, minha fonte secou, mas quando o faço, dou graças a Deus. E graças a isso, ainda sou capaz de saber o que se passa á minha volta. Durante anos permaneci dentro de mim - Deixei de me envergonhar, deixei de ter ambições, mas as visões não me largam, e permanecem para onde eu vá. Nos momentos da minha meditação, vejo o mundo e as pessoas a meu redor, Deus está em cada uma delas. Está dentro de mim.
Da mesma maneira que tenho a absoluta certeza, que a imagem que me persegue no meu dormir, tem a minha ternura e o meu amor. Penso que é uma maneira de retribuir todo o amor, que Deus e as pessoas me dão todos os dias.
É apenas um sonho louco. Nunca passará à realidade.
quarta-feira, março 23, 2005
CONTRATEMPOS
De: Marta
Para : Luisa
Teus olhos são ternura, são cor de mel.
Tu és um poema que todos querem ler.
És suave com as pétalas desabrochando em plena primavera.
Teu coração é um vulcão em chama.
E todos por ti clamão.
Este meu poema pode não rimar.
Mas é a ti que eu quero dar.
Para te poder dizer que...
Na vida há contratempos.
Contratempos que não nos deixam viver.
Mas para vivermos só temos que os esquecer.
A vida pode não assim ser.
Mas é assim que a tens de ver.
Só assim mais feliz irás ser.
Amadora, 22 de Março de 2005
Luisa juntas te dedicamos este poema.
Inêz e Marta
Para : Luisa
Teus olhos são ternura, são cor de mel.
Tu és um poema que todos querem ler.
És suave com as pétalas desabrochando em plena primavera.
Teu coração é um vulcão em chama.
E todos por ti clamão.
Este meu poema pode não rimar.
Mas é a ti que eu quero dar.
Para te poder dizer que...
Na vida há contratempos.
Contratempos que não nos deixam viver.
Mas para vivermos só temos que os esquecer.
A vida pode não assim ser.
Mas é assim que a tens de ver.
Só assim mais feliz irás ser.
Amadora, 22 de Março de 2005
Luisa juntas te dedicamos este poema.
Inêz e Marta
segunda-feira, março 21, 2005
GAVETA
Dentro do meu corpo, no fundo, mora a alma.
A alma entra dentro de nós na hora em que nascemos.
A alma é feita de gavetas.
Pois cada uma delas tem a chave para ela só.
Puxo pelo puxador, e vejo tudo o que está dentro dela.
Hoje abri a gaveta do silêncio.
A chave a rodar e a gaveta abrir.
E minha alma voa e por momentos se liberta.
Tudo o que sinto tem uma gaveta.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
E a gaveta dos segredos mais escondidos.
Essa gaveta evito abrir.
Nela estão as minhas dores e meus ais.
Quando a gaveta da raiva se abre.
Tento fechá-la, mas ela não para de se zangar.
Há quem a ouça muitas vezes.
Há quem a oiça raras vezes.
E há quem a oiça uma única vez na vida.
Ainda não houve quem a visse.
Mas todos sabem que ela existe.
Como também sabem o que tem lá dentro.
Hoje, dia internacional da poesia. Decerto que todos os poetas têm gavetas. Ah, isso é mesmo muito fácil de abrir, mas tenham cuidado - não as podemos abrir de qualquer maneira.
A alma entra dentro de nós na hora em que nascemos.
A alma é feita de gavetas.
Pois cada uma delas tem a chave para ela só.
Puxo pelo puxador, e vejo tudo o que está dentro dela.
Hoje abri a gaveta do silêncio.
A chave a rodar e a gaveta abrir.
E minha alma voa e por momentos se liberta.
Tudo o que sinto tem uma gaveta.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
E a gaveta dos segredos mais escondidos.
Essa gaveta evito abrir.
Nela estão as minhas dores e meus ais.
Quando a gaveta da raiva se abre.
Tento fechá-la, mas ela não para de se zangar.
Há quem a ouça muitas vezes.
Há quem a oiça raras vezes.
E há quem a oiça uma única vez na vida.
Ainda não houve quem a visse.
Mas todos sabem que ela existe.
Como também sabem o que tem lá dentro.
Hoje, dia internacional da poesia. Decerto que todos os poetas têm gavetas. Ah, isso é mesmo muito fácil de abrir, mas tenham cuidado - não as podemos abrir de qualquer maneira.
sábado, março 19, 2005
MESTRE
Em África, aprendi um exercício que consestia em cravar a unha do indicador no polegar sempre que pensasse que ia fazer alguma asneira. As terríveis consequências dos pensamentos negativos são entendidos mais tarde. Mas, fazendo com que esses pensamentos se manifestem no plano físico atravéz da dor, compreendemos o mal que nos causam. E acabamos por os evitar.
Digo para mim. O tempo do medo acabou; agora começa o tempo da esperança.
O mestre dizia-me...As decisões de Deus são mesteriosas; mas estão sempre a nosso favor, pense com cuidado no que você irá fazer hoje. E amanhã. E no resto dos seus dias. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios.
Quando ele me olhava com ternura, eu sentia e sabia que aquele homem era divino. Ele sabia ler minha alma atravéz dos meus olhos.
Muita gente tem medo da felicidade. Para essas pessoas, esta palavra significa mudar uma série de hábitos - e perder a sua própria identidade. Muitas vezes julgamo-nos indignos das coisas boas que nos acontecem.Não as aceitamos, porque aceitá-las dá-nos a sensação de que ficamos a dever alguma coisa a Deus.
Pensamos: É melhor não provar o cálice da alegria porque, quando ele nos faltar , iremos sofrer muito.
Por medo de diminuir, deixamos de crescer. Por medo de chorar, deixamos de rir.
Somos seres preocupados em agir, fazer, resolver, providenciar. Estamos sempre a tentar planear uma coisa, concluir outra, descobrir uma terceira. Não há nada de errado nisso - afinal de contas, é assim que construimos e modifícamos o mundo. Mas o acto do amor faz parte da esperiência da vida. Parar de vez em quando sair de nós mesmos, permanecer em silêncio diante do universo. Ajoelhar-nos com o corpo e a alma.Sem pedir , sem pensar, sem mesmo agradecer por nada.
Apenas viver o amor calado que nos envolve.
Nesses momentos, algumas lágrimas inesperadas - que não são de alegria nem de tristeza - podem jorrar. Não nos podemos surpreender. Isso é um dom. Essas lágrimas estão a lavar a nossa alma.
Se aceitarmos esse amor com pureza e humildade, percebemos que o amor não é dar ou receber, é participar. mas eu confio no meu amor, meu coração. Confio que irei dividir este amor com .quem merece ou necessite.
Digo para mim. O tempo do medo acabou; agora começa o tempo da esperança.
O mestre dizia-me...As decisões de Deus são mesteriosas; mas estão sempre a nosso favor, pense com cuidado no que você irá fazer hoje. E amanhã. E no resto dos seus dias. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios.
Quando ele me olhava com ternura, eu sentia e sabia que aquele homem era divino. Ele sabia ler minha alma atravéz dos meus olhos.
Muita gente tem medo da felicidade. Para essas pessoas, esta palavra significa mudar uma série de hábitos - e perder a sua própria identidade. Muitas vezes julgamo-nos indignos das coisas boas que nos acontecem.Não as aceitamos, porque aceitá-las dá-nos a sensação de que ficamos a dever alguma coisa a Deus.
Pensamos: É melhor não provar o cálice da alegria porque, quando ele nos faltar , iremos sofrer muito.
Por medo de diminuir, deixamos de crescer. Por medo de chorar, deixamos de rir.
Somos seres preocupados em agir, fazer, resolver, providenciar. Estamos sempre a tentar planear uma coisa, concluir outra, descobrir uma terceira. Não há nada de errado nisso - afinal de contas, é assim que construimos e modifícamos o mundo. Mas o acto do amor faz parte da esperiência da vida. Parar de vez em quando sair de nós mesmos, permanecer em silêncio diante do universo. Ajoelhar-nos com o corpo e a alma.Sem pedir , sem pensar, sem mesmo agradecer por nada.
Apenas viver o amor calado que nos envolve.
Nesses momentos, algumas lágrimas inesperadas - que não são de alegria nem de tristeza - podem jorrar. Não nos podemos surpreender. Isso é um dom. Essas lágrimas estão a lavar a nossa alma.
