Amor é muito mais do que hábito, é sobretudo tempo. E quando se ama, há sempre dúvidas e medos, há sempre uma vontade secreta de outros desejos, de outras viagens, mas vem o tempo e decide por nós aquilo que não somos capazes.
Quando se ama alguém tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. E aprendemos a respirar na espera, a viver nela, afeiçoando-nos a um sonho como se fosse verdade. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que seja possível. E se calhar é por tudo isso que já aprendi a esperar, confiando à vida tudo o que não sei, ou não posso escolher.
É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.
Olho para o futuro e sonho com ele. Diante dos meus olhos desenha-se uma casa, um jardim, oiço o cantar dos pássaros e o riso das crianças; cheira a alecrim e a alfazema, já tenho cabelos brancos que às vezes prendo num carrapito. E ao meu lado, todas as manhãs, acordas devagar, abres os olhos e mergulhas nos meus. Vivemos na mesma casa e partilhamos os mesmos sonhos. Vivemos um presente fácil, porque sonhamos um futuro bom. Vivemos um com o outro e também um para o outro.O tempo é o que queremos fazer dele. Assim como um presente, um presente que podemos desembrulhar todos os dias. E o futuro é a mistura dos dois. Dois em um como duas metades da mesma laranja, num mundo feito à nossa medida, ao sabor dos sonhos. Basta querer.
sábado, junho 02, 2007
segunda-feira, maio 28, 2007
DEPOIS DE ALGUM TEMPO
Já pensaram que a existência humana é tantas vezes assim? Passamos dias, semanas, meses , a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.
Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.
Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o a crescer sózinho, como se o embate que fez cair as peças tivesse o poder de as levantar.
A esta capacidade rara de transformar problemas em soluções e encontrar novos caminhos em encruzilhadas já chamei persistência e sentido de justiça.
Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho, nunca conhecerás outra que acredite tanto na justiça dos seus sonhos e que, por isso mesmo, nunca desista deles.
Cada escravo carrega a chave da sua liberdade. A minha está perdida no fundo do mar. Do meu mar de dúvidas, de solidão, de incertezas, por detrás do meu muro de auto-suficiência onde me escondo, imaginando-me protegida por uma armadura, porque cresci sozinha num mundo que me era estranho e agora se tornou familiar, mas que não faz parte do meu passado nem combina bem com a minha herança genética. Por mais fria que eu tenha me mostrado ao crescer, entregue a mim mesma em colégios austeros de pardes escuras e raparigas fardadas a rigor, por mais fleuma portuguesa e formalidades que me tenham incutido durante esses longos e solitários anos de crescimento e aprendizagem, o meu sangue é português e foi aqui perto que eu nasci. Como acontece a todas as mulheres, Há várias dentro de mim: Há a que sonha em abraçar o mundo e há a que quer um lar e precisa de colo: Há a romântica que sabe tocar a minha alma com enorme cuidado e sensibilidade.Há a cerebral que adora o campo, onde todos pensam que o trabalho está acima de tudo, a emotiva que namora com Sintra e gosta de se perder nas suas ruas estreitas, respirando o ar do oeste, sob o sol que quaze nunca me abandona. Tantas mulheres numa só! E eu sem saber qual quero ser, sem poder escolher...É muito difícil viver assim, sobretudo com a lucidez que sempre me acompanhou, sabendo que todas são verdade, que todas vivem em mim.
A minha chave está perdida, devia tentar encontá-la...Sou assim, gosto de acreditar que tudo pode ser possível, que os meus sonhos, se forem bons para mim e o melhor para o mundo, se podem realizar.
Tenho a sorte de ter nascido um espírito livre. Ou de me ter tornado um espírito livre.
Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.
Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o a crescer sózinho, como se o embate que fez cair as peças tivesse o poder de as levantar.
A esta capacidade rara de transformar problemas em soluções e encontrar novos caminhos em encruzilhadas já chamei persistência e sentido de justiça.
Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho, nunca conhecerás outra que acredite tanto na justiça dos seus sonhos e que, por isso mesmo, nunca desista deles.
Cada escravo carrega a chave da sua liberdade. A minha está perdida no fundo do mar. Do meu mar de dúvidas, de solidão, de incertezas, por detrás do meu muro de auto-suficiência onde me escondo, imaginando-me protegida por uma armadura, porque cresci sozinha num mundo que me era estranho e agora se tornou familiar, mas que não faz parte do meu passado nem combina bem com a minha herança genética. Por mais fria que eu tenha me mostrado ao crescer, entregue a mim mesma em colégios austeros de pardes escuras e raparigas fardadas a rigor, por mais fleuma portuguesa e formalidades que me tenham incutido durante esses longos e solitários anos de crescimento e aprendizagem, o meu sangue é português e foi aqui perto que eu nasci. Como acontece a todas as mulheres, Há várias dentro de mim: Há a que sonha em abraçar o mundo e há a que quer um lar e precisa de colo: Há a romântica que sabe tocar a minha alma com enorme cuidado e sensibilidade.Há a cerebral que adora o campo, onde todos pensam que o trabalho está acima de tudo, a emotiva que namora com Sintra e gosta de se perder nas suas ruas estreitas, respirando o ar do oeste, sob o sol que quaze nunca me abandona. Tantas mulheres numa só! E eu sem saber qual quero ser, sem poder escolher...É muito difícil viver assim, sobretudo com a lucidez que sempre me acompanhou, sabendo que todas são verdade, que todas vivem em mim.
A minha chave está perdida, devia tentar encontá-la...Sou assim, gosto de acreditar que tudo pode ser possível, que os meus sonhos, se forem bons para mim e o melhor para o mundo, se podem realizar.
Tenho a sorte de ter nascido um espírito livre. Ou de me ter tornado um espírito livre.
segunda-feira, março 12, 2007
Primavera
A Primavera deste ano chegou de repente. Ontem o tempo estava maravilhoso, fui até ao Bombarral, seguindo para Peniche, estava tão radiante que, durante a viagem, não consegui estar calada um instante, pela janela via a mesma paisagem que tinha visto à tempos anteriores, mas tudo parecia diferente.
Tenho estado doente vai pra três semanas, nestas três semanas penso mais e mais profundamente do que quando estou a trabalhar.
A semana passada fui sózinha até Sintra, ao passear pelo miradouro do Palácio, pensei que o mais bonito seria morrer nesse instante. Parece estranho, mas a felicidade suprema, tráz sempre consigo este desejo contraditório. Eu estava feliz nesse dia.
