sexta-feira, fevereiro 16, 2007

PENSO

Hoje o dia está frio.
O vento e a chuva bate nas vidraças com força.
E eu tento proteger-me.
Refugiando-me no meu abrigo.
E tento lembrar do que fui.
Do meu passado e do meu futuro.
Com carinho e prometo no silêncio.
Do meu sentir que...
Tentarei estar perto de todos aqueles que amo.
Nunca os deixarei sózinhos.
Mesmo que sinta o meu coração.
Cansado e em pedaços.










Tentarei pensar em mim, em ti em nós.
Sem cometer enganos.
Prometo fazer planos e acreditar.
Que o vento forte levará para longe.
As difículdades e as dores.
E com sensatez tentarei enfrentar.
Um dia de cada vez!

Tentarei pensar em mim e em ti como...
Um ombro amigo cada vez mais forte.
E mais segura que um dia.
O vento acalmará.
E o sol voltará a brilhar.
E no meio das minhas inseguranças.
Conseguirei construir um porto de abrigo.
Para todos que amo.

Tentarei pensar em mim e em ti.

E aperceber-me que tudo nesta vida.
É passageiro e tentar encontrar .
De uma forma suave a verdade.
Para que tudo o que sinto.
Porque sei que uma mentira.
Não se esconde uma vida inteira.
E eu já desisti de mentir para mim.
Para ti.

Não sei o tempo de amanhã.
Mas tentarei pensar em mim em ti.
E sonhar que um dia tudo será mais fácil!

Mas mesmo assim quero que saibas que nunca...
Desistirei de pensar em mim, em ti.
Em nós e com ternura.
Afastaremos ventos e tempestades.

Tentarei pensar em mim, em ti.
Em nós!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Poema de amor

O simples olhar de um poema de amor.
Pendurado na parede.
Sobrevive ao tempo esquecido.
Esqueci de esquecer a dor.
Da sobrevivência deste poema.
A ingratidão do ser humano.
É sentir na alma as lágrimas do coração.
Um poema que sobrevive nas quatro paredes.
Que me rodeiam, confortando-me.
Com um simples olhar.
Este poema existe em mim

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

FRÁGIL (idade)

Alguém que me guarde no bolso...No silêncio do vazio de dentro.
Não consigo. Não consigo. Quebram-me as asas no escuro, sem dizer nada. O olhar fixo no impossivel e..Sei tanto ou tão pouco do abandono! As nuvens que se desfazem...Sempre soube que não deveria correr atrás da sombra.
Agora, esgotam-se as horas, esgota-se o tempo. O mesmo tempo que decidi correr para ti e...Não deste conta.
Rasgo as páginas onde escrevo. Pinto de preto as folhas brancas reservadas para as ondas dos teus olhos. Sintra...Sintra fecha as portas, tranca-me. Não quero mais que me roubem as paredes...Está frio. Um frio que cresce...Cresce nas lágrimas que não caem...Prometeste lambê-las.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

MEDOS

Lançaram-me um desafio...Falar dos meus medos. São só uns muitos...
Medo da solidão: Poderia dizer que este sem dúvida o que mais me rouba o sono. E o que mais me mergulha nele também. Não sei combatê-la...Se a procuro não a tenho, se a tenho, esfaqueia-me.
Medo de perder a sensibilidade: Assusta-me a ideia de não conseguir chorar, sorrir, amar, extasiar...Sentir! Assusta-me ainda mais porque já provei o amargo sabor da vida à deriva.
Medo de perder a minha liberdade: A pouca que tenho. A que me resta. Não gosto que me fechem as portas, que me quebrem as asas. Por algum motivo não suporto pássaros engaiolados...preciso de respirar fundo para resistir à tentação de lhes abrir a gaiola.
Medo de fraquejar: E este é um medo que me deixa imóvel. Estática. O saber que posso por algum motivo não ter forças para caminhar...Assombra-me bastantes vezes. Mas já começo a saber-lhe as manhas.
Medo da incompreensão e dos falsos julgamentos: Não gosto que me entendam mal e principalmente, que não me deixem explicar. Se há uma coisa que me irrita é que me analisem apenas por uma vertente...As coisas desmontadas às peças perdem a magia. Por este motivo, dou sempre bastante espaço para que os outros se revelem, no seu devido tempo, na medida que quizerem...
Medo que me quatifiquem os sentimentos: O que sente, sente-se! Medo da doença: Partilho-o com a maioria dos mortais...
E já chega...Mais não digo!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