Se aceitarmos esse amor com pureza e humildade, percebemos que o amor não é dar ou receber, é participar. mas eu confio no meu amor, meu coração. Confio que irei dividir este amor com .quem merece ou necessite.
sexta-feira, março 18, 2005
PORQUÊ
Porque sofri e Deus não me ouviu. Porque - muitas vezes na minha vida - tentei amar com todo o meu coração e o amor acabou pisado,traído. Se Deus é amor, devia ter cuidado melhor dos meus sentimentos.
Hoje mais um ciclo da minha vida findou, uma história que poderia ser linda acabou, de maneira estranha. Detesto o cínismo, covardia e maldade. Tenho que expulsar tudo isto da minha vida. Quando descobri isto numa pessoa que eu amei, acordei. Decidi que a partir de hoje serei uma Luisa oposta daquela que conheci, que habitava em mim.. Hoje meu coração ficou frio, mas chorei como não o fazia à muito tempo.Os medos , a covardia e a maldade destroiem os homens ,e nem por um segundo tem vontade de ver tudo o que é maravilhoso - porque amanhã pode acabar e vamos sofrer.
Os Deuses jogam dados e não perguntam se queremos participar no jogo. Não querem saber se deixámos, uma casa, um trabalho, uma carreira, um sonho. Os deuses não ligam para o facto de que temos uma vida onde cada coisa tem o seu canto, onde cada desejo pode ser conseguido com trabalho e persistência. Os deuses não levam em conta os nossos planos, as nossas esperanças; em algum lugar do universo, eles jogam os dados - e você por acaso, é o escolhido. A partir daí, ganhar ou perder é uma questão de sorte.
Os deuses jogam os dados e libertam o amor da sua jaula. A força que pode criar ou destruir - dependendo da direcção em que o vento soprava no momento em que ele saíu da minha vida.
Por emquanto esta força está a soprar para o lado dele. Mas os ventos são tão caprichosos como os deuses - e, no mais fundo do meu ser, eu começo a sentir algumas rajadas.
O destino mais uma vez me quiz mostrar que o ser humano é complexo e ardiloso - e o universo sempre conspira a favor dos sonhadores.
Por mim, este assunto nem teria surgido. Mas - uma vez que surgiu - não consigo deixar de pensar nele.
Amar é perigoso. Amar é como uma droga.
No momento que isso acontece, assim como os viciados roubam e se humilham para conseguir o que precisam, tu estás disposto a fazer qualquer coisa pelo amor.
Que exemplo horrível - penso eu. Enquanto escrevo minha alma clama e olha longo tempo para a névoa do meu coração. Fechei os olhos dava a sensação que perdi a vontade de navegar no meu rio, as suas águas estavam perigosas. Eu estava a ser dura, mas não havia outra alternativa. Meu orgulho de mulher está ferido, porque eu começo a sentir as tempestades que os ventos do amor trazem consigo.Eu começo já a sentir um furo na parede da represa.
Hoje mais um ciclo da minha vida findou, uma história que poderia ser linda acabou, de maneira estranha. Detesto o cínismo, covardia e maldade. Tenho que expulsar tudo isto da minha vida. Quando descobri isto numa pessoa que eu amei, acordei. Decidi que a partir de hoje serei uma Luisa oposta daquela que conheci, que habitava em mim.. Hoje meu coração ficou frio, mas chorei como não o fazia à muito tempo.Os medos , a covardia e a maldade destroiem os homens ,e nem por um segundo tem vontade de ver tudo o que é maravilhoso - porque amanhã pode acabar e vamos sofrer.
Os Deuses jogam dados e não perguntam se queremos participar no jogo. Não querem saber se deixámos, uma casa, um trabalho, uma carreira, um sonho. Os deuses não ligam para o facto de que temos uma vida onde cada coisa tem o seu canto, onde cada desejo pode ser conseguido com trabalho e persistência. Os deuses não levam em conta os nossos planos, as nossas esperanças; em algum lugar do universo, eles jogam os dados - e você por acaso, é o escolhido. A partir daí, ganhar ou perder é uma questão de sorte.
Os deuses jogam os dados e libertam o amor da sua jaula. A força que pode criar ou destruir - dependendo da direcção em que o vento soprava no momento em que ele saíu da minha vida.
Por emquanto esta força está a soprar para o lado dele. Mas os ventos são tão caprichosos como os deuses - e, no mais fundo do meu ser, eu começo a sentir algumas rajadas.
O destino mais uma vez me quiz mostrar que o ser humano é complexo e ardiloso - e o universo sempre conspira a favor dos sonhadores.
Por mim, este assunto nem teria surgido. Mas - uma vez que surgiu - não consigo deixar de pensar nele.
Amar é perigoso. Amar é como uma droga.
No momento que isso acontece, assim como os viciados roubam e se humilham para conseguir o que precisam, tu estás disposto a fazer qualquer coisa pelo amor.
Que exemplo horrível - penso eu. Enquanto escrevo minha alma clama e olha longo tempo para a névoa do meu coração. Fechei os olhos dava a sensação que perdi a vontade de navegar no meu rio, as suas águas estavam perigosas. Eu estava a ser dura, mas não havia outra alternativa. Meu orgulho de mulher está ferido, porque eu começo a sentir as tempestades que os ventos do amor trazem consigo.Eu começo já a sentir um furo na parede da represa.
quinta-feira, março 17, 2005
DEMASIADO
A canção do Elvis, era para mim um momento de grande emoção, Nas grades da sala de costura, encostava minha pequena cabeça loira.Como eu gostava de ouvir Elvis...Eu sabia que estava a ser cruel comigo mesma.Sonhava em ir para casa para perto dos meus irmãos. Talvez não no amanhã, mas podia ser em breve. Adorava ouvir a canção( Eu adoro Mã).Sonhava com natais brancos com a minha família.Estava sempre no meu espírito, sempre alguem ouvindo meu soluçar se aproximava. Não chores pequenina. Amava a memória da minha mãe só ela poderia compreender-me, saberia que eu não queria estar presa. Minha alma é de passarinho, eu estava quaze a enlouquecer.
Ao acordar, olhei à minha volta com uma sensação de irrealidade. Tinha cortado a artéria do pé, tinha acontecido outra vez. Penso que Deus estava zangado comigo não me queria junto dele. Era o meu segundo esgotamento nervoso, o sangue corria com muita força, comecei a sentir sono ,e não me lembro de mais nada! Tentei tomar consciência de todas aquelas coisas que deveriam ser-me tão famíliares, mas agora parecem ligar-me a um passado que me custa a crer que tivesse vivido. Estremeço ao lembrar-me de Elvis, a sua música volta a flutuar diante dos meus ouvidos . Outro estremecimento; inspiro freneticamente o ar pesado da salinha, para impedir-me de mergulhar outra vez na escuridão.Tinham chamado o médico depois de me encontrarem em estado de choque, estava morta por dentro. Estava novamente a comprimidos, desta uma dose mais forte.Durante algum tempo, até que o médico, que estava pouco à vontade , se sentiu na obrigação de me dar uma lição de moral. Não dei muito atenção ao que ele me dizia, os meus pensamentos estavam em Carminha e a carta. A carta!
Apalpei o bolso do roupão, à procura dela.Não estava lá. Alguém a tirou enquanto estive inconsciente. Tinha de me levantar e ir à casa de banho, cambaleante, o médico lançou-me um olhar supreendido. Sussurrei, para onde teria ido novamente a minha voz? O médico quaze me levou ao colo atè à casa de banho, empurrando a porta com um pé e apoiando-me contra a parede.
A tensão e a frustação cresceram dentro de mim.Estava destruída. Furiosa. Vi a tesoura no peitoril da janela. Peguei nela. Era fria e dura. Queria que alguém partilha-se o meu sofrimento, alivia-se a minha dor, mas ninguem se importava mesmo que eu morre-se, ninguem queria uma parte da carga.
Comecei a escortanhar meus longos cabelos. Compridas madeixas louras caíram no lavatório e no chão enquanto eu cortava junto ao couro cabeludo, deixando pontas espetadas em todas as direcções.A tesoura estava embotada. O que não consegui cortar, arranquei da cabeça, aos punhados, deixando manchas sangrentas, Insensível à dor. A angústia mental sobrepunha-se ao sofrimento físico. Estava a chorar a gritar. Já não tinha controlo sobre mim própria ou sobre o que fosse. Seria tão fácil morrer. Tão fácil morrer.
As palavras da carta esbateram-se. No lugar delas havia só escuridão. O túnel escuro, o meu refúgio querido e familiar, o meu santuário.
Estava a mergulhar novamente no esquecimento, e grata por isso.