Olhei a beleza do Palácio, e nesse instante, tinha a sensação de que estava a caminhar há muito tempo, de que tinha andado durante anos e anos por caminhos escalavrados, pelo matagal; para seguir em frente abrira à paulada uma estreita passagem, avançara e não vira nada do que me rodeava - PARA ALÉM DO QUE ESTAVA DIANTE DOS MEUS PÉS -; Não sabia para onde ia, podia haver um abismo à minha frente, um precipício, uma vila ou o deserto; depois, de repente, o matagal abrira-se, sem reparar tinha subido. Estava em cimo de um monte, o Sol tinha nascido há pouco e à minha frente, com matizes diversos, outros montes desciam para o horizonte; era tudo azul, uma brisa ligeira roçava pelo cume do monte, pelo cume do monte e pela minha cabeça, pela minha cabeça e pelos meus pensamentos. De vez em quando, ouvia-se um rumor lá em baixo, o ladrar de um cão, o sino da igreja. Tudo era ao mesmo tempo leve e intenso. Dentro e fora de mim tudo se tinha tornado claro, já nada se sobrepunha, já nada se interpunha, já não me apetecia descer, embrenhar-me no matagal; queria mergulhar em todo aquele azul e ali ficar para sempre, deixar a vida no seu momento mais sublime. Foi o que pensei até tarde, até ao momento de voltar a encontrar-me com Conceição. No entanto, depois fui para casa. Durante o jantar, não tive coragem para dizer-lhe, tinha medo que ele desatasse a rir. Só já noite avançada, quando ele perguntou o que eu tinha, quando chegou e me abraçou, é que aproximei a boca do seu ouvido para contar-lhe. Queria dizer-lhe: Quero morrer. Contudo, sei o que lhe disse? Não tenho sono.
Tenho estado doente vai pra três semanas, nestas três semanas penso mais e mais profundamente do que quando estou a trabalhar.
A semana passada fui sózinha até Sintra, ao passear pelo miradouro do Palácio, pensei que o mais bonito seria morrer nesse instante. Parece estranho, mas a felicidade suprema, tráz sempre consigo este desejo contraditório. Eu estava feliz nesse dia.
Olhei a beleza do Palácio, e nesse instante, tinha a sensação de que estava a caminhar há muito tempo, de que tinha andado durante anos e anos por caminhos escalavrados, pelo matagal; para seguir em frente abrira à paulada uma estreita passagem, avançara e não vira nada do que me rodeava - PARA ALÉM DO QUE ESTAVA DIANTE DOS MEUS PÉS -; Não sabia para onde ia, podia haver um abismo à minha frente, um precipício, uma vila ou o deserto; depois, de repente, o matagal abrira-se, sem reparar tinha subido. Estava em cimo de um monte, o Sol tinha nascido há pouco e à minha frente, com matizes diversos, outros montes desciam para o horizonte; era tudo azul, uma brisa ligeira roçava pelo cume do monte, pelo cume do monte e pela minha cabeça, pela minha cabeça e pelos meus pensamentos. De vez em quando, ouvia-se um rumor lá em baixo, o ladrar de um cão, o sino da igreja. Tudo era ao mesmo tempo leve e intenso. Dentro e fora de mim tudo se tinha tornado claro, já nada se sobrepunha, já nada se interpunha, já não me apetecia descer, embrenhar-me no matagal; queria mergulhar em todo aquele azul e ali ficar para sempre, deixar a vida no seu momento mais sublime. Foi o que pensei até tarde, até ao momento de voltar a encontrar-me com Conceição. No entanto, depois fui para casa. Durante o jantar, não tive coragem para dizer-lhe, tinha medo que ele desatasse a rir. Só já noite avançada, quando ele perguntou o que eu tinha, quando chegou e me abraçou, é que aproximei a boca do seu ouvido para contar-lhe. Queria dizer-lhe: Quero morrer. Contudo, sei o que lhe disse? Não tenho sono.
domingo, março 04, 2007
Tantos anos
A dor tem vida própria e só o tempo e a generosidade da existência a podem apagar.
Já passaram tantos anos e não sei se o tempo curou a minha tristeza, mas quero acreditar que sim, que o passado não me pode prender, que somos mais fortes do que as nossas desilusões.
Poucas pessoas tiveram na vida tanta companhia como eu; fui criada em colégios internos, ainda hoje tenho os melhores amigos do mundo que me ajudam a pensar, a lamber as feridas, a escolher novos caminhos e a crescer. Mas penso demasiado em tudo, tenho sempre coisas para dizer aos outros e sei que os outros nem sempre têm tempo ou paciência para me ouvir.
Temo que todas as palavras que escrevo não passem de fragmentos de uma confissão. Fico sempre com a sensação que falta o essencial, que o mais importante ficou por dizer.
Preciso de me sentar todos os dias ao computador e escrever, quaze compulsivamente, mesmo que não tenha um livro em mãos. Habituei-me à companhia das palavras, ao silêncio da casa, ao olhar Sintra da minha janela, aos meus discos de música clássica, únicos intrusos admitidos nos momentos de peregrinação interior, que é afinal o que tento fazer quando estou a trabalhar. Não é vontade, é necessidade. É por isso que os músicos tocam, que os pintores pintam, que os escultores esculpem, que os atletas correm: porque precisam. E eu, em criança metia conversa com toda a gente, eu falo com as árvores e com as pedras da rua, preciso de me fechar todos os dias e escrever.
Há muitos anos que não me acontecia isto, pelo menos de uma forma tão intensa e inequívoca. Talvez a minha visão seja demasiado poética, exagerada, mas a vida é isto mesmo, ou se vive sem limites, ou então não vale a pena.
Se calhar sou doida, sofro da mais antiga enfermidade do ser humano e que ainda nenhum cientista se lembrou de diagnosticar, estudar e classificar como patologia: Não sei viver com gente fingida, preciso que me amem, para viver sem me deixar engolir pela realidade, sem sentir que estou a lutar para me manter à tona.
Não sei que espécie de caminhante sou, para onde vou, não sei. Sei que há uma força estranha que me faz correr, para onde não devo.
Já passaram tantos anos e não sei se o tempo curou a minha tristeza, mas quero acreditar que sim, que o passado não me pode prender, que somos mais fortes do que as nossas desilusões.
Poucas pessoas tiveram na vida tanta companhia como eu; fui criada em colégios internos, ainda hoje tenho os melhores amigos do mundo que me ajudam a pensar, a lamber as feridas, a escolher novos caminhos e a crescer. Mas penso demasiado em tudo, tenho sempre coisas para dizer aos outros e sei que os outros nem sempre têm tempo ou paciência para me ouvir.
Temo que todas as palavras que escrevo não passem de fragmentos de uma confissão. Fico sempre com a sensação que falta o essencial, que o mais importante ficou por dizer.
Preciso de me sentar todos os dias ao computador e escrever, quaze compulsivamente, mesmo que não tenha um livro em mãos. Habituei-me à companhia das palavras, ao silêncio da casa, ao olhar Sintra da minha janela, aos meus discos de música clássica, únicos intrusos admitidos nos momentos de peregrinação interior, que é afinal o que tento fazer quando estou a trabalhar. Não é vontade, é necessidade. É por isso que os músicos tocam, que os pintores pintam, que os escultores esculpem, que os atletas correm: porque precisam. E eu, em criança metia conversa com toda a gente, eu falo com as árvores e com as pedras da rua, preciso de me fechar todos os dias e escrever.