DEVANEIO

Saudade do que não tenho, Saudade do que nunca tive... A tua ausência começou a inundar-me o chão. Conheço esta sensação...Cresce com os silêncios prolongados, amargos, de desejo inútil, de suspiros de vento perdidos e achados em bocas alheias a nós.
Chove, gosto da chuva...Fecho e abro a Janela para ver chover. Os meus dedos pesam...Afundam-se na pele. Nas tuas palavras...As que nunca ouvi da tua boca, as que se desenham sem saber porquê no meu sonho. Cansada da languidez do momento...Do fraco sustento, do lamento trémulo alimentado pelo sopro. Um dia, quando focares o fundo dos meus olhos verás a tua imagem.
Abraço-te, no eco profundo do toque e mergulho nas águas azuis de sal. Nunca espelham a melancolia das ondas...Nunca.
Chove...deixa chover.
Esta noite vou sair sem corpo à rua, deixá-lo na cama aquecida de sangue fraco e buscar a seiva dos troncos verdes com que te alimentas...
Faltas-me onde nunca estiveste.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Escrevo para não enlouquecer

Deambulo pela casa, leio, assisto a um filme evitando assim dormir. Já entro pela madrugada dentro. E evito dormir, penso se voltarei a sonhar com aquela personagem...Quando a esquecerei? As minhas unhas de verniz claro revelam o meu estado de alma. Este claro roído reflecte o meu sofrimento de estar longe de algo que me atormenta.
A confusão reina nestes pensamentos embaraçados, tanto pela estranheza, como pelo facto de saber que estou como decidi estar e que não fiz bem.
Quem sabe? Os acontecimentos tomam lugar por motivos fortes, mas à distância do tempo, tornam-se inacreditáveis... Não consigo encontrar uma explicação que me acalme o espírito deveras apaixonado. Sei que eu decidi, mas agora pergunto-me: Porquê? Porque é que este sopro move árvores, águias, ventos e fogo se, quando atinge o que tanto desejara, acalma e monotoniza...Será que é um mito? É um mito tudo isto? Sou eu que invento um mito e sofro com uma ilusão? Onde estão os meus sonhos quebrados agora pela realidade da vida?
Não acredito que sou mais uma Portuguesa frustrada por não ver um cavalo branco surgir no nevoeiro matinal.
Só encontro uma justificação. Eu quebrei imensas regras. Traí-me por vezes a mim mesma...E agora que tento corrigir, sofro...uma dor que se acalma, mói e depois torna-se aguda...como agora. Agora que é tarde e o frio aperta. Ah lindas tardes...que belas tardes passo e passei eu contigo. Sim, tu, que apesar de te dirigir a palavra estás ausente, não me respondes. Eu só queria ser tua amiga. Não!!... Eu tua amiga já sou. Queria era ver o nascer do sol contigo, numa altura que tanto preciso. Não quero revoltar-me contra a vida, nem contra ti, mas as circunstâncias assim mandam.
A vida e o amor seria mais simples se fossemos autistas... racionais. Apenas isso.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Abandono

Na triste história.
Das misérias de uma vida.
Fui Rainha.
Jogada às traças no meu próprio castelo.
Acorrentada.
Perseguindo vagalumes.
E palavras de duas pontas.
Prontas pra cortar os fios.
Que movem estas pernas.
E fazem a Rainha dançar.
Esperando o cadafalso se abrir.
Para conquistar a existência em tua atenção.
Quando ao ar chutar estes ossos.
E tu aplaudires.