Aquilo era demasiado. Demasiado
Ao acordar, olhei à minha volta com uma sensação de irrealidade. Tinha cortado a artéria do pé, tinha acontecido outra vez. Penso que Deus estava zangado comigo não me queria junto dele. Era o meu segundo esgotamento nervoso, o sangue corria com muita força, comecei a sentir sono ,e não me lembro de mais nada! Tentei tomar consciência de todas aquelas coisas que deveriam ser-me tão famíliares, mas agora parecem ligar-me a um passado que me custa a crer que tivesse vivido. Estremeço ao lembrar-me de Elvis, a sua música volta a flutuar diante dos meus ouvidos . Outro estremecimento; inspiro freneticamente o ar pesado da salinha, para impedir-me de mergulhar outra vez na escuridão.Tinham chamado o médico depois de me encontrarem em estado de choque, estava morta por dentro. Estava novamente a comprimidos, desta uma dose mais forte.Durante algum tempo, até que o médico, que estava pouco à vontade , se sentiu na obrigação de me dar uma lição de moral. Não dei muito atenção ao que ele me dizia, os meus pensamentos estavam em Carminha e a carta. A carta!
Apalpei o bolso do roupão, à procura dela.Não estava lá. Alguém a tirou enquanto estive inconsciente. Tinha de me levantar e ir à casa de banho, cambaleante, o médico lançou-me um olhar supreendido. Sussurrei, para onde teria ido novamente a minha voz? O médico quaze me levou ao colo atè à casa de banho, empurrando a porta com um pé e apoiando-me contra a parede.
A tensão e a frustação cresceram dentro de mim.Estava destruída. Furiosa. Vi a tesoura no peitoril da janela. Peguei nela. Era fria e dura. Queria que alguém partilha-se o meu sofrimento, alivia-se a minha dor, mas ninguem se importava mesmo que eu morre-se, ninguem queria uma parte da carga.
Comecei a escortanhar meus longos cabelos. Compridas madeixas louras caíram no lavatório e no chão enquanto eu cortava junto ao couro cabeludo, deixando pontas espetadas em todas as direcções.A tesoura estava embotada. O que não consegui cortar, arranquei da cabeça, aos punhados, deixando manchas sangrentas, Insensível à dor. A angústia mental sobrepunha-se ao sofrimento físico. Estava a chorar a gritar. Já não tinha controlo sobre mim própria ou sobre o que fosse. Seria tão fácil morrer. Tão fácil morrer.
As palavras da carta esbateram-se. No lugar delas havia só escuridão. O túnel escuro, o meu refúgio querido e familiar, o meu santuário.
Estava a mergulhar novamente no esquecimento, e grata por isso.
Aquilo era demasiado. Demasiado
terça-feira, março 15, 2005
ALMA
A minha alma é tão profunda como os rios.
Eu fiz meu espírito banhar-se nas águas do tejo.
E as suas águas cantaram-me uma canção de embalar.
Ouvi o canto dos golfinhos.
E vi suas águas tornarem-se douradas ao entardecer.
Nas produndezas , vi um deus que nos esmaga.
E vi outro que nos liberta com seu amor.
Dentro da água límpida, vi o que estava dentro de mim.
O perdão é uma estrada de dois sentidos.
E minha alma se libertou. Suspirou.
E então seguirei a aorora nas águas do rio.
E buscarei minha alma através do tempo.
Nas correntes magnéticas que desaguam no oceano.
Eu me encontrarei em todas as águas que formam a alma do mundo.
Eu fiz meu espírito banhar-se nas águas do tejo.
E as suas águas cantaram-me uma canção de embalar.
Ouvi o canto dos golfinhos.
E vi suas águas tornarem-se douradas ao entardecer.
Nas produndezas , vi um deus que nos esmaga.
E vi outro que nos liberta com seu amor.
Dentro da água límpida, vi o que estava dentro de mim.
O perdão é uma estrada de dois sentidos.
E minha alma se libertou. Suspirou.
E então seguirei a aorora nas águas do rio.
E buscarei minha alma através do tempo.
Nas correntes magnéticas que desaguam no oceano.
Eu me encontrarei em todas as águas que formam a alma do mundo.
sábado, março 12, 2005
ESCUTO
Escuto mas não sei - Se o que oiço é silêncio.
Escuto o ressoar das montanhas no meu vazio.
Por companheira tenho a voz que dormita.
Apenas sei que caminho com harpas de areia.
Me dói a lua me soluça o mar.
Pelos rostos do silêncio e de paciência.
Pela nudez das palavras deslumbradas.
Escuto o poema que me levará no tempo.
Minha passagem se confundirá.
Com o rumor do mar com o passar do vento.
Mesmo que eu morra o poema me encontrará.
Numa praia caída onde quebrarei suas ondas.
E escuto... Minha alma de funda e devorada solidão.
Ó poema. Quem te escutará.
Estarás entre mãos de quem te lê.
Habitarás no espaço mais atento.
Juntos enfrentaremos o terror do silêncio.
Escuto...Onde paira a verdade para perder o medo.
Escuto o ressoar das montanhas no meu vazio.
Por companheira tenho a voz que dormita.
Apenas sei que caminho com harpas de areia.
Me dói a lua me soluça o mar.
Pelos rostos do silêncio e de paciência.
Pela nudez das palavras deslumbradas.
Escuto o poema que me levará no tempo.
Minha passagem se confundirá.
Com o rumor do mar com o passar do vento.
Mesmo que eu morra o poema me encontrará.
Numa praia caída onde quebrarei suas ondas.
E escuto... Minha alma de funda e devorada solidão.
Ó poema. Quem te escutará.
Estarás entre mãos de quem te lê.
Habitarás no espaço mais atento.
Juntos enfrentaremos o terror do silêncio.
Escuto...Onde paira a verdade para perder o medo.
sexta-feira, março 11, 2005
MANHÃ
- Hoje de manhã, quaze que me convencia que estou a fícar estupida. Penso o dia inteiro. Nestes três dias minha cabeça andou á roda, mais do que em todo o ano passado. Ele passa a mão na minha cabeça, sem dizer nada. Eu sinto o seu toque, e nada faço para afastá-lo. Conta-me um pouco do que fazes durante o dia - pediu-me.
- Não tem grandes mistérios. Existe o meu caminho e eu faço o possível por percorrê-lo com dignidade. Qual é o teu caminho?
- O caminho de quem procura paz e o amor. Ele fica, por um momento a brincar com meu rosto sempre caído. - E o amor é um caminho complicado - concluiu. Porque nesse caminho, ou as coisas nos levam ao céu, ou nos lançam no inferno - digo , sem ter a certeza de que me estou a referir a ele. Ele não diz nada. Talvez ainda esteja mergulhado no oceano do silêncio, mas a ira soltou outra vez a minha língua, e sinto a necessidade de falar. Tu disseste que algo neste mundo mudou o teu rumo. Acho que mudou tudo mesmo eu, por isso te digo estas coisas - É um teste? Não. É uma entrega. Para que ela me ajude a tomar a melhor decisão. Sinto raiva não sei de quê, e fico surpreendida com a minha reacção. Quero é que tu me respondas. Sempre que começamos a falar de certos assuntos, tu começas a falar de outras coisas. A luta interior parece ter acalmado e não quero voltar a despertá-la. Eu não estou a conseguir seguir as palavras dele. E ele apercebe-se disso. Agora minha mente está completamente envolta pela escuridão e pela bruma.Começo a imaginar-me na água, no ventre materno - onde o tempo e o pensamento não existem. Eu não sou a menina dele - Ouve um durante onde eu passei um longo calvário, onde a aparição se tornou mulher - Ninguém pode ser a árvore e o fruto ao mesmo tempo.
A neblina dos meus olhos começava a levantar. Por momentos voltei á minha casinha no alpendre - Sinto meus cabelos afagados - Sinto frio e quero tomar um café. Naquele minuto de sonho acordado, estavam alguns momentos de alegria que eu hoje vivi. Naquele minuto foi como um beijo de amor, o resumo da minha vida, da vida de qualquer pessoa que espera por dias melhores, sonha e busca o seu caminho debaixo do sol. Fui para o trabalho com nostálgia, era como percorrer os rios da minha infância, onde nesse momento eu ia ao encontro do meu rio. O rio que tinha um signifícado .O amor.
- Não tem grandes mistérios. Existe o meu caminho e eu faço o possível por percorrê-lo com dignidade. Qual é o teu caminho?