Há muitos anos que não me acontecia isto, pelo menos de uma forma tão intensa e inequívoca. Talvez a minha visão seja demasiado poética, exagerada, mas a vida é isto mesmo, ou se vive sem limites, ou então não vale a pena.
Se calhar sou doida, sofro da mais antiga enfermidade do ser humano e que ainda nenhum cientista se lembrou de diagnosticar, estudar e classificar como patologia: Não sei viver com gente fingida, preciso que me amem, para viver sem me deixar engolir pela realidade, sem sentir que estou a lutar para me manter à tona.
Não sei que espécie de caminhante sou, para onde vou, não sei. Sei que há uma força estranha que me faz correr, para onde não devo.
quinta-feira, março 01, 2007
PESO
O peso da noite é o peso das perguntas que não têm resposta. A noite é dos doentes, dos inquietos, não há forma de nos libertarmos da nossa tirania. Pode-se acender uma luz, abrir um livro, procurar na rádio uma voz reconfortante, mas a noite continua ali, à espreita: viemos do escuro, ao escuro voltaremos e escuro era o espaço antes de o universo ganhar forma.
Talvez seja por isso que as cidades estão cada vez mais iluminadas e cheias de atracções: a qualquer hora da noite, se quizermos, podemos comer, comprar alguma coisa, divertirmo-nos.
O silêncio e a escuridão são relegados para as poucas horas em que estamos esvaídos de cansaço e temos de tentar recuperar forças para continuar, mas não é um sono sulcado pelo fulgor das perguntas, é um desfalecimento, isso sim, o espaço breve em que o corpo é obrigado a ceder à fisiologia, para depois despertar diante dum ecrã luminoso, com um telecomando manejado sempre por nós.
Em que acreditas?, perguntara-me o Manuel. No silêncio da noite, dava voltas e mais voltas na cama, as dores eram muitas, sem conseguir sossegar.
Sabia que o sono não iria chegar, mas esperava ao menos por uma espécie de modorra. Em vão aquela pergunta pairava no ar,arrastando consigo muitas outras, e a primeira de todas era a sua irmã gémea: porque vives?
Em que acreditas? Porque vives? A cada criança que nasce deveria ser entregue um pergaminho com estas duas perguntas em pé de página, deixando por cima o espaço suficiente para o tempo que lhes é dado viver. Depois, teríamos de nos apresentar com essa mesma folha - preenchida com todas as acções da nossa vida - diante da morte.
De facto, eliminando a noite be o silêncio, deixa de haver espaço para as perguntas - e é essa a função do pergaminho: para que cada criança que nasça não pense que é apenas um objecto entre outros objectos, e até o mais perfeito; para que saiba ( se, ao longo dos anos, passar por acaso uma noite sem dormir) que o que a mantém acordada não é nenhuma doença, mas a sua natureza, porque a capacidade de se interrogar é própria do homem e de ninguém mais.
Em que é que acreditas?
Há dor, não alegria nas minhas primeiras recordações; há ansiedade, medo, não a serena certeza da pertença. Enquanto gatinhava à procura da minha mãe por entre aqueles corpos aturdidos pelos excessos, enquanto a via dormir ao lado de um marido a quem eu chamava pai, que podia eu sentir senão confusão?
Já então intuía que não era filha do casamento, mas do amor fora dele, e essa percepção, em vez de me empurrar para a aversão. fazia nascer en mim um estranho desejo de proteger a minha nãe; lia sempre um véu de tristeza por baixo da sua alegria forçada, sentia que ela comrçava andar à deriva e daria a minha vida para evitar que isso acontecesse.
De onde veio a minha alma?, pergunto a mim mesma: ter-se-á formado comigo, ou terá brotado do mistério do tempo fora para poder socorrer um corpo que levianamente a atraiu a si, condenando-a a viver a dor da não aceitação, na inquietação do lugar nenhum, do não importa, por quê, por quem estou aqui?, como dissera o meu pai, já que tudo se reproduz inexoravelmente, desde os bolores até aos elefantes?
Seria, portanto, filha da inexorabilidade?
Talvez seja por isso que as cidades estão cada vez mais iluminadas e cheias de atracções: a qualquer hora da noite, se quizermos, podemos comer, comprar alguma coisa, divertirmo-nos.
O silêncio e a escuridão são relegados para as poucas horas em que estamos esvaídos de cansaço e temos de tentar recuperar forças para continuar, mas não é um sono sulcado pelo fulgor das perguntas, é um desfalecimento, isso sim, o espaço breve em que o corpo é obrigado a ceder à fisiologia, para depois despertar diante dum ecrã luminoso, com um telecomando manejado sempre por nós.
Em que acreditas?, perguntara-me o Manuel. No silêncio da noite, dava voltas e mais voltas na cama, as dores eram muitas, sem conseguir sossegar.
Sabia que o sono não iria chegar, mas esperava ao menos por uma espécie de modorra. Em vão aquela pergunta pairava no ar,arrastando consigo muitas outras, e a primeira de todas era a sua irmã gémea: porque vives?
Em que acreditas? Porque vives? A cada criança que nasce deveria ser entregue um pergaminho com estas duas perguntas em pé de página, deixando por cima o espaço suficiente para o tempo que lhes é dado viver. Depois, teríamos de nos apresentar com essa mesma folha - preenchida com todas as acções da nossa vida - diante da morte.
De facto, eliminando a noite be o silêncio, deixa de haver espaço para as perguntas - e é essa a função do pergaminho: para que cada criança que nasça não pense que é apenas um objecto entre outros objectos, e até o mais perfeito; para que saiba ( se, ao longo dos anos, passar por acaso uma noite sem dormir) que o que a mantém acordada não é nenhuma doença, mas a sua natureza, porque a capacidade de se interrogar é própria do homem e de ninguém mais.
Em que é que acreditas?
Há dor, não alegria nas minhas primeiras recordações; há ansiedade, medo, não a serena certeza da pertença. Enquanto gatinhava à procura da minha mãe por entre aqueles corpos aturdidos pelos excessos, enquanto a via dormir ao lado de um marido a quem eu chamava pai, que podia eu sentir senão confusão?
Já então intuía que não era filha do casamento, mas do amor fora dele, e essa percepção, em vez de me empurrar para a aversão. fazia nascer en mim um estranho desejo de proteger a minha nãe; lia sempre um véu de tristeza por baixo da sua alegria forçada, sentia que ela comrçava andar à deriva e daria a minha vida para evitar que isso acontecesse.