Quem me amou abandonou-me.
Quem me protege.
Deixou entrar a doença em meu quarto.
E quem me quer bem.
Fez notar a indiferença frente ao meu corpo.
Deslizando à queda sem fím...
Quem me dera desaparecer.
Antes de questionar

terça-feira, janeiro 23, 2007

ESPECIAL

Querido

Muita gente diz que o tempo é inimigo do amor, que as relações se desgastam com o passar dos meses e anos. Mas, isso não é verdade, pois vêm os dias, as noites, mudam as luas e as estações e eu continuo a amar-te com a mesma paixão de quando te conheci.
Na verdade, sinto como se o tempo reforçasse os nossos sentimentos a cada dia, como se os laços que nos unem estivessem mais estreitos e firmes a cada minuto. E melhor é que esses laços apertados não nos oprimem nem limitam os nossos movimentos, não nos retiram a liberdade individual mas, pelo contrário, dão-nos a sensação exacta da grandiosidade do amor, este sentimento que permite que te completes no outro sem deixares de ser tu mesmo!
Eu amo-te. Cada vez mais e mais a cada dia, porque sei que juntos somos capazes de vencer todas as barreiras, de vencer as horas com alegria e de voar sobre as asas do tempo, sugando os bons ares da experiência que ele proporciona, e tornando-nos cada vez mais confiante na eternidade deste sentimento que nos une.
Mesmo tendo a certeza de que este amor é para sempre, ainda sim quero dizer-te que valorizo cada minuto que passamos juntos, como só tenho boas recordações de todos os momentos que já desfrutamos ao longo deste nosso feliz relacionamento.
Um beijo da.

Nina

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Saber amar e saber perdoar

Por vezes existe como uma mágoa secreta que nos persegue, e que vai espalhando as suas raízes na nossa profundidade interior, perturbando-nos e retirando-nos a serenidade, devido a algum ressentimento aguardado, alguma ofensa engolida, alguma perda sofrida que não fomos capazes de superar.
Muitas vezes as nossas ansiedades tranformam-se em medos ou fobias, em preocupações ou frustrações, em traumas e inseguranças, geradoras de mal estar, que desequilibram emocional e afectivamente. Por isso sentimo-nos desgastados, vulneráveis, fragilizados...sem energia e, por vezes, até mesmo escravizados.
Só na medida em que formos capazes de amar a realidade que nos feriu, atravéz de um vivo sentimento de perdão, seremos capazes de voltar ao estado de paz original, que saudosamente recordamos, em vezes de remoermos o que nos aconteceu, o que leva à magoa.
O perdão é libertador e tem um poder terapêutico enorme, capaz de fazer experimentar o gosto da alegria de nos sentirmos libertos, autónomos, autênticos, assertivos e, por isso, felizes. Não podemos permitir que os nossos males passados nos continuem a deixar prostrados e nos roubem o entusiasmo pela vida, tornando-nos pessoas azedas e frias, quando temos uma vida para nos fazer apaixonar.
Devemos apaixonar-nos por cada instante do quotidiano, pelo brilho do sol, ou pelas ondas do mar, pelo encanto das manhãs radiosas, ou pelo mais belo pôr-do -sol...pelo sorriso ou pelo toque que partilhamos, pela palavra que escutamos ou dizemos, pelo abraço que nos faz sentir bem, pela ternura que sentimos e fazemos sentir...
A vida tem que ser acolhida, recebida, criada e recriada em cada instante, de forma a torná-la mais completa e saudável, cultivando a sua aceitação, através de uma apredizagem feita de avanços e recuos, valorizando sempre o aqui e agora. A aceitação dos factos inevitáveis não nos deixa gastar energias inutilmente e permite-nos agradecer o que a vida dá tornando-a mais fluida e positiva, olhando e valorizando o que temos e não desejando o que é dos outros.
O perdão libertador, nascido num coração que sabe amar verdadeiramente, é tanto mais fácil e autêntico, quanto maior a capacidade de amar e mantém aberta a porta por estar, dando graças.
Esta gratidão pelo dom da vida que gratuitamente, nos foi dado por Deus, abre-nos as portas ao principio da partilha dos nossos talentos, postos render em nosso serviço e ao serviço dos outros.

Aqui escrevo o que realmente me vai na alma. Que todos possam ser felizes para todo o sempre, porque o ontem não voltará, e o amanhã talvez não chegará.

Dedico estes pensamentos, a alguém muito especial. Alguém que não está entre os vivos, mas seu espírito anda sempre por perto. Sua protecção , seu carinho e amor, fazem-me sentir uma pessoa especial. Essa pessoa é minha mãe...estes pensamentos eram os dela.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Os melhores momentos

É Natal. Estamos chegando a um começo de um novo ano. Abro a minha caixa dourada, onde leio as minhas palavras escritas durante o ano, quando falo com Deus?

Cada frase escrita representa um dia, e tudo o que desejo nesse mesmo ano.