- O caminho de quem procura paz e o amor. Ele fica, por um momento a brincar com meu rosto sempre caído. - E o amor é um caminho complicado - concluiu. Porque nesse caminho, ou as coisas nos levam ao céu, ou nos lançam no inferno - digo , sem ter a certeza de que me estou a referir a ele. Ele não diz nada. Talvez ainda esteja mergulhado no oceano do silêncio, mas a ira soltou outra vez a minha língua, e sinto a necessidade de falar. Tu disseste que algo neste mundo mudou o teu rumo. Acho que mudou tudo mesmo eu, por isso te digo estas coisas - É um teste? Não. É uma entrega. Para que ela me ajude a tomar a melhor decisão. Sinto raiva não sei de quê, e fico surpreendida com a minha reacção. Quero é que tu me respondas. Sempre que começamos a falar de certos assuntos, tu começas a falar de outras coisas. A luta interior parece ter acalmado e não quero voltar a despertá-la. Eu não estou a conseguir seguir as palavras dele. E ele apercebe-se disso. Agora minha mente está completamente envolta pela escuridão e pela bruma.Começo a imaginar-me na água, no ventre materno - onde o tempo e o pensamento não existem. Eu não sou a menina dele - Ouve um durante onde eu passei um longo calvário, onde a aparição se tornou mulher - Ninguém pode ser a árvore e o fruto ao mesmo tempo.
A neblina dos meus olhos começava a levantar. Por momentos voltei á minha casinha no alpendre - Sinto meus cabelos afagados - Sinto frio e quero tomar um café. Naquele minuto de sonho acordado, estavam alguns momentos de alegria que eu hoje vivi. Naquele minuto foi como um beijo de amor, o resumo da minha vida, da vida de qualquer pessoa que espera por dias melhores, sonha e busca o seu caminho debaixo do sol. Fui para o trabalho com nostálgia, era como percorrer os rios da minha infância, onde nesse momento eu ia ao encontro do meu rio. O rio que tinha um signifícado .O amor.
quarta-feira, março 02, 2005
RENASCER
Eu estou sempre a renascer. Cada nova manhã é o momento de recomeçar a viver. Há muitos anos que eu recomeço o meu dia da mesma maneira - e isto não significa uma rotina mecânica, mas algo de essencial para a minha visão espíritual.
Acordo, vou para o trabalho, no carro, ligo o rádio tentando ouvir as minhas músicas preferidas, oiço na suavidade de meu espírito, dois prelúdios e uma fuga de Bach. estas músicas da minha mente funcionam como uma benção para o meu dia de trabalho. Mas também é uma maneira de retomar o contacto com o mistério da vida, com o milagre de fazer parte da raça humana.
Mesmo fazendo isto há muitos anos, a música que está dentro dos meus sentidos nunca é a mesma - ela ensina-me sempre algo de novo, fantástico, inacreditável. Eu precisava de transmitir este segredo a um homem que eu conhecesse bem. Os que parecem muito vírtuosos, geralmente escondem a vaidade, o orgulho, a intolerânçia. Por isso escolhi o único discípulo no qual eu podia ver o defeito: o resmungão. Nestes momentos, no meu silêncio oiço a tál voz. A voz do meu coração, onde tudo parece a fuga de Bach e eu vou ao seu encontro entre as nuvens da liberdade. Sua voz me dita. Ao contrário do que tu pensas, tu encontraste-me durante toda a vida. Eu estava nua e tu vestiste-me. Eu tive fome e tu deste-me de comer. Eu estava presa e tu vesitaste-me. Eu estava em todos os pobres do teu caminho. Muito obrigado por tantos presentes de amor.
Acordo, vou para o trabalho, no carro, ligo o rádio tentando ouvir as minhas músicas preferidas, oiço na suavidade de meu espírito, dois prelúdios e uma fuga de Bach. estas músicas da minha mente funcionam como uma benção para o meu dia de trabalho. Mas também é uma maneira de retomar o contacto com o mistério da vida, com o milagre de fazer parte da raça humana.
Mesmo fazendo isto há muitos anos, a música que está dentro dos meus sentidos nunca é a mesma - ela ensina-me sempre algo de novo, fantástico, inacreditável. Eu precisava de transmitir este segredo a um homem que eu conhecesse bem. Os que parecem muito vírtuosos, geralmente escondem a vaidade, o orgulho, a intolerânçia. Por isso escolhi o único discípulo no qual eu podia ver o defeito: o resmungão. Nestes momentos, no meu silêncio oiço a tál voz. A voz do meu coração, onde tudo parece a fuga de Bach e eu vou ao seu encontro entre as nuvens da liberdade. Sua voz me dita. Ao contrário do que tu pensas, tu encontraste-me durante toda a vida. Eu estava nua e tu vestiste-me. Eu tive fome e tu deste-me de comer. Eu estava presa e tu vesitaste-me. Eu estava em todos os pobres do teu caminho. Muito obrigado por tantos presentes de amor.
terça-feira, março 01, 2005
ROTINA
Bastou apenas cinco minutos de conversa para verifícar que tudo continuava na mesma, o meu sofrimento duma vida não tinha fím. Eu estou afectada física e psicologicamente, meu lar é uma instítuição, onde o chefe comanda, onde o síndrome do pânico se apodera de mim. Estou a ficar grávemente doente com a doença recem-admitida nos anais da psiquiatria universal. Acontece que as pessoas afectadas com esta doença costumam escondê-la, com medo de serem confundidas com loucos. É apenas um desequilíbrio químico no organismo, como é o caso da depressão. Estou confusa , tensa, irritada comigo mesma, aprendi desde muito cedo a controlar as minhas emoções, manter um ar frio, distante, fazer com que tivesse vergonha, medo, raiva, hoje tenho vontade de matá-los, feri-los com palavras que não ousava dizer. Tomo comprimidos, estou a tornar-me numa mulher demasiado frágil cansada, muitas vezes tento abandonar os meus pensamentos para não tomar atítudes. Preciso de me sentir gente, saber reagir com ironia, ou então ter a coragem de desejar a morte. Fui para a rua andar um pouco, deixando que o frio entrasse no meu corpo, e acalmasse o sangue desesperado que corre depressa , acalmar meu coração que batia rápido de mais. Enquanto andava pensava que a minha vida já não tinha importãncia, tinha que acabar por aceitar o que a vida me tinha imposto. Na meninice e na adolescência, não pensava que era demasiado cedo para escolher; agora, na minha idade, era tarde de mais para mudar, só poderá eventualmente ter uma saída. Essa eu tenho a chave. Sacrifiquei muitos dos meus desejos, para que meus filhos me continuassem a amar como me amavam em crianças, embora sabendo que o verdadeiro amor se modifica com o tempo, e cresce, e descobre novas maneiras de se expressar. Quantos sonhos eu tive, sonhava casar com um homem que fosse díferente, que ganhasse apenas o sufíciente para sustentar a família, que gostasse de ópera de bailado, que desse atenção aos meus poemas, que não me amasse, mas gostasse de mim. Poder olhar as montanhas ver as flores crescendo, poder contemplar o céu e dizer que há estrelas. Em casa é como combater o inimigo - e depois ter que aguentar consequências imprevisíveis, como vingança. Nunca vou conseguir o que desejava na vida , chego á conclusão que a minha existência não tem sentido, porque todos os dias são iguais. É como morrer todos os dias um bocadinho. Adaptar-me à rotina imposta pela casa: acordar cedo, café da manhã, ir para o trabalho, almoço, trabalho, ir para casa, jantar televisão e cama. Obedecer às ordens e regulamentos do Sr. X. A minha única saída é afastar-me de tudo e de todos, tentar de todas as maneiras conquistar o que nunca tive. Respeito por mim mesma.
Seja como a fonte que transborda e não como o tanque que contém sempre a mesma água.
Seja como a fonte que transborda e não como o tanque que contém sempre a mesma água.
domingo, fevereiro 27, 2005
Vício
Uma das formas primárias de encobrirmos os nossos medos são os vícios. Os vícios suprimem as emoções, deixamos de sentir. No entanto, hà toda a espécie de vícios para além das drogas. Existe aquilo a que eu chamo os vícios padrão - padrões a que recorremos para evitar viver a nossa vida no presente. Se não quizermos lidar com a situação que se nos apresenta, se não quisermos estar onde estamos, arranjamos um padrão que nos isola dessa realidade. Para alguns é o vício da gula, para outros são as drogas. Pode ser que a pré-disposição para o alcoolismo seja genética, mas a opção de alimentar essa doença é sempre uma escolha individual. frequentemente fala-se de problemas hereditários. Na verdade o que se passa é que a criança aceita o modo dos pais enfrentarem o medo.
Outros sofrem de vícios emocionais. Uma pessoa pode ser viciada em encontrar defeitos nos outros. Aconteça o que acontecer, há-de haver sempre alguém para atirar com as culpas para cima. A culpa é deles, fizeram-me isto. Há pessoas viciadas na doença. Estão sempre com qualquer coisa ou então estão muito preocupadas com a próxima. Parecem menbros do clube da Doença do Mês.