De onde veio a minha alma?, pergunto a mim mesma: ter-se-á formado comigo, ou terá brotado do mistério do tempo fora para poder socorrer um corpo que levianamente a atraiu a si, condenando-a a viver a dor da não aceitação, na inquietação do lugar nenhum, do não importa, por quê, por quem estou aqui?, como dissera o meu pai, já que tudo se reproduz inexoravelmente, desde os bolores até aos elefantes?
Seria, portanto, filha da inexorabilidade?
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
PENSO
Hoje o dia está frio.
O vento e a chuva bate nas vidraças com força.
E eu tento proteger-me.
Refugiando-me no meu abrigo.
E tento lembrar do que fui.
Do meu passado e do meu futuro.
Com carinho e prometo no silêncio.
Do meu sentir que...
Tentarei estar perto de todos aqueles que amo.
Nunca os deixarei sózinhos.
Mesmo que sinta o meu coração.
Cansado e em pedaços.
Tentarei pensar em mim, em ti em nós.
Sem cometer enganos.
Prometo fazer planos e acreditar.
Que o vento forte levará para longe.
As difículdades e as dores.
E com sensatez tentarei enfrentar.
Um dia de cada vez!
Tentarei pensar em mim e em ti como...
Um ombro amigo cada vez mais forte.
E mais segura que um dia.
O vento acalmará.
E o sol voltará a brilhar.
E no meio das minhas inseguranças.
Conseguirei construir um porto de abrigo.
Para todos que amo.
Tentarei pensar em mim e em ti.
E aperceber-me que tudo nesta vida.
É passageiro e tentar encontrar .
De uma forma suave a verdade.
Para que tudo o que sinto.
Porque sei que uma mentira.
Não se esconde uma vida inteira.
E eu já desisti de mentir para mim.
Para ti.
Não sei o tempo de amanhã.
Mas tentarei pensar em mim em ti.
E sonhar que um dia tudo será mais fácil!
Mas mesmo assim quero que saibas que nunca...
Desistirei de pensar em mim, em ti.
Em nós e com ternura.
Afastaremos ventos e tempestades.
Tentarei pensar em mim, em ti.
Em nós!
O vento e a chuva bate nas vidraças com força.
E eu tento proteger-me.
Refugiando-me no meu abrigo.
E tento lembrar do que fui.
Do meu passado e do meu futuro.
Com carinho e prometo no silêncio.
Do meu sentir que...
Tentarei estar perto de todos aqueles que amo.
Nunca os deixarei sózinhos.
Mesmo que sinta o meu coração.
Cansado e em pedaços.

Tentarei pensar em mim, em ti em nós.
Sem cometer enganos.
Prometo fazer planos e acreditar.
Que o vento forte levará para longe.
As difículdades e as dores.
E com sensatez tentarei enfrentar.
Um dia de cada vez!
Tentarei pensar em mim e em ti como...
Um ombro amigo cada vez mais forte.
E mais segura que um dia.
O vento acalmará.
E o sol voltará a brilhar.
E no meio das minhas inseguranças.
Conseguirei construir um porto de abrigo.
Para todos que amo.
Tentarei pensar em mim e em ti.
E aperceber-me que tudo nesta vida.
É passageiro e tentar encontrar .
De uma forma suave a verdade.
Para que tudo o que sinto.
Porque sei que uma mentira.
Não se esconde uma vida inteira.
E eu já desisti de mentir para mim.
Para ti.
Não sei o tempo de amanhã.
Mas tentarei pensar em mim em ti.
E sonhar que um dia tudo será mais fácil!
Mas mesmo assim quero que saibas que nunca...
Desistirei de pensar em mim, em ti.
Em nós e com ternura.
Afastaremos ventos e tempestades.
Tentarei pensar em mim, em ti.
Em nós!
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Poema de amor
O simples olhar de um poema de amor.Pendurado na parede.
Sobrevive ao tempo esquecido.
Esqueci de esquecer a dor.
Da sobrevivência deste poema.
A ingratidão do ser humano.
É sentir na alma as lágrimas do coração.
Um poema que sobrevive nas quatro paredes.
Que me rodeiam, confortando-me.
Com um simples olhar.
Este poema existe em mim
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
FRÁGIL (idade)
Alguém que me guarde no bolso...No silêncio do vazio de dentro.Não consigo. Não consigo. Quebram-me as asas no escuro, sem dizer nada. O olhar fixo no impossivel e..Sei tanto ou tão pouco do abandono! As nuvens que se desfazem...Sempre soube que não deveria correr atrás da sombra.
Agora, esgotam-se as horas, esgota-se o tempo. O mesmo tempo que decidi correr para ti e...Não deste conta.
Rasgo as páginas onde escrevo. Pinto de preto as folhas brancas reservadas para as ondas dos teus olhos. Sintra...Sintra fecha as portas, tranca-me. Não quero mais que me roubem as paredes...Está frio. Um frio que cresce...Cresce nas lágrimas que não caem...Prometeste lambê-las.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
MEDOS
Lançaram-me um desafio...Falar dos meus medos. São só uns muitos...Medo da solidão: Poderia dizer que este sem dúvida o que mais me rouba o sono. E o que mais me mergulha nele também. Não sei combatê-la...Se a procuro não a tenho, se a tenho, esfaqueia-me.
Medo de perder a sensibilidade: Assusta-me a ideia de não conseguir chorar, sorrir, amar, extasiar...Sentir! Assusta-me ainda mais porque já provei o amargo sabor da vida à deriva.
Medo de perder a minha liberdade: A pouca que tenho. A que me resta. Não gosto que me fechem as portas, que me quebrem as asas. Por algum motivo não suporto pássaros engaiolados...preciso de respirar fundo para resistir à tentação de lhes abrir a gaiola.
Medo de fraquejar: E este é um medo que me deixa imóvel. Estática. O saber que posso por algum motivo não ter forças para caminhar...Assombra-me bastantes vezes. Mas já começo a saber-lhe as manhas.
Medo da incompreensão e dos falsos julgamentos: Não gosto que me entendam mal e principalmente, que não me deixem explicar. Se há uma coisa que me irrita é que me analisem apenas por uma vertente...As coisas desmontadas às peças perdem a magia. Por este motivo, dou sempre bastante espaço para que os outros se revelem, no seu devido tempo, na medida que quizerem...
Medo que me quatifiquem os sentimentos: O que sente, sente-se! Medo da doença: Partilho-o com a maioria dos mortais...
E já chega...Mais não digo!
terça-feira, fevereiro 06, 2007
DEVANEIO
Saudade do que não tenho, Saudade do que nunca tive... A tua ausência começou a inundar-me o chão. Conheço esta sensação...Cresce com os silêncios prolongados, amargos, de desejo inútil, de suspiros de vento perdidos e achados em bocas alheias a nós.Chove, gosto da chuva...Fecho e abro a Janela para ver chover. Os meus dedos pesam...Afundam-se na pele. Nas tuas palavras...As que nunca ouvi da tua boca, as que se desenham sem saber porquê no meu sonho. Cansada da languidez do momento...Do fraco sustento, do lamento trémulo alimentado pelo sopro. Um dia, quando focares o fundo dos meus olhos verás a tua imagem.