-Rir até doer a barriga.
-Encontrar milhares de mails dos amigos.
-Passear por algum lugar lindo.
-Escutar a canção favorita da radio.
-Deitar na cama e ouvir a chuva lá fora.
-Sair do duche e ter a toalha quente.
-Receber uma chamada de alguém que não vejo hà muito tempo.
-Uma boa conversa.
-Encontrar dinheiro nos livros que não leio há muito tempo.
-Rir de mim mesma.
-Rir sem motivos.
-Escutar acidentalmente que alguém fala bem de mim.
-Acordar e dar conta que ainda posso dormir um par de horas.
-Escutar a canção que me recorda"aquela pessoa especial".
-Fazer parte de uma boa equipa.
-O primeiro beijo.

-A primeira vez de algo signifcativo.
-Fazer novos e bons amigos.
-Sentir cócegas na barriga cada vêz que vejo a tal " pessoa".
-Passar um bocado com os melhores amigos.
-Ver felizes as pessoas que amo.
-Sentir o perfume da pessoa que amo.
-Ver um velho amigo e sentir que as coisas mudaram.
-Olhar um pôr do sol.
-Ter alguém que me diga todos os dias que me ama.


O dinheiro ajuda , mas não traz felicidade. Como explicar o amor.
Ele está dentro da minha caixa dourada? Dentro do meu coração.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

PERGUNTAS

Quando regresso mentalmente à casa, vejo-a suspensa na luz da madrugada. É ainda Outono porque, o sob a tepidez dos primeiros raios, o solo começa a fumegar e a neblina vai subindo. Vejo-a sempre de cima e de longe, como um pássaro em voo; aproximo-me lentamente e observo as janelas - quando estão abertas, quando estão fechadas - , verifico o estado do jardim, o arame da roupa, a ferrugem do portão da quinta; não tenho pressa de descer, é como se quizesse confirmar que aquela casa é realmente a minha casa, que aquela história é a minha história.
Por que razão havia duas coisas na natureza que se assemelhavam de uma forma tão impressionante? Por que é que uma coisa remetia para outra? Seria uma lei do universo, ou apenas uma loucura, um instante de distracção não controlada?
O chão à minha volta estava coberto de nozes, as chuvas abundantes tinham transformado a casca verde de Junho numa papa escura; bastava esfregá-la com o polegar para ver aparecer a casca. Dura, mas não o bastante para escapar às patas rosadas dos esquilos, aos seus dentes de marfim, ao bico das gralhas cinzentas, dos corvos, das pegas, dos gaios; dura, mas não o bastante para se esquivar às minhas perguntas.
Porque aquela nogueira - que existia e deixara de existir - era o meu espelho, o primeiro espelho da minha vida. De joelhos na terra ferida, debruçada para aquela cova, imersa na luz sinistra da Lua, com uma semente na mão e o coração aparentemente vazio, percebi de repente que ao longo dos meus dias não construiria palácios, nem fortunas, mas sim constituiria família.
Enquanto uma pinha de cedro caía com estrondo no chão ao meu lado, vi nitidamente que o caminho que se abria à minha frente era o caminho intransitável e permanentemente solitário das perguntas.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

IMAGEM

Enquanto empurrava o carrinho do supermercado, olhava para os rostos esbranquiçados sob as lâmpadas de néon e pensava: que tipo de vida tem sentido? qual é o sentido da vida? comer? sobreviver? reproduzirmo-nos? É o que fazem os animais. Nesse caso, porque é que andamos sobre duas patas e nos servimos das mãos? Porque escrevemos poemas, pintamos quadros, compomos sinfonias? Só para dizer que a barriga está cheia e copulámos o suficiente para garantir descendência.
Nenhum ser humano deseja vir ao mundo. Um belo dia, sem termos sido interpolados, damos por nós em cima do palco, alguns conseguem o papel de protagonistas, outros são meros comparsas, outros ainda saem de cena antes do fínal do acto, ou preferem descer do palco e assistir ao espectáculo na plateia - preferem rir, chorar ou aborrecer-se, de acordo com o programa do dia.
Apesar dessa violência evidente, uma vez nascidos, ninguém quer sair deste mundo. Porquê? parece-me um paradoxo: não peço para vir ao mundo, mas uma vez no mundo, não quero ir-me embora. Qual será então o sentido da responsabilidade individual? sou eu que escolho, ou souescolhida?