Se a questão é sermos viciados, porque não viciarmo-nos no amor por nós próprios? Podemos apanhar o vício de fazer afirmações positivas ou de fazer coisas que contribuam para o nosso bem.
Eu pergunto a mim própria muitas vezes...Quais são os meus defeitos , os meus vícios. O que é que eu não aceito em mim? E verifíco que tenho que dar os primeiros passos no sentido de quebrar o padrão. O vício.
Outros sofrem de vícios emocionais. Uma pessoa pode ser viciada em encontrar defeitos nos outros. Aconteça o que acontecer, há-de haver sempre alguém para atirar com as culpas para cima. A culpa é deles, fizeram-me isto. Há pessoas viciadas na doença. Estão sempre com qualquer coisa ou então estão muito preocupadas com a próxima. Parecem menbros do clube da Doença do Mês.
Se a questão é sermos viciados, porque não viciarmo-nos no amor por nós próprios? Podemos apanhar o vício de fazer afirmações positivas ou de fazer coisas que contribuam para o nosso bem.
Eu pergunto a mim própria muitas vezes...Quais são os meus defeitos , os meus vícios. O que é que eu não aceito em mim? E verifíco que tenho que dar os primeiros passos no sentido de quebrar o padrão. O vício.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
FÉ
É impressionante que, depois de tudo o que passei, ainda mantenho a mesma fé. Não mantive. Perdi e recuperei.Estou em silêncio. Oiço o ruído de meus passos voltando até aquela quinta , hà casinha onde por breves tempos fui feliz com minha mãe. Gosto de me isolar, viajo no tempo e sou feliz. Minhas lágrimas caem...Meu rosto está sereno, sinto um gosto salgado em meus lábios, minha alma chora das saudades que não tive. Enquanto bebo as lágrimas, olho o infinito e vejo só névoa, o meu silêncio ...É o silêncio da verdade, vejo uma mulher sentada nos degraus duma casa humilde, onde minha cabeça loura de criança pende no seu regaço. Sim , a minha mente voa. Gostaria de estar naquele lugar abraçada a ela para aconchegar meu coração.
Olho meu rosto no espelho, os meus olhos brilham e estão fixos na névoa á minha frente, ela está sempre presente, é o espírito de Deus que a coloca em baixo e em cima das estrelas. É o casamento místico dela na terra com o céu.
A bruma parece ganhar vida e transformar-se em algo sagrado - embora eu continui sem saber o que Deus me está a dizer.
A verdade está sempre onde existe a fé, o mistério da vida fascina-me, quero compreender-me melhor.
Nalgum lugar do mundo haverá uma casinha igual onde eu serei feliz. Minha mão está tremula
já não consigo mais coordenar os meus pensamentos, meu coração dá saltos, tentando se libertar do meu peito e correr ao encontro dos meus anseios , onde a saudade permanecesse, e eu senti a presença e o som dos meus passos. Voltei à realidade - e eu lembrei-me do silêncio anterior, junto da janela - onde de repente minhas lágrimas secaram, e compreendi que amava, e alguém tambem me amava.
O mais difícil tinha passado - embora a saudade permanecesse.
Olho meu rosto no espelho, os meus olhos brilham e estão fixos na névoa á minha frente, ela está sempre presente, é o espírito de Deus que a coloca em baixo e em cima das estrelas. É o casamento místico dela na terra com o céu.
A bruma parece ganhar vida e transformar-se em algo sagrado - embora eu continui sem saber o que Deus me está a dizer.
A verdade está sempre onde existe a fé, o mistério da vida fascina-me, quero compreender-me melhor.
Nalgum lugar do mundo haverá uma casinha igual onde eu serei feliz. Minha mão está tremula
já não consigo mais coordenar os meus pensamentos, meu coração dá saltos, tentando se libertar do meu peito e correr ao encontro dos meus anseios , onde a saudade permanecesse, e eu senti a presença e o som dos meus passos. Voltei à realidade - e eu lembrei-me do silêncio anterior, junto da janela - onde de repente minhas lágrimas secaram, e compreendi que amava, e alguém tambem me amava.
O mais difícil tinha passado - embora a saudade permanecesse.
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
DESERTO
Nesse lugar pensei: Onde mora o amor.
Quanto deserto...Atravessei e penei.
Para ficar sózinha ante o silêncio.
O meu coração desce as escadas do tempo.
E onde tudo parece abandonado.
Onde um lugar pelo meu amor foi marcado.
Na miragem do deserto adivinho mágicos e deuses.
E o teu encontro...
São planícies e planícies de silêncio.
Onde teu rosto está para além do tempo fosco.
E dizendo sobre a fuga dos caminhos.
Que foste como as ervas não colhidas.
Eu caminho no deserto em meus espaços vivos.
Mas penso sob o céu redondo.
Onde está o limíte do meu amor da minha força.
Invoco-te...Neste lugar chamo por ti.
Chamo por ti - reúno os destroços as ruínas os pedaços.
No murmúrio e no cheiro das paisagens.
Como pode meu amor ser distraído.
Num amanhã no deserto te esperarei.
Quanto deserto...Atravessei e penei.
Para ficar sózinha ante o silêncio.
O meu coração desce as escadas do tempo.
E onde tudo parece abandonado.
Onde um lugar pelo meu amor foi marcado.
Na miragem do deserto adivinho mágicos e deuses.
E o teu encontro...
São planícies e planícies de silêncio.
Onde teu rosto está para além do tempo fosco.
E dizendo sobre a fuga dos caminhos.
Que foste como as ervas não colhidas.
Eu caminho no deserto em meus espaços vivos.
Mas penso sob o céu redondo.
Onde está o limíte do meu amor da minha força.
Invoco-te...Neste lugar chamo por ti.
Chamo por ti - reúno os destroços as ruínas os pedaços.
No murmúrio e no cheiro das paisagens.
Como pode meu amor ser distraído.
Num amanhã no deserto te esperarei.
sábado, fevereiro 05, 2005
Feridas
Descobri que trabalhar com a criança dentro de mim é uma forma excelente de curar as mazelas do passado. Não estarei sempre em contacto com o sentimento da criança assustada dentro de mim.Se na minha infância o medo e o conflito tiveram uma presença demasiado constante e se ainda hoje me agrido mentalmente, o que se passa é que ainda trato a criança interior da mesma maneira que me trataram a mim. No entanto, a criança cá dentro não tem para onde ir. Terei que passar as limitações impostas pela sociedade. Preciso de restabelecer a ligação com a criança perdida dentro de mim. Ela precisa de saber que eu me preocupo.
Paro agora um momento e digo a essa criança - Eu preocupo-me . Adoro-te.Adoro-te mesmo muito.. Se calhar tenho dito à pessoa crescida, ao adulto dentro de mim: vou começar agora e digo também à criança que habita em mim.Fecho os olhos e falo com a criança pode levar muito tempo até que ela me oiça, até que ela acredite em mim, que estou a falar a sério. Insisto. Eu quero mesmo falar contigo. Quero ver-te. Quero amar-te. Eventualmente acabarei por estabelecer contacto e poderei ver a criança dentro de mim, senti-la, ouvi-la.
Quando falar com ela, um pedido de desculpa pelo facto de não lhe ter falado todos estes anos ou que estou arrependida de ter ralhado tanto. Digo-lhe que pretendo compensá-la por todo este tempo desperdiçado, de costas viradas uma para a outra. Pergunto-lhe o que posso fazer para a tornar feliz. Indagar os seus medos. Inquiro como a poderei ajudar, sobre o que ela deseja de mim.
Começarei com perguntas simples; as respostas vão chegar. O que posso fazer para que ela fique feliz? O que gostavas de fazer hoje? Por exemplo, posso dizer: Hoje eu queria andar, o que tu queres fazer.Ela pode responder: vamos até à praia. A comunicação ter-se-á iniciado. Tenho que ser consistente. Se arranjar todos os dias um bocado par me ligar com essa pequena criatura dentro de mim, a vida pode melhorar. Preciso de dar esse passo e pedir ajuda a ela para poder ser ajudada. A minha parte adulta, quando escreve a pergunta, pensa que sabe a resposta, mas quando pega na caneta com a mão não -dominante, muitas vezes a resposta que sai é bastante diferente do que eu estava à espera. Não fui uma criança desejada. O valor essencial é estar agora aqui, mas apenas fui um animal de estimação.Tenho que me aceitar mesmo, sem condições e com a máxima abertura, e amar a criança que existe dentro de mim.