Abraço-te, no eco profundo do toque e mergulho nas águas azuis de sal. Nunca espelham a melancolia das ondas...Nunca.
Chove...deixa chover.
Esta noite vou sair sem corpo à rua, deixá-lo na cama aquecida de sangue fraco e buscar a seiva dos troncos verdes com que te alimentas...
Faltas-me onde nunca estiveste.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Escrevo para não enlouquecer
Deambulo pela casa, leio, assisto a um filme evitando assim dormir. Já entro pela madrugada dentro. E evito dormir, penso se voltarei a sonhar com aquela personagem...Quando a esquecerei? As minhas unhas de verniz claro revelam o meu estado de alma. Este claro roído reflecte o meu sofrimento de estar longe de algo que me atormenta.A confusão reina nestes pensamentos embaraçados, tanto pela estranheza, como pelo facto de saber que estou como decidi estar e que não fiz bem.
Quem sabe? Os acontecimentos tomam lugar por motivos fortes, mas à distância do tempo, tornam-se inacreditáveis... Não consigo encontrar uma explicação que me acalme o espírito deveras apaixonado. Sei que eu decidi, mas agora pergunto-me: Porquê? Porque é que este sopro move árvores, águias, ventos e fogo se, quando atinge o que tanto desejara, acalma e monotoniza...Será que é um mito? É um mito tudo isto? Sou eu que invento um mito e sofro com uma ilusão? Onde estão os meus sonhos quebrados agora pela realidade da vida?
Não acredito que sou mais uma Portuguesa frustrada por não ver um cavalo branco surgir no nevoeiro matinal.
Só encontro uma justificação. Eu quebrei imensas regras. Traí-me por vezes a mim mesma...E agora que tento corrigir, sofro...uma dor que se acalma, mói e depois torna-se aguda...como agora. Agora que é tarde e o frio aperta. Ah lindas tardes...que belas tardes passo e passei eu contigo. Sim, tu, que apesar de te dirigir a palavra estás ausente, não me respondes. Eu só queria ser tua amiga. Não!!... Eu tua amiga já sou. Queria era ver o nascer do sol contigo, numa altura que tanto preciso. Não quero revoltar-me contra a vida, nem contra ti, mas as circunstâncias assim mandam.
A vida e o amor seria mais simples se fossemos autistas... racionais. Apenas isso.
terça-feira, janeiro 30, 2007
Abandono
Na triste história.
Das misérias de uma vida.
Fui Rainha.
Jogada às traças no meu próprio castelo.
Acorrentada.
Perseguindo vagalumes.
E palavras de duas pontas.
Prontas pra cortar os fios.
Que movem estas pernas.
E fazem a Rainha dançar.
Esperando o cadafalso se abrir.
Para conquistar a existência em tua atenção.
Quando ao ar chutar estes ossos.
E tu aplaudires.
Quem me amou abandonou-me.
Quem me protege.
Deixou entrar a doença em meu quarto.
E quem me quer bem.
Fez notar a indiferença frente ao meu corpo.
Deslizando à queda sem fím...
Quem me dera desaparecer.
Antes de questionar
Das misérias de uma vida.
Fui Rainha.
Jogada às traças no meu próprio castelo.
Acorrentada.
Perseguindo vagalumes.
E palavras de duas pontas.
Prontas pra cortar os fios.
Que movem estas pernas.
E fazem a Rainha dançar.
Esperando o cadafalso se abrir.
Para conquistar a existência em tua atenção.
Quando ao ar chutar estes ossos.
E tu aplaudires.
Quem me amou abandonou-me.
Quem me protege.
Deixou entrar a doença em meu quarto.
E quem me quer bem.
Fez notar a indiferença frente ao meu corpo.
Deslizando à queda sem fím...
Quem me dera desaparecer.
Antes de questionar
terça-feira, janeiro 23, 2007
ESPECIAL
Querido
Muita gente diz que o tempo é inimigo do amor, que as relações se desgastam com o passar dos meses e anos. Mas, isso não é verdade, pois vêm os dias, as noites, mudam as luas e as estações e eu continuo a amar-te com a mesma paixão de quando te conheci.
Na verdade, sinto como se o tempo reforçasse os nossos sentimentos a cada dia, como se os laços que nos unem estivessem mais estreitos e firmes a cada minuto. E melhor é que esses laços apertados não nos oprimem nem limitam os nossos movimentos, não nos retiram a liberdade individual mas, pelo contrário, dão-nos a sensação exacta da grandiosidade do amor, este sentimento que permite que te completes no outro sem deixares de ser tu mesmo!
Eu amo-te. Cada vez mais e mais a cada dia, porque sei que juntos somos capazes de vencer todas as barreiras, de vencer as horas com alegria e de voar sobre as asas do tempo, sugando os bons ares da experiência que ele proporciona, e tornando-nos cada vez mais confiante na eternidade deste sentimento que nos une.
Mesmo tendo a certeza de que este amor é para sempre, ainda sim quero dizer-te que valorizo cada minuto que passamos juntos, como só tenho boas recordações de todos os momentos que já desfrutamos ao longo deste nosso feliz relacionamento.
Um beijo da.
Nina
Muita gente diz que o tempo é inimigo do amor, que as relações se desgastam com o passar dos meses e anos. Mas, isso não é verdade, pois vêm os dias, as noites, mudam as luas e as estações e eu continuo a amar-te com a mesma paixão de quando te conheci.
Na verdade, sinto como se o tempo reforçasse os nossos sentimentos a cada dia, como se os laços que nos unem estivessem mais estreitos e firmes a cada minuto. E melhor é que esses laços apertados não nos oprimem nem limitam os nossos movimentos, não nos retiram a liberdade individual mas, pelo contrário, dão-nos a sensação exacta da grandiosidade do amor, este sentimento que permite que te completes no outro sem deixares de ser tu mesmo!
Eu amo-te. Cada vez mais e mais a cada dia, porque sei que juntos somos capazes de vencer todas as barreiras, de vencer as horas com alegria e de voar sobre as asas do tempo, sugando os bons ares da experiência que ele proporciona, e tornando-nos cada vez mais confiante na eternidade deste sentimento que nos une.
Mesmo tendo a certeza de que este amor é para sempre, ainda sim quero dizer-te que valorizo cada minuto que passamos juntos, como só tenho boas recordações de todos os momentos que já desfrutamos ao longo deste nosso feliz relacionamento.
Um beijo da.
Nina
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Saber amar e saber perdoar
Por vezes existe como uma mágoa secreta que nos persegue, e que vai espalhando as suas raízes na nossa profundidade interior, perturbando-nos e retirando-nos a serenidade, devido a algum ressentimento aguardado, alguma ofensa engolida, alguma perda sofrida que não fomos capazes de superar.