Por conseguinte, o verdadeiro acto de vontade - aquele que eleva o homem e o distingue dos animais - será a decisão de se ir embora? Não escolho vir ao mundo, mas posso escolher o momento de dizer adeus. Não foi da minha vontade descer, mas é da minha vontade subir.
Mas descer de onde e subir para onde? Haverá um em cima e um em baixo? Ou haverá apenas um vazio total e pneumático?
Depois da tua morte, a imagem que mais me vinha à ideia, a respeito da casa, era a de uma concha. Ainda eu não tinha quatro anos, deste-me uma, ainda me lembro da tua voz quando a encostaste ao meu ouvido: Estás a ouvir? É o ruído do mar...
Por uns instantes, fiquei a ouvir, mas, de repente, desatei num daqueles choros excessivos e infindáveis que te assustavam e irritavam. - Porque choras? O que foi? - repetias-me.
Não conseguia responder-te, não podia dizer-te que o que estava dentro da concha não era o mar, mas o gemido dos mortos, aquele sopro insólito era a sua voz, uma voz que me chegava aos ouvidos com toda a violência do que não se exprime, e depois passava para o coração e o comprimia até o fazer explodir.
Os habitantes da minha casa tinham tido o mesmo destino: tinham morrido quaze todos e o vento passara, polindo-lhes a memória. E eu andava, sózinha, por entre as curvas em espiral, e havia momentos em que me parecia estar a perder-me num labirinto. Outras vezes, porém, percebia que só lá dentro, só procurando, cavando e escutando, é que eu poderia compreender quem eu era realmente.
O vento também era uma voz, transportava os suspiros dos mortos, os seus passos e as coisas que entre eles não tinham sido ditas.
Sozinha naquela casa de paredes cada vez mais lisas, cada vez mais transparentes, comecei a pensar na jovem mulher da fotografia, envolta numa nuvem de fumo. Tentava lembrar-me do tom da sua voz ou do calor da sua mão, de qualquer coisa que nos pudesse ter unido antes do seu desaparecimento.
Gostaria de saber tudo acerca dela, mas já não tinha ninguém a quem fazer perguntas. Todos se fechavam como ostras.
Como era, quem era, que gostos tinha e, sobretudo, porque me tinha trazido a este mundo?
Comecei a chamar por ela , vagueando pelo quarto dela vazio. Tinha vergonha de prenunciar aquele nome, parecia-me uma espécie de traição para com ela: Durante trinta e longos anos tinha dito "Cândida" e agora, de repente, queria dizer apenas "mãe".

quarta-feira, novembro 29, 2006

RENASCI

Vagueando desde o princípio dos tempos pela mais escura das noites, sentindo o frio mais enregelado e perseguida por uma fome e sede eternas, eis que algo em mim me indica uma direcção para onde olhar. Lá bem longe, onde a vista se esforça por tentar alcançar, nota-se o que parece ser um ténue ponto luminoso para onde me dirijo com toda a pressa que o meu cansaço permite. Entre a pressa de a atingir e a dor que nos olhos se vai agudizando pelo aproximar da luz, agora definida como tal, reparo que começo a sentir o que desde hà muito não sentia... um coração que bate, uma sofreguidão de inalar algo a que os meus pulmões aspiram, as dores musculares da passividade do nada fazer enfím um corpo que se sente.
Eis então, que a minha demanda pela luz chega ao fím...mergulho na dor do choque com a luz que me endoidece, esbracejo, tento agarrar-me a algo que me tire a loucura do sítio onde me encontro o onde acabo de chegar. Tacteio, toco, apalpo, sinto...PLATTTTTTTTTT!!!Acabo e sentir uma palmada, uma palmada que me faz gritar a plenos pulmões e enche-me os mesmos de um ar frio mas agradável. Abro os olhos e vejo a sorrir para mim uma deusa, sim, trata-se de uma deusa, de roupas brancas e quaze que transparentes e com um sorriso acolhedor que me dá esperanças de ter chegado a um bom local para deixar de ter medos e de me sentir só.
Sim, hoje renasci e apelo à protecção da deusa para que me acolha no seu seio e proteja-me do mundo onde vim parar...Aiwé Maria, aiwé...