Paro agora um momento e digo a essa criança - Eu preocupo-me . Adoro-te.Adoro-te mesmo muito.. Se calhar tenho dito à pessoa crescida, ao adulto dentro de mim: vou começar agora e digo também à criança que habita em mim.Fecho os olhos e falo com a criança pode levar muito tempo até que ela me oiça, até que ela acredite em mim, que estou a falar a sério. Insisto. Eu quero mesmo falar contigo. Quero ver-te. Quero amar-te. Eventualmente acabarei por estabelecer contacto e poderei ver a criança dentro de mim, senti-la, ouvi-la.
Quando falar com ela, um pedido de desculpa pelo facto de não lhe ter falado todos estes anos ou que estou arrependida de ter ralhado tanto. Digo-lhe que pretendo compensá-la por todo este tempo desperdiçado, de costas viradas uma para a outra. Pergunto-lhe o que posso fazer para a tornar feliz. Indagar os seus medos. Inquiro como a poderei ajudar, sobre o que ela deseja de mim.
Começarei com perguntas simples; as respostas vão chegar. O que posso fazer para que ela fique feliz? O que gostavas de fazer hoje? Por exemplo, posso dizer: Hoje eu queria andar, o que tu queres fazer.Ela pode responder: vamos até à praia. A comunicação ter-se-á iniciado. Tenho que ser consistente. Se arranjar todos os dias um bocado par me ligar com essa pequena criatura dentro de mim, a vida pode melhorar. Preciso de dar esse passo e pedir ajuda a ela para poder ser ajudada. A minha parte adulta, quando escreve a pergunta, pensa que sabe a resposta, mas quando pega na caneta com a mão não -dominante, muitas vezes a resposta que sai é bastante diferente do que eu estava à espera. Não fui uma criança desejada. O valor essencial é estar agora aqui, mas apenas fui um animal de estimação.Tenho que me aceitar mesmo, sem condições e com a máxima abertura, e amar a criança que existe dentro de mim.
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Simplesmente ame
Apego é um veneno é, infelizmente, a maioria de nós já está absurdamente envenenada. Apegamo-nos tão facilmente às pessoas, às coisas, aos lugares, às sítuações, à rotina, à indisciplina. Acreditamos tão facilmente que o outro pode ser um analgésico para a nossa existência o preenchimento para o nosso vazio ou ainda,parodoxalmente, a causa de todo o nosso sofrimento. Desperdiçamos nossos dias investindo numa relação doente, em sentimentos que amarram que submetem, que subtraem muito mais que presenteiam, como se fôssemos passíveis objectos de posse. Não somos - nem quero ser.Penso que poderei amar para sempre, mas ainda assim o meu amor nunca será só meu. Será de mim para o mundo,para muitas pessoas. O que eu acho que é meu, desde que eu não tente segurar, apenas predisponho-me a sentir, viver experimentar.
Se puder fazer isso com toda a intensidade de que sou capaz, talvez consiga compreender o significado da palavra plenitude...em substituição à avassaladora palavra " apego".
Desapegue-se do amor. Apenas ame.
O caos se instala especialmente no momento em que nos sentimos "donos" do outro da instituição formada em nome de um amor que ninguém mais sabe onde mora.
Mas é a maneira como sentimos, o sentimento que nos invadem que determina nossas escolhas e faz com que nos comportemos de modo infanti, amoroso ou egoista, e num deslize de percepção, caímos numa armadilha tecida por nós mesmos e nos afogamos, é só tentar permanecermos dentro das nossas estagnações e recusar sair delas.. Nunca seremos uma só pessoa, e sim duas...l
Nós e a outra que se esconde...! Como se fôssemos passíveis de posse.
Eu não sou...! Você é?.
Se puder fazer isso com toda a intensidade de que sou capaz, talvez consiga compreender o significado da palavra plenitude...em substituição à avassaladora palavra " apego".
Desapegue-se do amor. Apenas ame.
O caos se instala especialmente no momento em que nos sentimos "donos" do outro da instituição formada em nome de um amor que ninguém mais sabe onde mora.
Mas é a maneira como sentimos, o sentimento que nos invadem que determina nossas escolhas e faz com que nos comportemos de modo infanti, amoroso ou egoista, e num deslize de percepção, caímos numa armadilha tecida por nós mesmos e nos afogamos, é só tentar permanecermos dentro das nossas estagnações e recusar sair delas.. Nunca seremos uma só pessoa, e sim duas...l
Nós e a outra que se esconde...! Como se fôssemos passíveis de posse.
Eu não sou...! Você é?.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
ENIGMA
Àquele amor inteiro e nunca cego.
Trespassado de espanto e de segredo.
Até á mais funda limpídez do instinto.
Acaricio teus cabelos em anel e me dão vida.
E quaze fico imóvel no fogo dos teus beijos.
É através de ti que meus rios caminham.
Sobre teus ombros poisa o segredo do meu amor.
Ele pesa como o fruto pleno no bosque da brisa.
Na noite invoco a tua sombra grande e solene.
Porque tua alma é minha na imortalidade.
Onde beberei teu sangue duas vezes puro.
E meus olhos fechados em teu rosto.
Aqui o enigma que me interroga desde sempre.
Eu te cerco de muros e de abismos.
Chamo por ti, reúno os meus destroços.
E no chão vejo meu rosto branco.
Divididos em estilhaços de amor por ti.
E celebro a tua chegada à ilha, com sorrisos de alegria.
Trespassado de espanto e de segredo.
Até á mais funda limpídez do instinto.
Acaricio teus cabelos em anel e me dão vida.
E quaze fico imóvel no fogo dos teus beijos.
É através de ti que meus rios caminham.
Sobre teus ombros poisa o segredo do meu amor.
Ele pesa como o fruto pleno no bosque da brisa.
Na noite invoco a tua sombra grande e solene.
Porque tua alma é minha na imortalidade.
Onde beberei teu sangue duas vezes puro.
E meus olhos fechados em teu rosto.
Aqui o enigma que me interroga desde sempre.
Eu te cerco de muros e de abismos.
Chamo por ti, reúno os meus destroços.
E no chão vejo meu rosto branco.
Divididos em estilhaços de amor por ti.
E celebro a tua chegada à ilha, com sorrisos de alegria.
domingo, janeiro 30, 2005
REMORSO
O remorso existe mesmo quando o mal que fizemos é o resultado de uma distração, ou de um acto involuntário.
O remorso não permite a boa consciência, a consciência fácil. É exigente, requer um radical e verdadeiro arrependimento, exige expiação, requer uma acção realmente reparadora. Impõe-me um outro modo de agir. Mas o remorso não se lava. Não se lava mesmo que a pessoa a quem prejudicámos nos tenha perdoado. Eu sinto remorsos até dos actos que não pude evitar.
A única forma possível de sair deste estado de decomposição moral social, é ter em conta o remorso.
Será preciso rever a minha própria história o meu egoismo, tomar conciência dos actos cometidos, reconhecer a minha própria culpa. Só com esta tomada de consciência é que poderei mudar e abrir-me de novo para o real, para vida sem culpa e para o amor que é o verdadeiro caminho da esperãnça.
Hoje meu mundo parou, não saberei caminhar dentro do meu remorso.
O remorso não permite a boa consciência, a consciência fácil. É exigente, requer um radical e verdadeiro arrependimento, exige expiação, requer uma acção realmente reparadora. Impõe-me um outro modo de agir. Mas o remorso não se lava. Não se lava mesmo que a pessoa a quem prejudicámos nos tenha perdoado. Eu sinto remorsos até dos actos que não pude evitar.
A única forma possível de sair deste estado de decomposição moral social, é ter em conta o remorso.
Será preciso rever a minha própria história o meu egoismo, tomar conciência dos actos cometidos, reconhecer a minha própria culpa. Só com esta tomada de consciência é que poderei mudar e abrir-me de novo para o real, para vida sem culpa e para o amor que é o verdadeiro caminho da esperãnça.