Muitas vezes as nossas ansiedades tranformam-se em medos ou fobias, em preocupações ou frustrações, em traumas e inseguranças, geradoras de mal estar, que desequilibram emocional e afectivamente. Por isso sentimo-nos desgastados, vulneráveis, fragilizados...sem energia e, por vezes, até mesmo escravizados.
Só na medida em que formos capazes de amar a realidade que nos feriu, atravéz de um vivo sentimento de perdão, seremos capazes de voltar ao estado de paz original, que saudosamente recordamos, em vezes de remoermos o que nos aconteceu, o que leva à magoa.
O perdão é libertador e tem um poder terapêutico enorme, capaz de fazer experimentar o gosto da alegria de nos sentirmos libertos, autónomos, autênticos, assertivos e, por isso, felizes. Não podemos permitir que os nossos males passados nos continuem a deixar prostrados e nos roubem o entusiasmo pela vida, tornando-nos pessoas azedas e frias, quando temos uma vida para nos fazer apaixonar.
Devemos apaixonar-nos por cada instante do quotidiano, pelo brilho do sol, ou pelas ondas do mar, pelo encanto das manhãs radiosas, ou pelo mais belo pôr-do -sol...pelo sorriso ou pelo toque que partilhamos, pela palavra que escutamos ou dizemos, pelo abraço que nos faz sentir bem, pela ternura que sentimos e fazemos sentir...
A vida tem que ser acolhida, recebida, criada e recriada em cada instante, de forma a torná-la mais completa e saudável, cultivando a sua aceitação, através de uma apredizagem feita de avanços e recuos, valorizando sempre o aqui e agora. A aceitação dos factos inevitáveis não nos deixa gastar energias inutilmente e permite-nos agradecer o que a vida dá tornando-a mais fluida e positiva, olhando e valorizando o que temos e não desejando o que é dos outros.
O perdão libertador, nascido num coração que sabe amar verdadeiramente, é tanto mais fácil e autêntico, quanto maior a capacidade de amar e mantém aberta a porta por estar, dando graças.
Esta gratidão pelo dom da vida que gratuitamente, nos foi dado por Deus, abre-nos as portas ao principio da partilha dos nossos talentos, postos render em nosso serviço e ao serviço dos outros.
Aqui escrevo o que realmente me vai na alma. Que todos possam ser felizes para todo o sempre, porque o ontem não voltará, e o amanhã talvez não chegará.
Dedico estes pensamentos, a alguém muito especial. Alguém que não está entre os vivos, mas seu espírito anda sempre por perto. Sua protecção , seu carinho e amor, fazem-me sentir uma pessoa especial. Essa pessoa é minha mãe...estes pensamentos eram os dela.
Muitas vezes as nossas ansiedades tranformam-se em medos ou fobias, em preocupações ou frustrações, em traumas e inseguranças, geradoras de mal estar, que desequilibram emocional e afectivamente. Por isso sentimo-nos desgastados, vulneráveis, fragilizados...sem energia e, por vezes, até mesmo escravizados.
Só na medida em que formos capazes de amar a realidade que nos feriu, atravéz de um vivo sentimento de perdão, seremos capazes de voltar ao estado de paz original, que saudosamente recordamos, em vezes de remoermos o que nos aconteceu, o que leva à magoa.
O perdão é libertador e tem um poder terapêutico enorme, capaz de fazer experimentar o gosto da alegria de nos sentirmos libertos, autónomos, autênticos, assertivos e, por isso, felizes. Não podemos permitir que os nossos males passados nos continuem a deixar prostrados e nos roubem o entusiasmo pela vida, tornando-nos pessoas azedas e frias, quando temos uma vida para nos fazer apaixonar.
Devemos apaixonar-nos por cada instante do quotidiano, pelo brilho do sol, ou pelas ondas do mar, pelo encanto das manhãs radiosas, ou pelo mais belo pôr-do -sol...pelo sorriso ou pelo toque que partilhamos, pela palavra que escutamos ou dizemos, pelo abraço que nos faz sentir bem, pela ternura que sentimos e fazemos sentir...
A vida tem que ser acolhida, recebida, criada e recriada em cada instante, de forma a torná-la mais completa e saudável, cultivando a sua aceitação, através de uma apredizagem feita de avanços e recuos, valorizando sempre o aqui e agora. A aceitação dos factos inevitáveis não nos deixa gastar energias inutilmente e permite-nos agradecer o que a vida dá tornando-a mais fluida e positiva, olhando e valorizando o que temos e não desejando o que é dos outros.
O perdão libertador, nascido num coração que sabe amar verdadeiramente, é tanto mais fácil e autêntico, quanto maior a capacidade de amar e mantém aberta a porta por estar, dando graças.
Esta gratidão pelo dom da vida que gratuitamente, nos foi dado por Deus, abre-nos as portas ao principio da partilha dos nossos talentos, postos render em nosso serviço e ao serviço dos outros.
Aqui escrevo o que realmente me vai na alma. Que todos possam ser felizes para todo o sempre, porque o ontem não voltará, e o amanhã talvez não chegará.
Dedico estes pensamentos, a alguém muito especial. Alguém que não está entre os vivos, mas seu espírito anda sempre por perto. Sua protecção , seu carinho e amor, fazem-me sentir uma pessoa especial. Essa pessoa é minha mãe...estes pensamentos eram os dela.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Os melhores momentos
É Natal. Estamos chegando a um começo de um novo ano. Abro a minha caixa dourada, onde leio as minhas palavras escritas durante o ano, quando falo com Deus?Cada frase escrita representa um dia, e tudo o que desejo nesse mesmo ano.
-Rir até doer a barriga.
-Encontrar milhares de mails dos amigos.
-Passear por algum lugar lindo.
-Escutar a canção favorita da radio.
-Deitar na cama e ouvir a chuva lá fora.
-Sair do duche e ter a toalha quente.
-Receber uma chamada de alguém que não vejo hà muito tempo.
-Uma boa conversa.
-Encontrar dinheiro nos livros que não leio há muito tempo.
-Rir de mim mesma.
-Rir sem motivos.
-Escutar acidentalmente que alguém fala bem de mim.
-Acordar e dar conta que ainda posso dormir um par de horas.
-Escutar a canção que me recorda"aquela pessoa especial".
-Fazer parte de uma boa equipa.
-O primeiro beijo.
-A primeira vez de algo signifcativo.
-Fazer novos e bons amigos.
-Sentir cócegas na barriga cada vêz que vejo a tal " pessoa".
-Passar um bocado com os melhores amigos.
-Ver felizes as pessoas que amo.
-Sentir o perfume da pessoa que amo.
-Ver um velho amigo e sentir que as coisas mudaram.
-Olhar um pôr do sol.
-Ter alguém que me diga todos os dias que me ama.
O dinheiro ajuda , mas não traz felicidade. Como explicar o amor.