segunda-feira, novembro 06, 2006

Acordar

Acordo no silêncio e nem é a casa, nem é da casa que brota o silêncio. O mar.
também não é do mar que vem do silêncio, não sei se bravo hoje, se atordoante ou se seguro as marés do seu colo. Mas não é do mar que vem o silêncio, de onde vem? preciso de me calar, falo de mais, tenho escrito pouco, mas não deveria escrever nada sobre árvores, homens , e sentimentos. A escrever que escreva sobre o silêncio e o seu ruído vazio. Quem faz esse silêncio que assoma? quem? o mar não é, a solidão também não. De onde vem então? calem-se, calo-me, quero ouvir de onde vem.

terça-feira, outubro 03, 2006

Acima das desilusões

Acima das desilusões. Na vida todos nós enfrentamos desilusões. Nos decepcionamos com amigos, parentes, e até com nós mesmo.
Nos desiludimos quando vemos um sonho se tranformar em pesadelo, um alvo transformar-se numa miragem bem distante, um desejo desaparecer como uma neblina. A desilusão dói, como um ferimento. Atinge a qualquer um, sem acepção.
Mas o importante é saber que novos caminhos podem ser sonhados, e que um dia certamente amanhecerá.
Fomos feitos com a capacidade de sair das cinzas para a glória, do nada para o tudo, da derrota para a vitória.
Como a águia, temos dentro de nós o desejo de voar grandes alturas, portanto também acima das desilusões.
Cada desilusão é um convite a um novo sonho, a uma nova visão de vida.
É um convite a um novo desafio, a um novo caminho...

sexta-feira, setembro 29, 2006

Depois de algum tempo

Depois de algum tempo, eu aprendi a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a minha alma.
Eu aprendi que amar não signifíca apoiar-me, e que companhia nem sempre significa segurança. E começo aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começo aceitar minhas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança.
E aprendo a construir todas as minhas estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair no meio do vôo.
Portanto, plantei meu jardim e decorei minha alma, em vez de esperar que alguém me traga flores.
E aprendi que realmente posso suportar...
Que realmente sou forte e que realmente tenho valor.
Fomos criados por Deus com a incrível capacidade de nos recuperarmos.

domingo, setembro 24, 2006

Uma manhã de domingo

Era o ultimo domingo de Setembro, um dia claro, mas prometia chuva. É frequente nesta altura do ano o esplendor do Verão concentrar-se solenemente uma última vez, as cores do outono comecem a refulgir. As noites arrefecem, o que torna as madrugadas orvalhosas e as manhãs amenas e agradáveis. A folhagem das árvores escureceu, destacando-se contra o céu como cinzelada. Também nas cidades fica mais frio, invade-as uma aragem de luxo e de euforia.
Dentro de casa no Bombarral estava mais fresco, as ruas tinham acabado de ser lavadas pela chuva. A água escorria ainda pelas bermas dos passeios. A vila parecia mais vazia e, por isso mais solene; grande parte das pessoas estavam dentro de casa, ou no café dos arredores. Este passeio na chuva despertavam em mim uma grande ternura. Estava triste, mas afinada como uma corda de um instrumento em repouso que quase não precisa de uma mão - uma brisa, um raio de sol bastariam para fazer-me vibrar. As coisas intactas envolviam-me como um clarão, visível mesmo aos olhos mais embotados .
Fora agradável caminhar pelo lado sombreado do Sobral, um cavalheiro de idade, que avançava lentamente, passou por mim e aflorou-me com o olhar. Ia a prosseguir o seu caminho, mas como se lhe ocorresse uma lembraça, deu meia volta e, levando cortesmente a mão ao chapéu, disse - Então a senhora, anda à chuva, o que a traz a esta hora por aqui, no Sobral.
Embora receie que a minha companhia lhe vá ser maçadora. Por amor de Deus , não se preocupe com isso - tranquilizei-o, ao mesmo tempo que acenava com a mão, e subia em direcção a casa.
Assim se explica que eu na minha simplicidade não tenha sido prejudicada pelos estragos do meu estilo de vida O caminho percorrido com este espírito mostra-me mais uma vez que não se pode perseverar no refinamento.