Hoje meu mundo parou, não saberei caminhar dentro do meu remorso.
sábado, janeiro 15, 2005
ESPERANÇA
Hoje, estou serena calma.Todavia, sinto tristeza, não por estar adoentada, mas qualquer coisa como o inatíngivel deixa meu espírito á deriva.Penso que devo distínguir as minhas metas pessoais - é também essencial saber renunciar humildemente a uma meta na qual sei que não terei êxito. Tento conduzir esta dificil busca espiritual, mas que devo fazer, então?Renunciar à ideia?Na verdade, emprego sempre uma forma de pensar muito imaginativa.Sofro porque não consigo conduzir esta difícil busca.Por vezes o desânimo é uma sedução perigosa para mim, porque me empurra para a inactividade, para o abandono, e deixa-me desarmada diante dos meus próprios sentimentos. Às vezes, o desânimo força-me a tomar consciência de uma realidade que preferia ter ignorado. Leva-me a procurar um equilíbrio diferente, um modo de vida alternativo. A minha vida é feita de buscas que se vão alargando. Quando era criança a procura era restritiva, o meu poder era limitado. Agora, adulta, devo conduzir por conseguinte o desânimo como um momento de pausa antes da minha cura espíritual, um momento de reflexão para corrigir os meus erros, uma ajuda para renunciar a alguma das minhas pretensões e para aprender a fazer apenas aquilo que é essencial, o que, a título de conclusão, faz de mim um novo ponto de partida.Porém, não é assim. Não sou apenas a vida que tenho vivido. Às vezes é pecisamente a dor, a injustiça, a doença que me abre as portas da mente, que me faz ver tudo aquilo que nunca antes tinha visto. A doença e o sofrimento podem fechar o corpo, mas nunca o espírito.Hoje falei com um amigo, falamos em caminhos paralelos de alguem que se perdeu.Quem se perdeu, quem se perdeu a capacidade de não viver em sociedade, de resistir aos seus impulsos destrutivos,É só na comunidade do amor, aquele que se perdeu a si mesmo, a sua moralidade e a sua sociabilidade, pode encontrar uma orientação e a força para o restabelicimento. Só quem ama compreende e conhece que a única força que assegura o cuidado com o ser humano é o amor. O dever não basta. O dever fica sempre à superfície das coisas.
Dedico estas palavras a alguém muito especial. Com esse alguem aprendi a resistir aos meus impulsos destrutivos, fiz da minha vida uma nova esperança.Encontrei nele uma Pátria dotada de compreensão, de carinho e amor. Obrigado por existires.
Dedico estas palavras a alguém muito especial. Com esse alguem aprendi a resistir aos meus impulsos destrutivos, fiz da minha vida uma nova esperança.Encontrei nele uma Pátria dotada de compreensão, de carinho e amor. Obrigado por existires.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
SINTRA
Olho Sintra...Os seus montes as árvores e o vento.
Que o inverno frio, ainda enche de perfumes.
Meu olhar ao longe, só procura só quero.
As ternuras obscuras de amor, no momento.
Sintra, vejo a selvagem vegetação como um grito puro.
Será a pureza e a força da natureza.
Em sonho e presença, e o conhecimento do amor.
O céu vermelho arde, da cor secreta da tarde.
Onde meus passos seguem, na bruma da estrada.
Há instantes de força e de verdade.
Oiço o cantar de um deus que me embala.
Enchendo meu corpo de sól e de saudade.
Trazer para fora o maravilhoso orvalho.
Alimentando o vazio como o fogo.
Enquanto as sombras dissolvem a noite e o dia.
minha alma acorda, na mesma luz da aurora.
Mas como és belo, amor, de não durares.
E se quebram meus braços, no teu suor.
Ninguém o dá senão por um momento.
Que o inverno frio, ainda enche de perfumes.
Meu olhar ao longe, só procura só quero.
As ternuras obscuras de amor, no momento.
Sintra, vejo a selvagem vegetação como um grito puro.
Será a pureza e a força da natureza.
Em sonho e presença, e o conhecimento do amor.
O céu vermelho arde, da cor secreta da tarde.
Onde meus passos seguem, na bruma da estrada.
Há instantes de força e de verdade.
Oiço o cantar de um deus que me embala.
Enchendo meu corpo de sól e de saudade.
Trazer para fora o maravilhoso orvalho.
Alimentando o vazio como o fogo.
Enquanto as sombras dissolvem a noite e o dia.
minha alma acorda, na mesma luz da aurora.
Mas como és belo, amor, de não durares.
E se quebram meus braços, no teu suor.
Ninguém o dá senão por um momento.
sexta-feira, janeiro 07, 2005
PRESENÇA
No coração da vida e para além da vida.
No meu coração dos ritmos secretos.
Sonho e presença, de uma vida florindo.
A presença da pureza e a força do amor.
Vida crescendo, possuida e suspensa.
Tudo se irá perder do milagre da vida.
Das coisas que eu amaria e, seriam só minhas.
Presença, e o gesto luminoso de dois braços.
Do sofrimento esquecido, pela paz do amor.
Entranhas perfeitas, pura e harmoniosas.
Banhando em prantos os horizontes do louvor.
Mas não detenho a lei da vida que foge.
Perdida, sem saber se caminho, ou deliro.
Amor perfeito dado a um ser humano.
E semente que quero ou não sei se quero.
Das forças amarradas a mim mesma.
Eu quero caminhar como quem dorme.
Por muito que eu te chame ou persiga.
A vida me divide, o tempo me corta.
A vida me separa, onde o mar respira.
No meu coração dos ritmos secretos.
Sonho e presença, de uma vida florindo.
A presença da pureza e a força do amor.
Vida crescendo, possuida e suspensa.
Tudo se irá perder do milagre da vida.
Das coisas que eu amaria e, seriam só minhas.
Presença, e o gesto luminoso de dois braços.
Do sofrimento esquecido, pela paz do amor.
Entranhas perfeitas, pura e harmoniosas.
Banhando em prantos os horizontes do louvor.
Mas não detenho a lei da vida que foge.
Perdida, sem saber se caminho, ou deliro.
Amor perfeito dado a um ser humano.
E semente que quero ou não sei se quero.
Das forças amarradas a mim mesma.
Eu quero caminhar como quem dorme.
Por muito que eu te chame ou persiga.
A vida me divide, o tempo me corta.
A vida me separa, onde o mar respira.
terça-feira, janeiro 04, 2005
CURA
Não sou curandeira, não curo ninguém.
Vejo-me a mim própria como um passo no caminho da aotodescoberta.
Sem a certeza se chego lá.
Quero ser justa, mas começo a esconder-me de mim mesma.
E nem sequer sei quem realmente sou.
É apenas o que faço, e vejo meu coração a fraquejar.
Sinto-me perdida sem saber onde caminhar.
Entre Deus ou entre a humanidade.
Aqui, deposta finalmente a minha imagem.
Tudo o que sou e tudo o que é passagem.
Eu sou livre aqui - eco do meu rio.
Aqui sou eu o que dou, e em tudo o que amei.
Quando meu corpo apodrecer e eu for morta.
Outros amaram as coisas que eu curo, que eu esqueci.
E os meus cabelos dourados brilharão.
Caminharei contigo, com aquilo que penei.
Não pelos incertos actos que vivo.
Esperãnça e desespero me servem de alimento.
Mas, como usar o teu amor de entendimento.
Dá-me a cura, longe de razões é meu tormento.
Quando minha alma voa, cega de aves presas.
És o amor a florir de mil pomares.
Eu sou como um relógio no vazio.
E de eu te possuir sem tu te dares.
Cura-me...dissolve a noite e o dia.
Vejo-me a mim própria como um passo no caminho da aotodescoberta.
Sem a certeza se chego lá.
Quero ser justa, mas começo a esconder-me de mim mesma.
E nem sequer sei quem realmente sou.
É apenas o que faço, e vejo meu coração a fraquejar.
Sinto-me perdida sem saber onde caminhar.
Entre Deus ou entre a humanidade.
Aqui, deposta finalmente a minha imagem.
Tudo o que sou e tudo o que é passagem.
Eu sou livre aqui - eco do meu rio.
Aqui sou eu o que dou, e em tudo o que amei.
Quando meu corpo apodrecer e eu for morta.
Outros amaram as coisas que eu curo, que eu esqueci.
E os meus cabelos dourados brilharão.
Caminharei contigo, com aquilo que penei.
Não pelos incertos actos que vivo.
Esperãnça e desespero me servem de alimento.
Mas, como usar o teu amor de entendimento.
Dá-me a cura, longe de razões é meu tormento.
Quando minha alma voa, cega de aves presas.
És o amor a florir de mil pomares.
Eu sou como um relógio no vazio.
E de eu te possuir sem tu te dares.
Cura-me...dissolve a noite e o dia.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
GRITO
Ah...se o destino no amanhã permitir.
Eu sumir de todos os cantos do mundo.
Deixar de sentir um amor tão forte e profundo.
Chegar ao meu tejo extasiada e nua.
Poder me unir ao rio, ao vento e á lua.
Contemplo a terra os montes e as estrelas.
Que meu coração se encha de perfumes, e não de angustia.