Ele está dentro da minha caixa dourada? Dentro do meu coração.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
PERGUNTAS
Quando regresso mentalmente à casa, vejo-a suspensa na luz da madrugada. É ainda Outono porque, o sob a tepidez dos primeiros raios, o solo começa a fumegar e a neblina vai subindo. Vejo-a sempre de cima e de longe, como um pássaro em voo; aproximo-me lentamente e observo as janelas - quando estão abertas, quando estão fechadas - , verifico o estado do jardim, o arame da roupa, a ferrugem do portão da quinta; não tenho pressa de descer, é como se quizesse confirmar que aquela casa é realmente a minha casa, que aquela história é a minha história.
Por que razão havia duas coisas na natureza que se assemelhavam de uma forma tão impressionante? Por que é que uma coisa remetia para outra? Seria uma lei do universo, ou apenas uma loucura, um instante de distracção não controlada?
O chão à minha volta estava coberto de nozes, as chuvas abundantes tinham transformado a casca verde de Junho numa papa escura; bastava esfregá-la com o polegar para ver aparecer a casca. Dura, mas não o bastante para escapar às patas rosadas dos esquilos, aos seus dentes de marfim, ao bico das gralhas cinzentas, dos corvos, das pegas, dos gaios; dura, mas não o bastante para se esquivar às minhas perguntas.
Porque aquela nogueira - que existia e deixara de existir - era o meu espelho, o primeiro espelho da minha vida. De joelhos na terra ferida, debruçada para aquela cova, imersa na luz sinistra da Lua, com uma semente na mão e o coração aparentemente vazio, percebi de repente que ao longo dos meus dias não construiria palácios, nem fortunas, mas sim constituiria família.
Enquanto uma pinha de cedro caía com estrondo no chão ao meu lado, vi nitidamente que o caminho que se abria à minha frente era o caminho intransitável e permanentemente solitário das perguntas.
Por que razão havia duas coisas na natureza que se assemelhavam de uma forma tão impressionante? Por que é que uma coisa remetia para outra? Seria uma lei do universo, ou apenas uma loucura, um instante de distracção não controlada?
O chão à minha volta estava coberto de nozes, as chuvas abundantes tinham transformado a casca verde de Junho numa papa escura; bastava esfregá-la com o polegar para ver aparecer a casca. Dura, mas não o bastante para escapar às patas rosadas dos esquilos, aos seus dentes de marfim, ao bico das gralhas cinzentas, dos corvos, das pegas, dos gaios; dura, mas não o bastante para se esquivar às minhas perguntas.
Porque aquela nogueira - que existia e deixara de existir - era o meu espelho, o primeiro espelho da minha vida. De joelhos na terra ferida, debruçada para aquela cova, imersa na luz sinistra da Lua, com uma semente na mão e o coração aparentemente vazio, percebi de repente que ao longo dos meus dias não construiria palácios, nem fortunas, mas sim constituiria família.Enquanto uma pinha de cedro caía com estrondo no chão ao meu lado, vi nitidamente que o caminho que se abria à minha frente era o caminho intransitável e permanentemente solitário das perguntas.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
IMAGEM
Enquanto empurrava o carrinho do supermercado, olhava para os rostos esbranquiçados sob as lâmpadas de néon e pensava: que tipo de vida tem sentido? qual é o sentido da vida? comer? sobreviver? reproduzirmo-nos? É o que fazem os animais. Nesse caso, porque é que andamos sobre duas patas e nos servimos das mãos? Porque escrevemos poemas, pintamos quadros, compomos sinfonias? Só para dizer que a barriga está cheia e copulámos o suficiente para garantir descendência.
Nenhum ser humano deseja vir ao mundo. Um belo dia, sem termos sido interpolados, damos por nós em cima do palco, alguns conseguem o papel de protagonistas, outros são meros comparsas, outros ainda saem de cena antes do fínal do acto, ou preferem descer do palco e assistir ao espectáculo na plateia - preferem rir, chorar ou aborrecer-se, de acordo com o programa do dia.
Apesar dessa violência evidente, uma vez nascidos, ninguém quer sair deste mundo. Porquê? parece-me um paradoxo: não peço para vir ao mundo, mas uma vez no mundo, não quero ir-me embora. Qual será então o sentido da responsabilidade individual? sou eu que escolho, ou souescolhida?
Nenhum ser humano deseja vir ao mundo. Um belo dia, sem termos sido interpolados, damos por nós em cima do palco, alguns conseguem o papel de protagonistas, outros são meros comparsas, outros ainda saem de cena antes do fínal do acto, ou preferem descer do palco e assistir ao espectáculo na plateia - preferem rir, chorar ou aborrecer-se, de acordo com o programa do dia.
Apesar dessa violência evidente, uma vez nascidos, ninguém quer sair deste mundo. Porquê? parece-me um paradoxo: não peço para vir ao mundo, mas uma vez no mundo, não quero ir-me embora. Qual será então o sentido da responsabilidade individual? sou eu que escolho, ou souescolhida?
Por conseguinte, o verdadeiro acto de vontade - aquele que eleva o homem e o distingue dos animais - será a decisão de se ir embora? Não escolho vir ao mundo, mas posso escolher o momento de dizer adeus. Não foi da minha vontade descer, mas é da minha vontade subir.
Mas descer de onde e subir para onde? Haverá um em cima e um em baixo? Ou haverá apenas um vazio total e pneumático?
Depois da tua morte, a imagem que mais me vinha à ideia, a respeito da casa, era a de uma concha. Ainda eu não tinha quatro anos, deste-me uma, ainda me lembro da tua voz quando a encostaste ao meu ouvido: Estás a ouvir? É o ruído do mar...
Por uns instantes, fiquei a ouvir, mas, de repente, desatei num daqueles choros excessivos e infindáveis que te assustavam e irritavam. - Porque choras? O que foi? - repetias-me.
Não conseguia responder-te, não podia dizer-te que o que estava dentro da concha não era o mar, mas o gemido dos mortos, aquele sopro insólito era a sua voz, uma voz que me chegava aos ouvidos com toda a violência do que não se exprime, e depois passava para o coração e o comprimia até o fazer explodir.
Os habitantes da minha casa tinham tido o mesmo destino: tinham morrido quaze todos e o vento passara, polindo-lhes a memória. E eu andava, sózinha, por entre as curvas em espiral, e havia momentos em que me parecia estar a perder-me num labirinto. Outras vezes, porém, percebia que só lá dentro, só procurando, cavando e escutando, é que eu poderia compreender quem eu era realmente.
O vento também era uma voz, transportava os suspiros dos mortos, os seus passos e as coisas que entre eles não tinham sido ditas.
Sozinha naquela casa de paredes cada vez mais lisas, cada vez mais transparentes, comecei a pensar na jovem mulher da fotografia, envolta numa nuvem de fumo. Tentava lembrar-me do tom da sua voz ou do calor da sua mão, de qualquer coisa que nos pudesse ter unido antes do seu desaparecimento.