Coisas de Domingo.

quinta-feira, agosto 24, 2006

DEUS E EU


Cada dia me fazes andar mais por fé.
Pela confiança em Ti.
Cada vez caminho de forma mais livre, sabendo que nada me pode arrebatar de Ti.
Dia a dia vou aprendendo a conhecer-te.
E o mais maravilhoso de tudo isso, é que a grande maioria das vezes, és tu quem toma a iniciativa de o fazer, de me mostrares.
Quantas vezes eu não te busco como deveria, no tempo que Tu merecias.
Mas mesmo assim, tu estás sempre e sempre presente. Tu és sempre fiel.
Saber que me escolheste, que tudo fizeste para me resgatares para Ti.
Faz-me andar nesta terra alegre...uma alegria que não tem nada a ver com as circunstâncias externas. Se fossem por elas, eu andaria triste.
Mas verdadeiramente posso experimentar que a Tua alegria é a minha força!
Obrigado Pai!
Por me escolheres, por me amares, por fazeres de mim um ser livre.

ANOMALIA

Na anomalia, de volver-me todo o dia.
Como quem quer encontrar.
Lucidez onde é loucura;
Desconstruo o que me fiz.
Quando perdi as fantazias...

Um dia virá quando, enfim.
No mergulho mais profundo.
poderei comungar comigo.
A paz de não ser nada.
De não ter nada.
Do nada.

sexta-feira, agosto 18, 2006

O que é a paixão

Um sentimento muito especial. Contraditório, eterno enquanto dure, forte e frágil. A paixão simplesmente acontece! E nos deixa vulneráveis e indefesos.
Os cientistas a descrevem como uma descarga bioquímica que transporta no interior de nosso ser um misto de adrenalina e outras substâncias secretas, que produzem uma confusão inebriante e nos deixa embriagados de amor.
Sentimos uma sensação maravilhosa, a felicidade fica explícita e nos transpõe, o mundo se transforma num colorido especial e tudo parece possível e alcançável.
As variáveis são enormes, possibilitando ainda alusão a caprichos do inconsciente, que buscam na paixão a realização de um desejo não realizado, uma situação desconhecida, evocada num passado distante e, muitas vezes, negado, não importando como, o sentimento é único.
Com aspectos positivos como durante o torpor da visão de um mundo maravilhoso, a sensação de felicidade nos invade e parece realmente não ter fim.
Se for a pessoa que fará da nossa vida um sonho, é como tirar a sorte grande, buscando a intimidade ideal no desabrochar do verdadeiro amor.
Os aspectos negativos aparecem quando, ao findar da mágica, só nos resta a sensação de um sentimento que não se renova, no momento que temos a exacta medida do resultado zero e da verdade do amor cego, que era muito bonito, mas que, quando se torna real, não consegue vislumbrar nenhum atractivo.
A recuperação muitas vezes, é uma das mais perversas e pode necessitar até de acompanhamento psicológico para salvar o que ficou.
O amor se transforma e precisa de cuidados para que o sentimento seja sempre resgatado e possa manter o relacionamento como uma síntese de desejo e afeição.
A paixão, ao contrário do amor, dura intensamente por um tempo muito curto e a estabelização no amor acontece na medida em que os amantes passam a ter uma visão real da verdade do outro.
A maturidade do envolvimento afectivo consegue suportar a frustração de não conseguir ver no outro aquela perfeição ambulante. A difículdade a ser superada se dá quando este sentimento não consegue se reorganizar e o ajuste de um novo relacionamento terá que contar com a realidade mascarada.
Todos nós queremos viver um grande amor e com uma paixão ainda melhor, nem que seja uma única vez...
Valiosos os relacionamentos que, de uma grande paixão, vão caminhando, lentamente se solidificando, sem a dimensão conquista e nem sentimento furacão, mas sólidos e intensos, que como diluindo a paixão a tornam eterna.
Amor e paixão são sentimentos diferentes se definirmos amor como um interesse sincero por uma outra pessoa e paixão como um forte desejo que pretendemos satisfazer.
O amor autêntico dirige-se à outra pessoa. Se necessário, estamos disponíveis a sacrificar o nosso bem estar para fazer com que o outro seja mais feliz. . Enquanto que a paixão pode ser simplesmente uma satisfação egoísta. Portanto se o que uma pessoa sente é paixão, não deve esperar amor em contrapartida.

Estar bem estar carentes, sentir paixão intensa: o importante é não confundir esses dois sentimentos com amor.