Que o rio me traga o que procuro.
A exaltação das ondas, no rio profundo.
Descendo suas aguas com os astros.
E meu grito sumindo, meu espírito no fundo.
Eu sumir de todos os cantos do mundo.
Deixar de sentir um amor tão forte e profundo.
Chegar ao meu tejo extasiada e nua.
Poder me unir ao rio, ao vento e á lua.
Contemplo a terra os montes e as estrelas.
Que meu coração se encha de perfumes, e não de angustia.
Que o rio me traga o que procuro.
A exaltação das ondas, no rio profundo.
Descendo suas aguas com os astros.
E meu grito sumindo, meu espírito no fundo.
domingo, dezembro 26, 2004
PAIXÃO
Abro meu espírito...solto um gemido.
E deixo transparecer o que sinto...por onde for.
Quando chego ...onde estarás.
Impetuosa melâncolia encontra paz.
Força agonizante de querer , e não querer.
E o quanto te quero, não é pouco.
Declaro, por ti meu gostar louco.
É paraíso de sentimentos, emoção bastante.
Calada no espaço, chegando mais perto.
Sonhos sentidos, envolvidos do tempo.
Teu é o meu sentir de coração aberto.
Sentimentos, carinhos lances de momento.
Tua pele transpira, meu corpo adere.
Sedução no amor é tentador.
Deslizo minhas mãos, na loucura do desejo.
Provocam emoções , alcançam beijos.
Chão de estrelas, caminho no meu jardim.
Sob tempestades de pétalas macias.
Em cenário de amor pintado.
Son de harpas é por amantes, absorvido.
E deixo transparecer o que sinto...por onde for.
Quando chego ...onde estarás.
Impetuosa melâncolia encontra paz.
Força agonizante de querer , e não querer.
E o quanto te quero, não é pouco.
Declaro, por ti meu gostar louco.
É paraíso de sentimentos, emoção bastante.
Calada no espaço, chegando mais perto.
Sonhos sentidos, envolvidos do tempo.
Teu é o meu sentir de coração aberto.
Sentimentos, carinhos lances de momento.
Tua pele transpira, meu corpo adere.
Sedução no amor é tentador.
Deslizo minhas mãos, na loucura do desejo.
Provocam emoções , alcançam beijos.
Chão de estrelas, caminho no meu jardim.
Sob tempestades de pétalas macias.
Em cenário de amor pintado.
Son de harpas é por amantes, absorvido.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
NATAL
Abri a porta e caminhei, na nitidez da magia do real.
A mesa do banquete era coroado de rosas e de mirto.
no canto eu estava memorando os meus dias.
E da magia daquela noite, minhas lágrimas celebrava.
Estava consciente e não dormia, das mãos finas meu pranto escorria.
Enquanto as imagens degastadas pelo tempo da minha mente.
Quaze cansei de esperar por ti!...pois lá não estavas.
Natal, quando se ergue o canto.
E minha memória sequiosa das desventuras.
Querendo vir à tona, em procura da parte que não tive.
E no meu triste instante, e vi a noite estrelada, calada.
Eu estava sentada olhando a luz divina, era o meu delírio.
Nunca destingui o vivido do não vivido do Natal.
Era o desfilar real dos meus sonhos e dias.
A linha musical do encatamento surgiu.
E a árvore era o meu alimento e tua luz.
E da pausa mágica da noite, eu celebrava o Natal.
No desejo de sufrir anos de distãncia em horas de harmonia.
E em redor da mesa celebrei a festa.
Do instante que meus olhos brilhavam entre rostos.
E a luz da vela se apagou, e se foi a magia com o novo dia.
Hoje transitei em sentimentos em andanças, derramadas no meu corpo e minha alma...ardentes emoções, e entre sussurros envolventes...minha pele se arrepia, ao captar amor em todos os movimentos, e esquecer o passado de muitos Natais.
A mesa do banquete era coroado de rosas e de mirto.
no canto eu estava memorando os meus dias.
E da magia daquela noite, minhas lágrimas celebrava.
Estava consciente e não dormia, das mãos finas meu pranto escorria.
Enquanto as imagens degastadas pelo tempo da minha mente.
Quaze cansei de esperar por ti!...pois lá não estavas.
Natal, quando se ergue o canto.
E minha memória sequiosa das desventuras.
Querendo vir à tona, em procura da parte que não tive.
E no meu triste instante, e vi a noite estrelada, calada.
Eu estava sentada olhando a luz divina, era o meu delírio.
Nunca destingui o vivido do não vivido do Natal.
Era o desfilar real dos meus sonhos e dias.
A linha musical do encatamento surgiu.
E a árvore era o meu alimento e tua luz.
E da pausa mágica da noite, eu celebrava o Natal.
No desejo de sufrir anos de distãncia em horas de harmonia.
E em redor da mesa celebrei a festa.
Do instante que meus olhos brilhavam entre rostos.
E a luz da vela se apagou, e se foi a magia com o novo dia.
Hoje transitei em sentimentos em andanças, derramadas no meu corpo e minha alma...ardentes emoções, e entre sussurros envolventes...minha pele se arrepia, ao captar amor em todos os movimentos, e esquecer o passado de muitos Natais.
NINA
NINA, aprendeu a facilitar as coisas, chorava em silêncio para ninguem ouvir. Se tinha fome dizia que não, se tinha dores apenas esboçava um sorriso, facilitava as coisas para ela mesma e para os outros.
Aprendeu a sorrir, a achar graça nas coisas que a magoavam. Assim superou o sofrimento e resolveu olhar a vida, e as pessoas e os problemas com mais serenidade, e amor.
Comemorava com alegria, as suas façanhas, por menor que elas fossem, sentia-se todo o dia uma guerreira, e sabia e acreditava que a vida seria cheia de espinhos, mas tudo o que ela precisava para ser feliz estava junto com ela.
Por amor a Deus, e às pessoas, fazia tudo o que podia, pois tinha a certeza que Deus completaria o seu trabalho com muito amor. Foi crescendo, e sabia que tinha que ser ponderada, e cheia de pausas para uma reflexão e para comunhão. Ela sentia que fora criada no universo, para compreender a vida e as pessoas, e que a sua vida era um passaporte para uma vida muito melhor, teria que perdoar, compreender sem julgar. E se necessário ir até aos impossíveis.
Seu sofrimento e suas lágrimas seriam pétalas do seu coração, era assim que ela queria viver, para ser feliz.
Aprendeu a sorrir, a achar graça nas coisas que a magoavam. Assim superou o sofrimento e resolveu olhar a vida, e as pessoas e os problemas com mais serenidade, e amor.
Comemorava com alegria, as suas façanhas, por menor que elas fossem, sentia-se todo o dia uma guerreira, e sabia e acreditava que a vida seria cheia de espinhos, mas tudo o que ela precisava para ser feliz estava junto com ela.
Por amor a Deus, e às pessoas, fazia tudo o que podia, pois tinha a certeza que Deus completaria o seu trabalho com muito amor. Foi crescendo, e sabia que tinha que ser ponderada, e cheia de pausas para uma reflexão e para comunhão. Ela sentia que fora criada no universo, para compreender a vida e as pessoas, e que a sua vida era um passaporte para uma vida muito melhor, teria que perdoar, compreender sem julgar. E se necessário ir até aos impossíveis.
Seu sofrimento e suas lágrimas seriam pétalas do seu coração, era assim que ela queria viver, para ser feliz.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
ROSTOS
Com paredes vazias, silêncios e penunbras.
Lembro rosto de gente e de paciência sofrida.
que a miséria contida longamente desenhou.
E pelos seus rostos iguais ao sol e ao vento.
Quebro meu rosto e vejo-me a mim.
Vejo rostos que o coração já não bate.
O tempo é escuro cheio de sangue e saudade.
Onde minha alma se compadeça.
de mim do meu chorar e do meu canto.
pela cor e pelo peso das minhas palavras.
Donde se erguem imagens do silêncio deslumbradas.
Me dói o espírito, me rouca o mar.
Pela nudez das palavras machucadas.
Lembro rosto de gente e de paciência sofrida.
que a miséria contida longamente desenhou.
E pelos seus rostos iguais ao sol e ao vento.
Quebro meu rosto e vejo-me a mim.
Vejo rostos que o coração já não bate.
O tempo é escuro cheio de sangue e saudade.
Onde minha alma se compadeça.
de mim do meu chorar e do meu canto.
pela cor e pelo peso das minhas palavras.
Donde se erguem imagens do silêncio deslumbradas.
Me dói o espírito, me rouca o mar.
Pela nudez das palavras machucadas.
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