Gostaria de saber tudo acerca dela, mas já não tinha ninguém a quem fazer perguntas. Todos se fechavam como ostras.
Como era, quem era, que gostos tinha e, sobretudo, porque me tinha trazido a este mundo?
Comecei a chamar por ela , vagueando pelo quarto dela vazio. Tinha vergonha de prenunciar aquele nome, parecia-me uma espécie de traição para com ela: Durante trinta e longos anos tinha dito "Cândida" e agora, de repente, queria dizer apenas "mãe".
Mas descer de onde e subir para onde? Haverá um em cima e um em baixo? Ou haverá apenas um vazio total e pneumático?
Depois da tua morte, a imagem que mais me vinha à ideia, a respeito da casa, era a de uma concha. Ainda eu não tinha quatro anos, deste-me uma, ainda me lembro da tua voz quando a encostaste ao meu ouvido: Estás a ouvir? É o ruído do mar...
Por uns instantes, fiquei a ouvir, mas, de repente, desatei num daqueles choros excessivos e infindáveis que te assustavam e irritavam. - Porque choras? O que foi? - repetias-me.
Não conseguia responder-te, não podia dizer-te que o que estava dentro da concha não era o mar, mas o gemido dos mortos, aquele sopro insólito era a sua voz, uma voz que me chegava aos ouvidos com toda a violência do que não se exprime, e depois passava para o coração e o comprimia até o fazer explodir.
Os habitantes da minha casa tinham tido o mesmo destino: tinham morrido quaze todos e o vento passara, polindo-lhes a memória. E eu andava, sózinha, por entre as curvas em espiral, e havia momentos em que me parecia estar a perder-me num labirinto. Outras vezes, porém, percebia que só lá dentro, só procurando, cavando e escutando, é que eu poderia compreender quem eu era realmente.
O vento também era uma voz, transportava os suspiros dos mortos, os seus passos e as coisas que entre eles não tinham sido ditas.
Sozinha naquela casa de paredes cada vez mais lisas, cada vez mais transparentes, comecei a pensar na jovem mulher da fotografia, envolta numa nuvem de fumo. Tentava lembrar-me do tom da sua voz ou do calor da sua mão, de qualquer coisa que nos pudesse ter unido antes do seu desaparecimento.
Gostaria de saber tudo acerca dela, mas já não tinha ninguém a quem fazer perguntas. Todos se fechavam como ostras.
Como era, quem era, que gostos tinha e, sobretudo, porque me tinha trazido a este mundo?
Comecei a chamar por ela , vagueando pelo quarto dela vazio. Tinha vergonha de prenunciar aquele nome, parecia-me uma espécie de traição para com ela: Durante trinta e longos anos tinha dito "Cândida" e agora, de repente, queria dizer apenas "mãe".
quarta-feira, novembro 29, 2006
RENASCI
Vagueando desde o princípio dos tempos pela mais escura das noites, sentindo o frio mais enregelado e perseguida por uma fome e sede eternas, eis que algo em mim me indica uma direcção para onde olhar. Lá bem longe, onde a vista se esforça por tentar alcançar, nota-se o que parece ser um ténue ponto luminoso para onde me dirijo com toda a pressa que o meu cansaço permite. Entre a pressa de a atingir e a dor que nos olhos se vai agudizando pelo aproximar da luz, agora definida como tal, reparo que começo a sentir o que desde hà muito não sentia... um coração que bate, uma sofreguidão de inalar algo a que os meus pulmões aspiram, as dores musculares da passividade do nada fazer enfím um corpo que se sente. 
Eis então, que a minha demanda pela luz chega ao fím...mergulho na dor do choque com a luz que me endoidece, esbracejo, tento agarrar-me a algo que me tire a loucura do sítio onde me encontro o onde acabo de chegar. Tacteio, toco, apalpo, sinto...PLATTTTTTTTTT!!!Acabo e sentir uma palmada, uma palmada que me faz gritar a plenos pulmões e enche-me os mesmos de um ar frio mas agradável. Abro os olhos e vejo a sorrir para mim uma deusa, sim, trata-se de uma deusa, de roupas brancas e quaze que transparentes e com um sorriso acolhedor que me dá esperanças de ter chegado a um bom local para deixar de ter medos e de me sentir só.
Sim, hoje renasci e apelo à protecção da deusa para que me acolha no seu seio e proteja-me do mundo onde vim parar...Aiwé Maria, aiwé...

Eis então, que a minha demanda pela luz chega ao fím...mergulho na dor do choque com a luz que me endoidece, esbracejo, tento agarrar-me a algo que me tire a loucura do sítio onde me encontro o onde acabo de chegar. Tacteio, toco, apalpo, sinto...PLATTTTTTTTTT!!!Acabo e sentir uma palmada, uma palmada que me faz gritar a plenos pulmões e enche-me os mesmos de um ar frio mas agradável. Abro os olhos e vejo a sorrir para mim uma deusa, sim, trata-se de uma deusa, de roupas brancas e quaze que transparentes e com um sorriso acolhedor que me dá esperanças de ter chegado a um bom local para deixar de ter medos e de me sentir só.
Sim, hoje renasci e apelo à protecção da deusa para que me acolha no seu seio e proteja-me do mundo onde vim parar...Aiwé Maria, aiwé...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Acordar
Acordo no silêncio e nem é a casa, nem é da casa que brota o silêncio. O mar.também não é do mar que vem do silêncio, não sei se bravo hoje, se atordoante ou se seguro as marés do seu colo. Mas não é do mar que vem o silêncio, de onde vem? preciso de me calar, falo de mais, tenho escrito pouco, mas não deveria escrever nada sobre árvores, homens , e sentimentos. A escrever que escreva sobre o silêncio e o seu ruído vazio. Quem faz esse silêncio que assoma? quem? o mar não é, a solidão também não. De onde vem então? calem-se, calo-me, quero ouvir de onde vem.
terça-feira, outubro 03, 2006
Acima das desilusões
Acima das desilusões. Na vida todos nós enfrentamos desilusões. Nos decepcionamos com amigos, parentes, e até com nós mesmo.Nos desiludimos quando vemos um sonho se tranformar em pesadelo, um alvo transformar-se numa miragem bem distante, um desejo desaparecer como uma neblina. A desilusão dói, como um ferimento. Atinge a qualquer um, sem acepção.
Mas o importante é saber que novos caminhos podem ser sonhados, e que um dia certamente amanhecerá.
Fomos feitos com a capacidade de sair das cinzas para a glória, do nada para o tudo, da derrota para a vitória.
Como a águia, temos dentro de nós o desejo de voar grandes alturas, portanto também acima das desilusões.
Cada desilusão é um convite a um novo sonho, a uma nova visão de vida.
É um convite a um novo desafio, a um novo caminho...
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